Capítulo 7

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Julia

🏈

Olho de novo para o homem à minha frente e estreito os olhos. Ele era um cara bonito, tinha certeza que em sua juventude ele chamava atenção por onde passava. Seus cabelos escuros, olhos pretos e sorriso bonito. Ele com certeza se deu muito bem na época da escola, mas pelo visto escolheu a pessoa errada no fim

- Essas foram as fotos que eu consegui - ele fala, suas mãos trêmulas empurrando as imagens para mim. Faço uma careta interna quando vejo sua esposa em uma posição comprometedora com o seu tutor de natação.

Jesus

- Sinto muito - falo baixinho e ele desvia o olhar assentindo

- Eu só quero que isso acabe, a Gizelia e Flora não precisam passar por isso - ele fala rapidamente e eu aceno assentindo. Mas minhas mãos hesitam no teclado, então me viro de novo

- Que tirar a guarda delas?

- Não - pisco com sua voz e meus ombros caem aliviados - Quero ficar com elas na maior parte do tempo, mas guarda compartilhada está bom

- Os bens?

- Estou disposto a apenas aceitar, sem precisar ir para o tribunal

Estreito os olhos e me inclino sobre a mesa, giro a caneta em minha mão e ele olha para lá

- Então porque quer um advogado? Poderia ter resolvido isso tudo entre vocês dois

- Estou com medo que ela tire as meninas de mim

- E porque ela faria isso?

- Porque ela sabe que as meninas são o meu ponto fraco, eu ganho dinheiro a todo instante, isso não vai me fazer falta

Aceno de novo e imprimo a folha com o meu contrato, ele rapidamente assina sem nem mesmo olhar e eu sorrio olhando para a tela do meu computador

- Me surpreende que tenha vindo até mim - falo e ele pisca empurrando as folhas de volta

- Você age em torno da família, tem uma filha. Achei que poderia me ajudar

Ignoro o aperto em meu peito e termino com a burocracia prometendo ligar no outro dia para atualizá-lo. Suspiro baixinho quando o vejo sair da minha sala e fecho os olhos esfregando-os com força

Mais um divórcio, mais uma separação. Isso era enlouquecedor

- Uma dose de uísque? - Alex fala do outro lado da porta, bufo e solto um gemido

- Uma dose de veneno, por gentileza

- Não sei preparar veneno, vou olhar no youtube - ele responde e se afasta, sorrio cansada e tomo dois goles de água antes de resolver me preparar para o longo dia que eu teria pela frente

Só torcia para que fosse um pouco mais calmo a partir de agora

🏈

- Maya se cortou um pouco, mas...

- Ela se machucou? - grito pulando da cadeira - Como ela está? Onde ela está?

- Ela está bem srta. Laurent, ela caiu na quadra e machucou o joelho, mas nada que a equipe daqui da escola não pudesse resolver - a diretora responde, sua voz tranquila geralmente me tranquilizava, mas dessa vez? Apenas me irritava pra caralho

- Estou indo aí - falo e desligo irritada

Cato minha bolsa e meu celular e saio gritando algo incompreensível para Alex que pisca atordoado. Mas dane-se, eu lhe explicaria depois. Corro até a escola tentando não vomitar meu café da manhã nos meus saltos e paro ofegante arrancando os sapatos e correndo o restante

Foi uma péssima ideia colocar meu carro na revisão em pleno dia da semana. Escorrego na entrada do colégio e calço os saltos enquanto empurro o portão pesado, os vigias me olham assustados mas eu apenas bufo em sua direção antes de ir até a enfermaria. Entro derrapando na sala gelada e suspiro quando vejo Maya sentada de cabeça abaixada balançando as perninhas

- Abelhinha?

- Titia! - pulando da mesa ela corre e engloba minhas pernas com força, me abaixo em sua altura e escaneio seu corpo em busca de mais machucados que aquele arranhão na perna

- Você está bem?

- Estou, foi só um menino que me empurrou

Faço uma careta interna e aceno assentindo e a empurrando para a cadeira, ela se senta olhando de mim para a diretora e eu arqueio uma sobrancelha fazendo com que a mulher de coque apertado pigarreei

- Foi só um mal entendido

- Essa é a terceira vez que esse menino faz algo que a irrita ou a machuca - falo calmamente - Da primeira vez eu relevei, são crianças afinal. Na segunda eu marquei seu rostinho junto com o rosto dos pais arrogantes, e agora...

- Eu irei conversar com ele e...

- O que ele fez dessa vez Maya? - pergunto interrompendo e minha sobrinha pisca

- Ele estava empurrando bem rápido o Vitor e ele estava pedindo para parar e quando ele começou a chorar aí eu fui lá e entrei na frente assim - ela demonstra com seus braços e eu observo - Só que ele me empurrou

- Você tentou chamar a professora?

- Sim, só que ela disse que eles estavam bin...Brique - ela suspira e eu pego sua mãozinha quente

- Brincando - ajudo e ela assentiu rapidamente. Inclino a cabeça para a diretora e vejo seu cenho franzido - Quem é Vitor?

- Ele é cadeirante, mas...

- Ah, então estamos falando de bullying? - pergunto fingindo surpresa - Pensei que a escola tivesse uma política bem rígida sobre esse tipo de comportamento

- E temos srta. Laurent

- Não é o que parece - respondo e pego Maya no colo tomando cuidado de não machucar seu joelho - E tenho certeza que os pais de Vitor concordariam comigo. Passar bem diretora

Saio sem ouvir sua resposta e escuto a risadinha de Maya em meu pescoço, finjo lhe fazer cosquinha e ela ri mais

- Não pode rir sua maluquinha

- A diretora ficou com medo de você

- Eu sou um doce - falo beijando seu pescoço e ela se contorce nos meus braços, paro de supetão quando bato em alguém e levanto o olhar dando um sorriso de desculpas. Mas então o sorriso morre - Oh

Atlas pisca confuso olhando de mim para Maya e franze a testa, gotas de suor escorrem de sua testa e eu desvio o olhar

- Está tudo bem? Vi você correndo

- Estou bem - falo e balanço a cabeça me corrigindo - Estamos bem, apenas uma pequena lesão

- Olha, o curativo é da Barbie - Maya levanta a perna e Atlas olha para onde ela está apontando

- Eu vejo, você está bem pequena? - ele pergunta parecendo realmente preocupado

- Sim, a titia veio e me salvou fazendo uma expressão assim - ela coloca o lábio inferior para frente e cruza os braços franzindo a testa. Me impeço de sorrir e reviro os olhos

- Ok, abelhinha dramática na área - falo e olho para Atlas - Então, já vamos indo. Mas obrigada por checar

Me viro indo embora e escuto meu nome sair da sua boca de modo sussurrante, quase como se estivesse hesitando, paro e me viro vendo-o abrir e fechar a boca. Um sorriso triste aparece em meu rosto e eu encolho um ombro vendo o grande cara se contorcer

- Não é tão fácil é? - pergunto e ele engole em seco

- Antes era, com você costumava ser

Engulo o choro e me impedindo de me virar e correr para dentro dos seus braços eu simplesmente me viro e vou embora sentindo a todo instante seu olhar queimar em mim

ENDZONE: Sem RegrasOnde histórias criam vida. Descubra agora