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Vegas

Voltar foi como abrir uma ferida que nunca cicatrizou direito.

A cidade parecia igual, mas tudo estava diferente. Ou talvez fosse só eu. Porque agora, eu sabia o que era amar alguém a ponto de abrir mão da própria presença.

O ar daqui tem um gosto estranho... entre o salgado do passado e o amargo da culpa.
Assim que o avião pousou, minha primeira vontade foi correr e ver se a janela aberta, a cortina voando com o vento, Grey enroscado na almofada preferida e ele, ver ele e seu sorriso, seus olhos, seus cabelos como tudo estava antes de eu partir.

Gente poderosa caiu, é verdade mas também caí junto. Perdi a paz, perdi o sono. E quase perdi ele. A diretoria foi desmantelada, os filhos do diretor condenados. Mas isso não virou notícia. O sistema engoliu os nomes e apagou as provas. Foram meses olhando por cima do ombro, me escondendo em hotéis baratos e relatórios falsos.

Mas eu só sabia de uma coisa

O garoto que me fez sentir outra vez... ainda estava ali. Ou, pelo menos, eu esperava que estivesse.

Passei em frente à escola. Pintaram o portão. Mudaram o uniforme. Mas não mudaram o ar. Aquela sensação de que algo ainda latejava ali dentro. Fiquei parado do outro lado da rua por tempo demais. E se ele tivesse me esquecido? E se me odiasse por não ter mandado uma carta, uma mensagem, qualquer coisa?
Mas o silêncio era parte da proteção. Eu precisava sumir para ele viver.

Ando em direção a unidade de polícia mais perto e encontro Kinn, eu e ele estava a frente da missão, vim para Bangkok para investigar e solucionar o caso de uma das maiores máfias e tráfico de crianças da região, quando cheguei descobri que iria entrar como professor na escola e investigar o diretor, o líder da máfia. Sempre acreditei que iria conseguir solucionar o caso sem esforço algum. Mas, no meio do caminho me distrai, perdi o foco na missão e me deixei levar.

Na primeira vez que vi aqueles olhos, os olhos que sempre se esforçavam demais para não se encontrar com os meus.
Aquele sorriso, que sempre me pareceu tímido demais para o tanto de mundo que cabia nele, eu soube.
Que, mesmo com o olhar desviado e o sorriso contido... Pete sempre gritou pra mim. E eu, que sempre fui cheio de segredos,
que sempre me escondi atrás de silêncio, de muros, de máscaras... Eu me vi querendo ser visto.

Por ele.

- Vegas?! - ele arregalou os olhos como se visse um fantasma.

- Oi, Kinn... - tento sorrir. - Eu voltei.
Ele levantou rápido, me deu um abraço apertado demais pra alguém que dizia que não gostava de mim no começo.

- Que porra, você sumiu! A gente achou que você tinha... - ele parou.

- Morrido? - brinquei sem graça.

- Fugido. Mas... - ele me olhou nos olhos - você tá diferente...

Assenti. Eu sei que estou. A ausência fez isso comigo. Com o tempo, você para de correr e começa a se ouvir. E a minha voz só dizia o nome dele.

- O Pete... Ele está bem?

- Ele sofreu muito quando você partiu Vegas. Ele estava deprimido, sofrendo, e sem vontade alguma de continuar. - Fecho os olhos imaginando meu Pete sofrendo e eu não estando ao seu lado para confortar e ficar com ele aos meus braços até todas as suas dores sumirem - mais acredito que de uns tempos para ca ele tenha melhorado, já que viajou

- Hm... para onde ele foi? - respiro fundo. Sengurando a vontade de correr e encontra-lo

- Não sei ao certo, lembro de Porsche ter falado sobre a cidade natal de Pete. - Forço um sorriso. Eu no começo não gostava de Porsche, mas, no fundo, eu sempre soube o bem que ele faz a Pete.

Teacher - VegasPeteHistórias para pegar e não largar. Descubra agora