— Feliz aniversário, Mai!
Mylor e eu estamos na frente do quarto de Mai. Estou segurando um bolo enquanto empurro a porta com o pé e Mylor acende a vela. Hoje mais cedo, acordei Mylor para assarmos um bolo vulcão para Mai. Nós vimos um tutorial no youtube, brigamos muito e queimamos a primeira cobertura, mas tudo vale a pena quando vejo-a coçar os olhinhos, e, nos enxergando com clareza, abre um sorriso banguela com alguns dentes faltando.
— O que é isso? — Mai afasta sua colcha rosa da Barbie e nos encara com curiosidade. De repente, tenho uma vaga lembrança de ficar triste quando mamãe apareceu com essa colcha pra ela e uma colcha azul sem graça para mim. Eu também gostaria de uma da Barbie.
— O que você acha, tampinha? Um bolo vulcão. — diz Mylor. Estamos nos aproximando lentamente da cama para não derrubar o bolo. — Ele vai entrar em erupção dentro da sua barriga.
— Impossível. Um vulcão só entra em erupção quando as pedras do manto derretem e formam um magma. — Ela dá de ombros, como se o que explicou fosse muito simples.
Mylor e eu nos encaramos com estranheza. Como mamãe pode ter parido dois filhos burros em uma só noite e anos depois dar a luz a reencarnação de Albert Einstein? É muito para assimilar.
— É, e você está fazendo oito anos. Inacreditável. — Mylor suspira.
Com cuidado, pouso o bolo em seu colo.
— Faça um desejo e assopre as velinhas, Mai — digo, afagando seus cabelos.
Mai fecha seus olhos, apertando-os tão forte que rusguinhas engraçadas se formam em suas pálpebras.
— Eu desejo que a banda do Yeonjun faça o melhor show do mundo na minha festa.
— Mai! Seu desejo é secreto.
Ela abre os olhos, como se eu tivesse atrapalhado seu momento.
— Mas desejos não se realizam somente por assoprar a velinha. Adultos realizam seus desejos, é por isso que eu falei alto, pra você se esforçar para realizar.
Então ela assopra a vela com muita força e a chama apaga. Com Mai sempre é assim, o fogo nunca volta a surgir na vela, como acontecia comigo. Mamãe dizia que eu era teimosa, por isso a vela voltava a acender. Se a vela apagou completamente para Mai, quer dizer que ela é forte e decidida.
Mylor aproxima-se de nós, passando os braços por meus ombros. Olhamos para Mai com adoração, e sei que ele está pensando o mesmo que eu quando sussurra:
— Ela está crescendo muito bem.
…
Duas horas depois da nossa pequena comemoração, estou escrevendo com minha caneta de gel rosa favorita na minha agenda todas as coisas que faltam fazer para o aniversário de Mai. Insisti muito para mamãe alugar brinquedos infláveis e me responsabilizei pessoalmente a cuidar das crianças e organizá-las em fila para a cama-elástica e o tobogã. Ainda estou pensando no que Mai me disse semanas atrás, sobre como suas coleguinhas estavam sendo maldosas com ela. Quero me certificar de que tudo saia perfeito, quero que Mai se sinta adorada, mesmo que essa adoração venha em troca de um suborno disfarçado por brinquedos infláveis e um show de Jungkook.
— Uau, sua letra é linda. — Hyejin, integrante do pequeno grupo de 5% de católicos no país, se inclina sobre minha mesa para ver. Seu cenho se franze quando percebe que desenhei no papel uma cama-elástica com todas as cores que tenho em meu estojo. — Mas essa não é a matéria que o professor passou.
Abro um sorriso constrangido. Juro que tentei ao máximo me concentrar nas falas do professor Kang, mas meu cérebro só consegue pensar em confetes, bolos de chocolate, fantasias e brinquedos infláveis. Ei, será que sei desenhar borboletas também? Estou pensando agora sobre como suas asas arroxeadas ficariam bonitas no final daquela página.
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Dano Colateral - JJK
FanfictionTinha um defeito enorme sobre mim: eu era péssima em seguir as metas que traçava pra minha vida. E não foi só o último acontecimento que me levou a essa indesejada, mas verdadeira conclusão. As minhas falhas em seguir meus princípios começaram bem a...
