Há uma sociedade por trás de tudo que comanda e modela o mundo para atender aos seus propósitos. Muito fala-se a respeito, porém pouco se sabe para de fato julgar. Todavia enquanto a maioria apenas especula sobre a glória e o perigo, Regina D'ell Ma...
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A grande noite havia chegado. Cada coisa que pedi para as 3 mosqueteiras estava devidamente alinhada, e nada poderia me impedir de caçar aquele mauricinho. Por isso me esgueirei por entre a escuridão e me posicionei para vigiar o alvo.
Eu sabia de tudo sobre a rotina do Dr. Lima, e às 19h era horário perfeito para pegá-lo bem na saída e mudar a polaridade dos seus elétrons para eliminá-lo de uma vez por todas. Agora era apenas uma questão de esperar.
Segundo Lisbeth, ele sempre deixava a sala nesse horário. Então, quando passasse pelo jardim, poderia paralisá-lo e pulverizar cada parte do seu corpo, até que parecesse um vampiro na luz do sol. Sendo assim, respirei fundo e aguardei pelo som da maçaneta.
A porta se abriu e, por impulso, me escondi. Não era o Jonas que estava no cômodo, como eu imaginava. Mas sim, as doutoras Ananda Paz e Francine Jade. Duas manifestantes que claramente apoiavam o Neofeminismo.
Uma bandeira que eu detestava, porque parecia tratar dos direitos das mulheres, sob o lema "Meu corpo, minhas regras". Porém, na prática funcionava como "santa do hímen imaculado, ou meretriz do sexo poderoso, o útero é meu".
O que me fazia revirar os olhos, pois o corpo defendido por tal agenda política não era a forma por meio da qual se expressava a liberdade estética, e sim o útero, delineado pelo véu imaculado.
Sabe? Aquela cortina translúcida que, apenas servia para valorizar o feminino como um objeto que era protegido por uma embalagem, até ser aberto por alguém que, poderia fazer desse projeto de pessoa:
Uma serva útil que cuida dos afazeres domésticos, do marido e dos filhos, ou desvalorizá-la, tornando-a apenas a perdida que não manteve seu selo de garantia, e portanto, devia ser exilada da sociedade ou punida pelo ato de escolher ser mulher e não menina.
Mas as defensoras não viam assim. Na cabeça delas, o véu era poder, o véu era proteção, o véu era validação, e quando alguém ousava mostrar que a objetificação não começava quando a película era tirada, e sim quando o lençol era colocado como força feminina, o ataque sempre vinha.
Para piorar, esta batalha contra a mortalha apodrecida que chamavam de pureza não era algo atual. Desde que me entendia por gente, poderes ocultos e inomináveis ousavam tentar definir a minha essência, por meio do tecido de carne que condena vidas, e eu estava exausta de ter que lidar com esse monstro disforme.
Desculpe. Acho que acabei divagando. Isso sempre acontece quando tenho que lidar com esses movimentos de falsa libertação... Enfim.
As médicas discutiam sobre um determinado assunto, e algo me dizia que era importante escutar. Por este motivo, tive de me aproximar para ouvir melhor, e quando cheguei o mais perto que podia, senti a presença de outra pessoa junto a mim.