A filosofia das jaquetas de couro

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A imagem de Jungkook do outro lado da janela torna-se mais nítida depois que alguns segundos se passam

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A imagem de Jungkook do outro lado da janela torna-se mais nítida depois que alguns segundos se passam. A expressão que ele sustenta no rosto é carregada de irritação, e mesmo que eu nunca tenha trocado uma palavra com ele, me sinto intimidada, com uma imensa vontade de fugir. Tenho vontade de girar a chave outra vez e simplesmente passar reto, dirigir para algum lugar onde eu não me sinta sufocada e possa absorver a situação mais rápido.

— Você por acaso é surda? Além de bater no carro, não vai me responder também? — Sua voz vem abafada. Para mim, é a mesma sensação de quando tenho água nos tímpanos, ainda assim, consigo sentir a frustração, que vem junto com o ar quente que exala fora do veículo.

Demoro para raciocinar, mas no meio dos nós que minha mente dá, tenho um minuto de sanidade e finalmente me recordo: bati no carro dele. Eu simplesmente bati no carro dele.

— Céus!

A conclusão é suficiente para que eu remova o cinto de segurança e abra a porta, saltando para fora de maneira afobada. Quase posso ver a expressão raivosa de minha mãe me encarando contra o reflexo distorcido produzido pela lataria vermelha do carro, mas ela some e torna-se em um suspiro aliviado assim que percebo que o veículo continua intacto.

— Graças a Deus não aconteceu nada!

— Hm, que tal tentar novamente?

A voz baixa volta a surgir atrás de mim, carregada de ironia. Então me viro, enxergo Jungkook e me certifico pela décima vez que nada daquilo é uma projeção do meu subconsciente.

Sou capaz de sentir a cena em câmera lenta: passo que ele dá para o lado indicando a direção esquerda, meus olhos se desviando para um carro escuro que parece moderno, esportivo, alto e com... uma frente completamente amassada.

Ok, talvez completamente seja um grande exagero. Mas não seria eufemismo dizer que estou completamente ferrada.

— Oh. Meu. Deus! — exclamo pausadamente.

— Pois é. — Há um tom ácido de humor em sua voz. Ele cruza os braços enquanto observa minha reação.

Sinto que preciso de um manual para lidar com esse tipo de situação, porque não sei o que devo fazer. Ninguém me treinou para isso. Ninguém me treinou para dar desculpas, explicar a situação e resolvê-la como uma adulta, ainda mais quando a pessoa envolvida em tudo isso não parece nada feliz com o pequeno acidente. Então, não sei se devo buscar Mai, me ajoelhar no chão e pedir desculpas ou se devo ligar para Joen, a psicóloga, e contar à ela que falhei completamente em todos os aspectos da vida.

Como se não bastasse o meu fracasso no teste, o atraso para apanhar Mai no balé, eu também preciso lidar com o fato de que amassei o carro de alguém enquanto tentava sair do estacionamento. Depois de tantos malditos vídeos no youtube sobre baliza. É ridículo.

Suspiro. Eu não estou só assustada com a situação, estou perdida com as palavras também. Porque abro a boca e não sei o tenho que dizer, tudo que consigo balbuciar é uma abordagem fraca junto com um tom forçadamente simpático:

Dano Colateral - JJKHistórias para pegar e não largar. Descubra agora