Júlia
🏈
- Aí ela vai nos mostrar como é um sapo, como ele pula - Maya conclui e eu pisco os olhos fingindo não estar enjoada
- Legal - falo e pigarreio movendo os livros dela para o lado - Mas não acho que eu conseguirei achar um sapo abelhinha, que tal um animal menos...- ela olha para mim esperando e eu abano a mão - Menos molhado?
- Sapo não são molhados, é muco
Que menina mais inteligente. Eu sinceramente deveria estar orgulhosa, mas nesse momento eu só estava tentando ajudá-la a terminar o dever de casa sem vomitar no seu caderno da princesa Merida
- Por favor tia, preciso do sapo - ela afirma piscando os olhos e eu mordo o lado interno da bochecha
- Tá, eu vou ver o que eu posso fazer
- Hoje? - ela pergunta e eu me encolho na cadeira
- Isso é para amanhã?
- Sim, todo mundo vai levar um animalzinho e uma pesquisa - olho para Maya e me inclino suspirando e ajeitando seus cabelos para que continuem no rabo de cavalo. Deus, o cabelo dela era mais selvagem que o meu
- Ok, agora sobe e vai tomar banho, está fedendo
- Eu não fico fedendo - ela diz arregalando os olhos, bufo e ela me lança um olhar feio - Tia eu não tô fedendo
- Está sim, tipo meia suja
- Eca - ela grita mas para quando escuta a campainha soar - Eu atendo - ela derrapa no piso e eu suspiro me levantando e a seguindo até a porta
Paro na metade quando vejo Atlas e dou risada quando vejo Maya levantando os dois braços para cima
- Estou fedendo? - ela pergunta e Atlas pisca e olha para mim confuso, encolho os ombros sem poder ajudá-lo e ele pigarreia
- Não
- Você nem cheirou - ela aponta e ele bufa se inclinando e inspirando bem forte fazendo-a rir alto. Atlas sorri se abaixando e aperta a ponta do seu nariz
- Está cheirando a rosas
- Rosas? - ela pergunta com uma careta - São fedorentas
Atlas se inclina me olhando e sua sobrancelha se arqueia, desvio o olhar e finjo ver um defeito na pintura da parede
- Rosas são cheirosas Maya
- Titia diz que as rosas são para quem já morreu e que nunca iria...
- OK - grito batendo palmas e ela se vira rindo - Para o banho abelhinha fofoqueira
Maya suspira como alguém adulto e sai com os ombros encolhidos e a expressão de alguém que está indo para a guerra, balanço a cabeça e só quando não escuto seus resmungos baixos é que eu me viro somente para bater de frente com o peito de Atlas
- Uau, o que... - suspiro surpresa quando sua boca bate na minha, mas aceito depois de alguns segundos. Sorrio quando ele morde o meu lábio inferior e inclino a cabeça para trás encontrando seus olhos - Bela forma de dizer "oi"
- É, eu também achei legal
Sorrio de novo e afasto uma mecha do seu cabelo para trás, vejo sua testa franzida e estreito os olhos
- O que houve?
- Como assim?
- Esse vinco aqui não é nada - toco no ponto entre suas sobrancelhas e ele pega minha mão acariciando a palma em círculos lentos. Vendo que ele não vai me responder dou um passo para mais perto - Atlassss
- É só uma entrevista, de novo - ele fala e eu pisco
- Entrevista? Pensei que não desse entrevistas
- E geralmente não dou, mas como estou pensando em... - ele hesita e eu aceno fracamente ajeitando os botões de sua camisa
- Acho que devemos conversar sobre isso
- Sobre a entrevista?
- Sobre desistir - corrijo e ele abre a boca, com certeza para discutir, mas meu pai se aproxima da porta nos interrompendo. Me afasto impondo uma distância e vejo Atlas franzir a testa olhando para seu peito e para mim - Oi pai
- Oi querida - ele fala animado e eu sorrio - Santini, como estamos?
- Bem senhor
- Ótimo, porque eu tenho uma proposta para você
Olho para os dois e vejo Atlas encarar meu pai
- Estou escutando
- Abriram o campo de beisebol, achei que poderíamos ir junto com uns colegas meu, eles estão querendo te conhecer - vejo Atlas coçar sua barba enquanto hesita em responder
Ouvindo sua pergunta me encosto na parede e olho para Danton
- Quantas pessoas pai?
- Que eu conheço? Apenas três, o resto a gente ignora - ele responde eu dou risada, Atlas sorri e assente
- Tudo bem então, hoje?
- Agora mesmo - meu pai diz e passa por nós - Só preciso pegar umas coisas - ele sobe correndo a escada e eu suspiro tranquila, era raro esses momentos de pura animação, e eu apreciava todos. Desvio o olhar e sorrio para Atlas que devolve se encostando do outro lado da parede
Era quase possível ler seus pensamentos através do olhar que ele estava me dando, um arrepio bom percorre meu corpo e ele desce o olhar para a minha boca e então para o meu pescoço. Mordo o lábio inferior e deslizo para mais longe quando meu pai volta
- Agora preste atenção querida, um rapaz vai... - Danton continua mas não consigo escutá-lo, é quase como se Atlas estivesse empurrando a sua voz para baixo, ocultando tudo à nossa volta. Ele pisca parecendo tão perdido quanto eu
Então era isso a que ele estava se referindo? Sobre o puxar?
Porque eu com certeza estava sentindo isso
- Entendeu? - pisco quando a voz do meu pai se aproxima e abro um sorriso enorme
- Tem como explicar de novo? É que eu estava pensando que devia prestar atenção e acabei não prestando atenção porque estava pensando em prestar atenção
Meu pai ri e Atlas balança a cabeça
- Deve existir alguma explicação de porque você é assim - ele comenta fingindo seriedade e eu dou risada enquanto empurro os dois para fora de casa
- Vão lá e se divirtam
- Mas e o rapaz? - Danton pergunta e eu suspiro
- Que rapaz é esse?
- Ele trabalha na administração, entregue os papéis em cima da mesa e diga que irei passar amanhã no escritório dele
- Tudo bem - falo tranquilizando-o e ele sorri se virando e beijando minha bochecha antes de ir em direção ao carro. Me viro para Atlas e ele sorri batendo o dedo em minha bochecha
- Posso lhe dar um beijo também?
Pisco maliciosa, mas paro quando um pensamento me ocorre
- Depende, você vai pegar um sapo para mim? - Atlas pisca assustado e dá um passo atrás
- Sapo?
- Sim, é para um projeto de Maya
- Um sapo? - ele repete e eu aceno afirmando. Ele me olha, com certeza cogitando se eu não estou brincando. Vendo meu olhar ele suspira e assente - Ok, um sapo
- Traga em uma caixa em que eu não precise nem olhar para ele
Atlas sorri divertido e se inclina beijando minha testa e seguindo meu pai. Inspiro e expiro me sentindo mais leve e olho para o céu vendo a cor clara e quase rosa do pôr do sol. Sorrio ainda mais com isso
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ENDZONE: Sem Regras
RomanceExiste um problema com pactos e com regras: Elas podem ser desfeitas e quebradas, e de um dia para outro tudo pode se reconstruir e se transformar em algo totalmente diferente.... E assustador. Desde o começo existia Leo e Julia, irmãos e melhores a...
