PARTE 11

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Fazia 2 dias desde que tinha desligado o celular na cara do meu protetor, e havia tido a brilhante ideia de tentar expulsar um médico de Santa Maria, só porque o nosso santo e anjo caído não se batiam

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Fazia 2 dias desde que tinha desligado o celular na cara do meu protetor, e havia tido a brilhante ideia de tentar expulsar um médico de Santa Maria, só porque o nosso santo e anjo caído não se batiam.

Balthazar não me dava notícias. Talvez tivesse ficado frustrado por ter dito que ele não era um Deus de fato. Mas o magnata precisava entender que havia passado dos limites.

Eu tinha derramado o sangue de quem não fez nada, e só escolheu se sacrificar pelo bem das suas famílias. Aquilo não me parecia certo ou justo.

...

Eu sei. Eu sei...Tal coisa soava irônica quando saía dos lábios de uma assassina que tinha prazer em rasgar a carne dos seus alvos.

Contudo o fato é que, desde que havia ingressado na magia, e manifestado os meus dons sobrenaturais, eu tinha uma regra:

Nunca ferir alguém sem uma razão plausível que, poderia ser baseada em retribuição, sobrevivência, ou a necessidade de proteger algo significativo.

Todavia, esta não era uma questão moral ou qualquer baboseira ligada ao "ingresso para o paraíso", e sim um mecanismo de defesa que me ajudava a burlar o karma que sempre perseguia os tolos porque estes não sabiam como canalizar seus ímpetos mais sombrios em causas menos prejudiciais ao resto do mundo.

Quer dizer os ignorantes atacavam a qualquer ser vivo sem distinção, e depois é claro se sentiam mal, de tal modo que, a sua manifestação de culpa se voltava contra eles na forma de eventos hostis, ligados aos seus
próprios poderes internos.

Isto significava que o karma não era místico, e sim sobre ter ou não consciência do que se pratica. Por este mote, psicopatas não eram afetados, mas quem tinha o mínimo de senso ético sempre acabava em maus lençóis, e para o meu azar eu era do segundo tipo.

Não que fosse boa a ponto de perdoar estupradores, oferecendo-lhes uma segunda chance e reparação para que pudessem falhar e machucar os que não conseguiam se defender, ou odiasse ferir aqueles que torturam e destroem em troca de diversão.

Isso seria ilusório até demais. Porém, algo em mim era totalmente contra a agredir aqueles que não mereciam certas penalizações, e só gostava de executar alguém, quando havia indícios de que o sujeito em questão era uma ameaça maior do que eu.

Então em vez de sair atirando raios eletromagnéticos para todas as direções, sempre preferia usar minhas capacidades em casos restritos, nos quais precisava sobreviver, me resguardar ou ajudar alguém com quem me importava.

Sendo assim, eliminar boas pessoas, não só era inaceitável, como também uma sabotagem da minha poderosa técnica anticulpa.

...

Os fatos assombravam a minha mente, como feras famintas à espreita que já colocavam as garras de fora, para me destruir com o peso da responsabilidade por ter cometido atos tão cruéis.

Soturna-2026Histórias para pegar e não largar. Descubra agora