Há uma sociedade por trás de tudo que comanda e modela o mundo para atender aos seus propósitos. Muito fala-se a respeito, porém pouco se sabe para de fato julgar. Todavia enquanto a maioria apenas especula sobre a glória e o perigo, Regina D'ell Ma...
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Meus neurônios estavam entrando em curto-circuito. Como diabos um simples sonho poderia ditar o meu futuro? Aquilo não era possível, e a única explicação lógica que me vinha à mente é que a equipe de Santa Maria também estava envolvida com a ordem em que Alicia atuava.
Sendo assim, não era difícil imaginar que eles haviam adulterado os alimentos e as bebidas que eu tinha consumido no estabelecimento, somente para provocar aquelas alucinações que me impediram de distinguir o real do imaginário.
Mas independente da alternativa que poderia explicar os eventos recentes. Um fato era certo: nossos destinos estavam entrelaçados de forma irreversível, e cuidar de Amato não era mais uma missão pessoal, e sim parte do meu trabalho.
"Que maravilha. A mulher com a qual tive sonhos ardentes e a única com quem nunca consegui me comportar da maneira correta agora é minha paciente." Pensei, passando os dedos por entre os meus cabelos, e depois respirei fundo. "Eu estou muito ferrado." Gargalhei internamente, aceitando a situação atual de maneira resignada.
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Eu realmente não gostava nem um pouco da ideia de ter que trabalhar com o homem que estava flertando com uma médica que, inicialmente, poderia ser confundida com uma paciente, e que tinha mergulhado em meu passado, como se fosse uma piscina de acesso livre.
Pior ainda era saber que Armando havia literalmente perdido a vida, só para que esse loiro maldito entrasse na GRAC. "O que você tem?" Ideei o encarando de longe, enquanto analisava cada aspecto do mesmo, como se tentasse traduzir a sua alma, pela forma como se vestia e se comportava diante dos outros.
Os cabelos amarelos caíam bagunçados por seu rosto, um sinal sutil de rebeldia. Ele sempre parecia disposto a ajudar e fazer o certo. O que denotava que, apesar da sua vontade de se libertar, ainda preferia se acomodar às leis sociais. Mas em seus pés havia um par de coturnos tão negros quanto ônix, como se fosse um soldado pronto para lutar a guerra dos demônios internos.
"Um homem típico. Um revoltado simplório." Eu concluí, sem grandes expectativas. "Deve ser um novo tolo que vai se sacrificar pelo bem da sua família." Completei bebendo o meu suco, e em seguida seus olhos acharam os meus. Pela primeira vez, ele não negou o contato à distância e ainda ergueu a mão, em um aceno discreto que, eu retribui com um sorriso rígido.