8° Capítulo

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"Eu sou um museu cheio de quadros, mas você estava de olhos fechados"

Autor desconhecido

Capítulo 8° -

Abro meus olhos lentamente, ainda deitado começo observar a minha volta, eu estava na minha casa, quem será que me trouxe aqui? Me levanto devagar e logo me lembro de tudo que aconteceu na praça, droga, eu devo ter desmaiado. Saio do meu quarto na esperança de encontrar alguém em casa e logo me deparo com Akaashi que ao me ver, sai correndo em minha direção.

— Céus Kenma, você nos deu um baita susto! — disse, me dando um abraço apertado. — O que diabos aconteceu?

— Sinto muito, não queria ter assustado vocês — respondi. — Acabei passando mal de repente.

— Tudo bem, vamos para a sala, Kuroo e Bokuto estão por lá — pegou minha mão delicadamente, me puxando em direção a sala. — Lá você explica melhor o que aconteceu.

Não respondi nada, apenas me deixei levar por Akaashi. Minha cabeça ainda está completamente confusa, estou tentando entender o que aconteceu.
Quando cheguei na sala e Kuroo se deparou comigo acordado, ele veio correndo em minha direção e assim como o Akaashi, ele também me deu um abraço apertado.

— Não me dá mais um susto desses Kenma, por favor — suplicou, ainda no abraço. — Qualquer coisa que você estiver sentindo você tem que me contar!

— Desculpe, é que a dor veio do nada, não tinha como eu te avisar — expliquei.

— Que bom que você está melhor, Kenma — disse Bokuto.

— Obrigado.

— Já tá bem tarde, acho melhor a gente já ir, Bokuto.

— Ok.

Os dois se despediram e foram embora pois o platinado teria uma reunião bem cedo no outro dia.

— Hey, posso dormir aqui? — perguntou Kuroo.

— Claro — concordei. — Não vou conseguir pegar no sono de novo, acho que vou jogar um pouco.

— Podemos conversar antes?

— Sobre o que quer conversar?

— O que aconteceu exatamente? O que você estava sentindo?

— Senti uma dor de cabeça muito forte, só isso, não precisa se preocupar — tranquilizei-o.

— Não preciso me preocupar? Kenma! Isso não é normal — disse. — Essa foi a primeira vez ou você já sentiu isso em algum outro momento?

Fiquei quieto, será que eu deveria contar sobre o que eu já lembrei?... E se ele me levar para o hospital de novo? Não quero voltar para lá!

— Kenma, por favor, isso é muito sério — suplicou. — Você já teve isso ou não?

— Já...

— Oh meu deus, e você contou para algum médico? Me diz que sim, por favor.

— Não, eu fiquei com medo de que eles me fizessem ficar mais tempo internado.

— Kenma você está entendendo a gravidade dessa situação? Você literalmente está omitindo coisas importantes sobre a sua saúde!

— Eu fiquei com medo, ok? Não pode me julgar por isso...

— Não estou te julgando gatinho, muito longe disso — colocou uma mão sobre a minha. — Só estou preocupado. Você não pode esconder essas coisas, e se for algo sério?

— Também tem outra coisa...

— O quê?

— Essa é a segunda vez que eu tenho essa dor de cabeça estranha e toda vez que eu tenho ela, eu me lembro de algo de antes do acidente... — confessei.

— E-espera, sério? Você se lembrou de alguma coisa? — questionou, incrédulo.

— Na primeira vez eu tive pequenos flashbacks sobre o dia em que eu sofri o acidente, só me lembro de estar em uma festa bem cheia e depois estar em um carro, lembro também que eu estava chorando enquanto dirigia em alta velocidade. Depois eu olhei para frente e vi um carro vindo na minha direção — expliquei. — Foi assustador...

— E na segunda vez? O que você lembrou? — perguntou receoso.

Fiquei em silêncio por alguns minutos, estava pensando em abordar sobre esse assunto da melhor forma.

— Por que você não me contou que eu tinha sentimentos pelo Akaashi? — questionei, o encarando.

— Ah, então você se lembrou...

— Eu tinha o direito de saber, Kuro.

— Você sabe que eu não podia te contar isso Kenma, são restrições médicas, ok? Não posso sair por aí te contando tudo sobre a sua antiga vida.

— Mas saber disso não me prejudicaria, merda! Qual seria o problema em me contar?

— O problema é que foi justamente essa droga de sentimentos que fez você sofrer o acidente! — aumentou o tom de voz.

Como assim meus sentimentos pelo Akaashi me fizeram sofrer o acidente? Isso não faz o menor sentido!

Sinto que daqui a pouco eu vou surtar, tudo está tão confuso e ninguém colabora comigo, o que vai acontecer de tão mal se me contarem tudo?

— Do que você está falando, Kuroo.

— Vamos conversar amanhã, ok? Quando nós dois estivermos calmos e pensando melhor — disse, indo direto para o quarto de hóspedes.

Me joguei para trás no sofá, eu estou tão frustrado! Só queria poder entender tudo. Meu nível de estresse no momento é tão grande que eu comecei a chorar sem nem perceber, minha respiração começou a ficar desregulada e eu sentia meu coração bater cada vez mais forte.

Pudding vendo o meu estado, resolveu subir no sofá e se ajeitar em meu colo, só ele para me acalmar mesmo. Não sei o que faria sem o Pudding aqui comigo.

>Dia seguinte<

Acordo lentamente e observo o local em minha volta, ainda estou deitado no sofá, pelo visto dormi aqui novamente. Há um barulho na cozinha, deve ser Kuroo fazendo alguma coisa para o café da manhã. Me levanto e vou ao banheiro fazer minhas necessidades, acabo me olhando no espelho, me deparando com o meu estado deplorável.

— Meus olhos estão inchados, droga...

Ao terminar, saio e vou para a cozinha, estou com medo de conversar sobre o que aconteceu ontem e brigarmos novamente, mas eu quero saber, chega de esconder coisas sobre mim!

Kuroo percebe minha presença rapidamente.

— Bom dia, Kenma — disse, em um tom desanimado.

— Bom dia — respondi no mesmo tom.

— Olha, eu sei que você está curioso para saber de tudo, e isso é normal, ok? Afinal, é da tua vida que estamos falando, mas temos que ir com calma. — explicou. — Tenho medo de te contar tudo de uma vez e acontecer algo com a tua cabeça, pois são muitas informações ao mesmo tempo.

— Então o que você pretende fazer? Soltar a bomba de que os meus sentimentos pelo Akaashi foram os causadores do acidente e simplesmente esquecer a história? — questionei.

— Não, eu não deveria, mas vou te contar — disse. — Mas aos poucos.

— Ok, pelo menos já é alguma coisa — dei de ombros.

— Mas vamos falar disso depois que comermos, pode ser?

— Pode.

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