O final de semana de Louis estava tão calmo e ao mesmo tempo tão cheio que ele mal conseguia entender exatamente as proporções que tudo aquilo estava tomando em sua vida. Era como se o medo da segunda-feira se tornasse cada vez mais real por justamente tornar as coisas reais de fato. Aquela realidade que ele estava vivendo com Styles entre quatro paredes, pra ele, era bom demais para ser verdade, era como um sonho e ele não estava pronto — e nem muito menos queria — acordar. Aquele domingo de almoço com Eleanor, por outro lado, transformava sua mente de maneira a fazer com que ele, ao cruzar a porta daquele apartamento, soubesse que estava partindo para outra realidade, onde não existia sua nova vida com Harry, tudo se resumia ao agente Louis Tomlinson, o Comandante, o Chefe do departamento de Crimes Cibernéticos da Scotland Yard, e esse tinha pouco ou nada em comum com o Louis, que passou o sábado transando com um prisioneiro condenado e assistindo filmes clássicos na sala de seu apartamento.
Sua vida demorava a fazer sentido, a encaixar, especialmente para um homem como Louis, onde tudo relacionado a emoção era sempre muito mais complicado. Ele tomou café da manhã com Harry que, apesar de não ter gostado da ideia de Louis ir encontrar sua ex-noiva, não o impediu, não achou mesmo que estaria em suas mãos e também não trataria — mesmo que pudesse — Louis como criança.
Harry tinha A Revolução dos Bichos em mãos, livro famoso de George Orwell, estava sentado no sofá concentrado, realmente prestando atenção nas palavras que lia. Lembrava-se que precisava ter lido aquele livro na escola, mas nunca o fez. Sempre leu resenhas na internet apenas para poder discutir a respeito na aula, quando raramente dava uma opinião. Estava gostando tanto que pensava até que se arrependia de ter demorado tanto para ler.
O cheiro de perfume Kouros na versão masculina de Yves Saint Laurent, surgiu tirando Harry de sua total concentração. Louis parecia mais alto visto de onde estava, mas Harry não estava pensando muito naquilo. Esparramado no sofá, pôs o livro entre as pernas e apenas observou Tomlinson despreocupado no meio da sala, colocando o relógio de pulso e falando coisas que Styles não estava prestando a menor atenção.
O agente vestia jeans preto, mais apertado do que geralmente usaria, um suéter cinza, cachecol do mesmo tom e, por cima de tudo isso, um sobretudo preto de couro, para protegê-lo do frio vento londrino, que certamente estava soprando aquela hora.
— É sério isso? — Harry perguntou dando uma bela olhada no agente. Apesar de ter adorado a visão, não estava gostando que aquilo tudo era para Eleanor.
Louis franziu o cenho e checou o cabelo novamente pelo vidro da mesa de centro que tinha na sala. Não entendeu bem a colocação, apenas imaginou que talvez estivesse exagerado. Seu sapatos pretos impecáveis eram da Moschino. O agente estendeu os braços olhando para si mesmo, como se procurasse algo errado.
— O que foi? — Ele perguntou sem entender a surpresa do outro.
— Você não acha que está bonito demais não? — Harry disse mantendo o olhar e o cenho franzido. — Pra quê esse sapato? E esse perfume? E esse relógio? É um encontro por acaso?
— Não. — Louis quase riu do quão absurdo aquilo lhe soava. — Você sabe que não. — Ele reforçou sentando-se ao lado de Harry, tirando os pés dele de cima do sofá e colocando sobre seu colo. — Só não vou sair de casa de qualquer jeito. Você sabe o que eu faço da vida, sabe que só tenho roupas assim. — Tomlinson concluiu soando óbvio até demais e, por mais que Harry soubesse de tudo aquilo, nada o faria sentir menos ciúmes.
— Tudo bem, desculpe. — Styles disse num tom de voz quase inaudível, olhando para as mãos de Louis sobre seus pés com meias brancas. — Acho que entende porque me sinto assim.
— Na verdade não entendo não. — O agente rebateu. — Sabe como eu sou Harry, não sou homem de ter casos por aí... Eu nem sei como as pessoas conseguem manter relacionamentos superficiais, isso dá muito trabalho. — Tomlinson fazia uma análise puramente racional, como de costume, e Harry realmente pensou que aquilo era bem verdade. Louis já era difícil no quesito entregar-se num relacionamento, quando mais em mais de um. E ao mesmo tempo. — É só um almoço. Não estou negando que pode ser mesmo que ela pense em reatar, mas isso pra mim está fora de cogitação.
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Digital Sand
Fiksi PenggemarONE DIRECTION - Alternative Universe; Slash; Pairing: Larry [Louis/Harry] / Menções de Ziam [Zayn/Liam] Louis é um competente agente da Scotland Yard que ganhou sua promoção em cima de pegar um famoso hacker inglês que se encontrava agora atrás das...
