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Beverly observa tudo ao seu redor com muita curiosidade, a cabana da senhora Morgan era bem maior por dentro do que ela imaginava. Penduradas pelas paredes haviam plantas de todos os tipos e cheiros, uma estante ao lado direito da sala era repleta de livros de todos as formas e tamanhos. Se aproximando ela pôde ver que a maioria deles estavam escritos em latim.

- Vai poder ler todos eles quando quiser. - Ela levou um pequeno susto ao ver a senhora atravessar a casa sem olhá-la com uma bacia em mãos.

- Eu não sei ler latim. - Beverly diz agora a seguindo enquanto afastava uma cortina repleta de pedrinhas brilhantes que dividia a sala do cômodo que ela deduziu ser a cozinha.

- Ah. - A senhora pareceu surpresa e parou por alguns segundos com os dedos no queixo enquanto parecia pensar em alguma coisa. - Acho que tenho a solução. Aprender como qualquer pessoa normal vai levar muito tempo, e você é poderosa demais, tem muitas coisas sérias para aprender do que ler latim.

A mulher revirava algumas gavetas procurando por qualquer coisa que a jovem não fazia ideia do que se tratava.

Cruzando os braços a morena apenas esperou analisando tudo que a mais velha fazia, desde pegar algumas ervas e líquidos em frascos, a juntar tudo em uma tigela que era levada ao fogo enquanto ela proferia palavras em latim.

- Tudo bem, agora tome, apenas um gole. - A senhorinha parou em sua frente lhe estendendo uma concha com o líquido escuro em suas mãos. Beverly descruzou os braços e se desencostou da bancada olhando da concha para Morgan que sorria gentil para ela.

- Não me parece muito bom. - Ela disse ainda receosa em tomar a poção. Mas se rendeu no fim notando que a senhora continuava do mesmo modo. Oras, se seu pai confiava na velha senhora era por que ela era uma boa pessoa, não iria lhe fazer mal algum. Revirando os olhos ela tomou o líquido amargo em uma só golada. - E então?

Ela questionou não notando nada de diferente além do amargor em sua boca. Mas foi surpreendida quando a senhora de cabelos brancos agarrou um punhado de pó escuro de um dos vários potes na mesa e os jogou em seus olhos sem ao menos avisá-la. Na mesma hora ela sentiu eles ardêrem, era como se Morgan tivesse jogado álcool em seus olhos.

- Venha querida, logo o ardor passa. - A senhora baixinha agarrou seu braço a conduzindo até a estante de livros, alcançando um e abrindo na frente da garota. - Vê?

Beverly quis gritar dizendo que não conseguia mais enxergar graças a ela, mas ao esfregar mais uma vez as mãos nas órbitas castanhas ela pode sentir o alívio se fazendo presente de imediato, e logo sua visão voltando ao normal aos poucos, mas o que a surpreendeu foi o momento exato em que as palavras começaram a se mover diante de seus olhos se tornando, cada uma delas, legíveis.

- Plantas medicinais poderosas. - Ela lê em voz alta o título do livro. - Eu também vou fazer poções como a senhora?

A pergunta fez a mais velha soltar uma risadinha contida.

- Ah não, nós duas não somos o mesmo tipo de bruxas. - Ela respondeu balançando o indicador na direção da garota. - Eu sou praticante da magia. Você é muito mais poderosa, a magia corre em suas veias, meu bem. Não sabe quantas coisas fantásticas pode fazer.

- Eu ainda não posso acreditar que sou uma bruxa. - Ela solta um sorriso inacreditado.

- Deveria acreditar. Em um mundo de transformos e vampiros, ser uma bruxa sagrada é uma dádiva. Agora chega de enrolação, vamos para o que interessa de verdade, seus dons.

- Tenho mesmo dons, mas de que tipo? - Ela pergunta.

- Isso só veremos quando terminarmos de ativa-los. Mas eu já tenho ideia de quais podem ser. - A senhora voltou a falar com sigo mesma como sempre fazia e Beverly daquela vez resolveu apenas prestar atenção sem interromper.

Passaram a tarde inteira tentando trazer os dons de Beverly por completo, ela não queria admitir, mas aquilo tinha a deixado exausta.

- Bom vamos lá. Está pronta? - Ela apenas concorda, aquela era a finalização dos feitiços, e ela tinha que admitir que sentiu um frio na barriga quando a mais velha começou a murmurar em latim. - Da animam, et sacrum munus libenter suscipe.

