Tinha um defeito enorme sobre mim: eu era péssima em seguir as metas que traçava pra minha vida. E não foi só o último acontecimento que me levou a essa indesejada, mas verdadeira conclusão. As minhas falhas em seguir meus princípios começaram bem a...
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A caneta em minha mão traça um risco torto em uma das frases acompanhadas por um asterisco na lista de metas. Observo o novo feito, vendo que a linha agora corta a frase feita com a caneta de gel vermelha, na minha melhor caligrafia, e deixo escapar um suspiro com um pesar doloroso e furioso.
Penso um pouco. Tem que haver uma solução. E se... É, não vai rolar.
E aí, quero fazer drama. O mundo é tão injusto! Por que isso tem que acontecer? É ridículo. Talvez a culpa seja minha por ser desastrada, mas estou tão frustrada que preciso me isentar desse detalhe e culpar o universo. Não parece justo que eu tenha que abrir mão desse show para pagar o carro de Jungkook, mas aparentemente, quando você bate no carro de alguém, sua vida financeira e desejos pessoais devem ficar de lado.
Eu espero nunca mais bater no carro de alguém. E para isso, concluo que não devo dirigir pelo resto da vida. Hoje cedo, Mylor trocou de lugar comigo assim que passamos pela esquina de casa, e é assim que pretendo fazer pelo resto do castigo dele. Vai me evitar dores de cabeça e com certeza vou poupar um bom dinheiro.
— Por que está riscando o concerto do Lee Seunggi?
A voz atrás de mim faz com que eu me assuste, tendo um sobressalto ao som de uma risada que conheço bem. Basta virar-me de lado para enxergar Yeonjun, com o queixo apoiado no meu ombro enquanto lê a lista em minha agenda.
— De onde diabos você veio? — Empurro seu rosto, fechando o caderno como se meus segredos mais obscuros estivessem ali. E estão, de certa forma. Eu não precisava que Yeonjun lesse minhas anotações de cinco anos atrás onde eu lamento a morte do Deidara-senpai, meu personagem favorito, e confesso que estou apaixonada por ele. Com certeza, ninguém precisa saber disso.
— Do balcão. Estranhei você ainda não ter pedido nada. — Dá de ombros. — Por que está riscando o show?
— Vou ter gastos inesperados esse mês, então já era. — Suspiro. — Quero um croissant de chocolate e um cappuccino.
Ele ri, porque eu sei, foi contraditório.
— Se vai ter gastos inesperados, não é melhor começar cortando as coisas que você compra aqui todo dia?
— Garoto, você está trabalhando ou dando palpite na vida alheia? Anda logo e me traga o que pedi!
Felizmente, Yeonjun não me contesta ou decide perguntar sobre quais gastos inesperados a mais se tratam — eu adoraria ter que contar sobre como amassei a frente de um carro que Jeon Jungkook dirigia. Assisto-o dar alguns passos para longe de mim em direção à cantina, indo preparar o meu pedido que, como o próprio Choi falara, me pouparia um bom dinheiro caso não comprasse.
— Aqui. — Ele põe a xícara e o prato na mesa, e logo depois senta-se na cadeira à frente.
— Vai ficar aqui? — Tiro o croissant do prato e o levo até a boca, ao passo que Yeonjun me encara com as sobrancelhas arqueadas.