2 - Boston

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    P. O. V.  Simon

    — Você o que garoto?

    — Eu... Eu sou gay pai. Conheci alguém na faculdade, ele cursa música e sabe que eu amo cantar, me ensinou alguns instrumentos e nós até pensamos em...

    — Já chega — ele me corta friamente — já chega de toda essa baboseira, eu te proibo de repetir isso novamente, te proibo de ver esse garoto de novo, e se você me desobedecer, eu dou um jeito de acabar com a vida dele. Chega de ser mimado e ingrato, você tem que dar valor a tudo que eu te dou, e vai me obedecer

    — Será que você pode me ouvir pelo menos uma vez na vida? Eu odeio toda essa merda, eu não estou nem aí pra tudo que você me dá, eu não quero nada que venha de você, eu não...

    E então eu senti

    Primeiro um tapa, o que não era tão incomum, depois um empurrão na parede, depois ele segurou a minha garganta e disse

    — Você vai entrar na linha, está me ouvindo? Nossa família tem uma reputação a ser protegida e não vai ser você quem vai estragar tudo

    Então ele me larga e vira as costas, me deixando sozinho com um turbilhão de sentimentos

    Tristeza

    Decepção

    Desespero

    Mas o maior de todos é a raiva

    Raiva dele

    Raiva de mim por ser assim

    Raiva da minha vida

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    Acordo com pressa do pesadelo que assombra quase todas as minhas noites

    Seria muito bom se fosse só um sonho e não tivesse acontecido realmente

    Mas é por isso que estou aqui

    Eu fui burro, como sempre

    E quem dera as consequências tivessem surtido efeito apenas em mim

    Quando meu pai soube que eu e Henry estávamos nos encontrando escondidos, ele cumpriu com sua palavra

    Pouco tempo depois, apareceu um boato absurdo sobre ele na USP, um boato que o levou a ser suspenso da universidade e até investigado pela polícia

    Meu pai, como sempre, negou qualquer tipo de envolvimento, mas todos sabemos que foi ele

    Desde aí, eu nunca mais vi Henry, mas sinto todos os dias o peso de ter arruinado a vida dele

    Depois disso, nunca tive mais ninguém

    E é melhor assim

    Volto meu pensamento para o presente e percebo que dormi naquela mesma posição, sem trocar de roupa nem arrumar a cama, e mesmo assim, foi um sono revigorante, apesar do pesadelo rotineiro

  Pego o celular e percebo que são 7 da manhã, um ótimo horário para tomar um café e dar uma volta para conhecer o local

    Me levanto e abro minha mala para pegar a necessaire e um casaco, vou ao banheiro, escovo meus dentes e ajeito meus cachos com água — sim, a água é a melhor amiga de uma pessoa cacheada — e então saio do meu quarto, já chamando o elevador. No térreo, uma pessoa me indica o local onde o café da manhã está sendo servido.

    Imediatamente sinto saudade da comida brasileira, pois, mesmo com a grande quantidade de opções das mais simples, como panquecas e ovos mexidos com bacon, até as mais finas as quais eu nem sabia o nome, nada disso tem o tempero típico do Brasil.

Writing my (love) story Histórias para pegar e não largar. Descubra agora