Há uma sociedade por trás de tudo que comanda e modela o mundo para atender aos seus propósitos. Muito fala-se a respeito, porém pouco se sabe para de fato julgar. Todavia enquanto a maioria apenas especula sobre a glória e o perigo, Regina D'ell Ma...
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Não sabia quem era aquela moça. Tudo o que ouvi foi seu nome: Regina, e em seguida senti seus olhos castanhos e penetrantes, ficarem impressos em minha alma.
Ainda bem que disse que era real, porque se fosse um fantasma, acharia que a morte poderia ser bela e isto era perigoso.
Se bem que, mesmo sendo uma humana, esse soturno aspecto aprazível se encaixava perfeitamente a ela. Uma gótica de delineador forte e rosto delicado.
Mas não estava em Santa Maria para ter tais interesses. Pelo jeito que tinha me tratado, abandonando qualquer norma de educação, não havia dúvidas de que era uma paciente.
...
Na hora do almoço, descobri que meu local de trabalho não era diferente da escola, universidade ou qualquer outro círculo social que é formado por "panelinhas".
Na primeira mesa se encontravam os metidos. Na segunda, os arrogantes. Na terça, as patricinhas, e na quarta, havia os veteranos.
Ou devo dizer veterano, porque nesta só tinha um homem calvo e barbudo a devorar seu lanche suculento que, ao me ver, fez menção de se aproximar, sentando-se na cadeira vazia à minha frente.
—Jonas não é? Sou Armando Oliveira, e tenho uma dica para você.
—Sim. Diga.
—Se quiser sobreviver aqui, é melhor não ouvir aqueles que atende.
—Mas se não os ouvir, como poderei ajudá-los?
—Leia os sintomas no prontuário, e evite qualquer contato com esses mentecaptos.
—Os "mentecaptos" ainda são seres humanos, Sr. Armando. Precisam de uma conexão equivalente para melhorar. Se os enfermos se sentirem abandonados, eles apenas pioram.
—Escute o que digo, rapaz. É melhor manter o pé no chão. Deixe que os idiotas dos psicólogos enlouqueçam com esses malucos.
—Ouvir a história deles não me fará adoecer, Sr. Minha mãe teve transtorno de personalidade e dizia ouvir demônios. Mas nem por isso fui afetado por sua condição.
—É bom mesmo que continue assim... Ou será o próximo a escutar os segredos que a parede esconde.
Foram as últimas palavras do sujeito, antes de limpar a boca e se retirar.
Pelo visto, meu grande problema em Santa Maria não seria lidar com deficientes mentais, e sim com loucos que não eram percebidos por fingirem ser normais.
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