Capítulo 4

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Atlas

🏈

Ver a placa anunciando que eu finalmente tinha chegado a St. Louis não tinha sido do mesmo modo que eu tinha pensado que seria. Uma sensação ruim se alastrou por todo o meu corpo, quase como se algo fosse acontecer e...Acho que eu não estava preparado para isso

Desço do carro vendo a casa que nós tínhamos deixado para trás e expiro batendo a porta do táxi. Pego a única mala que trouxe e olho a rua vazia, prendo os olhos no outro lado mas não é como se eu pudesse ver a casa deles, ainda estava distante demais

Apertando a alça da mala suspiro e entro dentro da casa, o cheiro de algo a muito tempo guardado me recebe e eu coço o nariz afastando para o lado a sensação sufocante de estar sozinho demais. Um arrepio ruim percorre meu corpo e eu antes que pense muito nisso saio de novo largando a mala lá dentro

- Porra - rosno massageando a testa e enfio as mãos nos bolsos caminhando até a parte da frente

Fecho os olhos com força e sentindo todos os meus músculos se contraírem me viro vendo três crianças virem pela outra calçada. Dois meninos discutem quase empurrando um ao outro, mas é a menina atrás que me chama a atenção, seus cabelos longos e negros voando em direção ao vento, olho para sua expressão e vejo o seu lábio inferior contraído

Que merda é essa?

- Estou ficando com dor de cabeça - ela grita e eu dou um passo a frente sentindo minhas pernas fraquejarem

- Só porque você é chata - o que está empurrando diz e ela lhe mostra a língua antes de passar na frente dos dois, seu queixo empinado

Inclino a cabeça vendo os três passarem e pisco confuso. Porque aquela menininha parecia com ela?

Eu estava tão ferrado assim da cabeça?

- Santini? - me viro vendo uma senhora de turbante caminhar lentamente em minha direção, seus passos cautelosos quase como se estivesse com medo de mim

- Sra. Prout

- Oh meu deus - parando ela coloca a mão no coração e eu desvio o olhar. Esse encontro não me faria nada bem - Faz anos que eu não o vejo, como você está?

- Estou bem

- Que bom querido - se aproximando ela sorri e estende a mão tocando em meu rosto - Pensei que eu estivesse vendo uma miragem, mas aí você ficou olhando abismado a filha de Leonard e aí tive certeza que era você

Me afasto tomando espaço e pisco voltando cada palavra sua até que se encaixasse em minha cabeça

- O que disse?

- Disse que eu pensava..

- Não - eu falo e ela pisca assustada - Sobre Leo

- Oh deus, eu esqueci - A sra. Prout ri e esfrega a testa - Esqueci que você nunca a viu. Aquela é Maya, a filha de Leonard

Sentindo meu coração se contorcer olho para a rua onde a menininha passou e praguejo. Então era por isso que ela era tão parecida. Pigarreio e me viro para a minha antiga babá

- Então ele está bem, está feliz

- Tenho certeza que Leonard está feliz, seja onde for - ela sorri e vejo o pesar se abater sobre sua expressão, franzo a testa e me aproximo dela

- O que quer dizer? Onde ele está?

A sra. Prout me encara desconfiada e inclina a cabeça, seu turbante roxo não mais me puxando a atenção

ENDZONE: Sem RegrasOnde histórias criam vida. Descubra agora