Dessa vez Beverly entendeu o que a senhora dizia, para que ela desse a alma e aceitasse de bom grado o presente sagrado. As palavras foram ditas no mesmo momento em que a palma de sua mão foi cortada e seu sangue pingado em um pequeno cristal roxo em cima da mesa.

De repente uma luz da mesma cor a cegou por alguns segundos juntamente de um tremor e ventania dentro da pequena sala, e do mesmo modo que todo o pequeno caos começou ele se foi, deixando para trás um silêncio profundo.

- Deu certo? - Ela pergunta não sentindo nada de diferente.

- Agora é só esperarmos, os dons costumam surgir em momentos de grandes emoções.

- É só isso? - Ela não podia acreditar que depois de toda aquelas horas que gastaram, ainda teriam que esperar.

- Os dons são características naturais querida, eles virão quando você estiver em momentos de mais intensidade. - A mulher diz pendurando o cristal roxo, que agora era envolvido por uma corrente, em seu pescoço. - Ele te protegerá dos grandes males. Não que você precise, sendo uma bruxa transforma.

A mais velha sorri para ela afagando seus cabelos, e pela primeira vez Beverly retribui.

- Mas não pense que vai se livrar de mim tão fácil mocinha, ainda teremos muito o que treinar quando seus dons aparecerem. Mas por hoje está liberada.

- Obrigada senhora Morgan. - Ela sorri agradecida a tudo que a senhorinha estava fazendo por ela.

                       ❍❍❍❖❍❍❍

A caminho de casa a morena sentiu o celular vibrar no bolso da calça, e ao pegar e ver quem era, tudo que ela pôde fazer foi suspirar cansada. Era Bella, a menina já havia ligado algumas vezes e mandado várias mensagens, sendo todas elas ignoradas pela mais velha. Não que ela estivesse se vingando por todas as vezes que Isabella havia a ignorado, mas Beverly tinha sido aconselhada por Sam a evitar a Swan. Ela não podia arriscar estar com Bella quando algum Cullen estivesse por perto, ela não ia conseguir se controlar, mesmo sabendo que Edward e sua família não estavam mais em Forks, era arriscado também colocar a garota em perigo, Beverly nem mesmo estava cem por cento treinada para controlar os ataques de raiva.

Bom, ela era sim a transforma mais controlada que Sam já havia visto, até mais que ele quando estava no início da transformação, mas isso não queria dizer que ela não pudesse por tudo a perder quando estivesse em um alto nível de irritação. No início os lobos eram muito estáveis e a melhor solução era mantê-los afastados de pessoas inocentes, com o tempo, Beverly iria se acostumando e aprendendo a controlar as emoções, assim como os outros da matilha. Bom, quase todos, já que Paul entre eles era o que tinha mais dificuldade em controlar a raiva, no começo Beverly estranhava o comportamento do rapaz, mas quando descobriu os motivos pelo qual ele tinha aquelas atitudes, ela só pôde querer protegê-lo do homem estúpido que vivia junto ao garoto.

Para Beverly o Sr. Lahote não passava de uma escória para sociedade, aquele velho bêbado não fazia nada além de ser um tormento na vida do próprio filho, a garota não gostava nem de lembrar de quando descobriu as coisas horríveis que aquele estúpido fazia com o garoto, ela só não entendia o porque de Paul nunca ter se vingado de todas as surras que havia levado nos períodos antes da transformação, mas ela entendia que se o garoto tentasse algo o homem não sairia nada bem. As vezes ser um transformo ia além de ter muito auto controle, ser um transformo exigia ter maturidade,  responsabilidade e sabedoria, sem isso você poderia acabar fazendo coisas graves.

Suspirando ela resolveu afastar os pensamentos quando recusava mais uma ligação da amiga, tudo que ela queria naquele momento era se jogar na cama e só acordar no dia seguinte, estava exausta.

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É isso galera, eu sei que demorei para postar rsrs, mas em compensação vou postar mais um cap pra vocês hoje.

E para quem tem curiosidade em saber sobre a aparência da senhora Morgan, eu imagino ela sendo a nossa eterna Mags de jogos vorazes.

Desculpe qualquer erro.
Beijinhos 💋

Midnight Sun - Twilight (Em Pausa)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora