9 - Depósito

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    P. O. V.  Wilhelm

    O caminho para casa foi tranquilo, diferente do estado que estava minha cabeça

    Barulhenta pra caralho

    Quando fiz o convite a Simon eu estava com sono e pensei que ele recusaria, mas não recusou, e a tarde foi maravilhosa

    Estar com ele é estranhamente bom, é como se o tempo parasse e passasse rápido ao mesmo tempo, e fazer nada é igual a fazer tudo

    Uma bagunça, eu sei. Mas me sinto assim quando estou com ele. Mesmo eu estando agitado agora, parecia que com ele eu estava calmo, sereno

    Ignoro o caos mental quando chego em casa. Tiro Edvin da coleira e ele corre para perto da tigela de ração, alternando o olhar entre mim e ela como forma de pedido. Me aproximo e encho o recipiente com o alimento, e ele já vai comer

    — Oi mãe! — digo entrando na sala e me aproximando para dar um beijo em sua bochecha

    — Oi filho, tudo bem? Como foi o passeio? — ela pergunta enquanto dou a volta e sento ao lado dela no sofá

    — Foi bom!

    — Só bom? Você não estava com Felice?

    — Na verdade não, estava com... um amigo. E foi muito bom!

    — E eu conheço esse amigo? — ela pergunta animada, já que eu não era muito de socializar

    — Não! Ele é brasileiro, está fazendo intercâmbio e é muito, muito... — coro um pouco e não continuo o que ia falar

    — Muito...? — minha mãe pergunta

    — Eeer, muito inteligente! Isso

    — Ah, entendi— ela diz não muito convencida— e qual o nome dele?

    — Simon! — digo, então olho as horas no celular — olha só, já estou atrasado para o serviço mãe! Melhor eu ir me arrumar! — digo cortando logo o assunto, sem um motivo específico

    — Tudo bem docinho, bom trabalho! — ela responde não muito convencida

    Dou outro beijo nela e vou para o meu quarto a fim de me preparar para mais um dia no bar. Pego minha toalha e vou tomar um banho. Tento fazer com que meus pensamentos escorram e desçam pelo ralo como a água que percorre meu corpo, mas falho miseravelmente

    Saio do banheiro com a toalha na cintura e percebo que meu celular estava apitando. Eram mensagens da Felice

    "oii, não vai dar para eu ir no bar hoje, tenho um compromisso!"

    "tudo bem lice"

    Ela manda uma figurinha de coração e sai da conversa, mas continua online. Bloqueio a tela do celular e o coloco de volta na pequena cômoda do meu quarto. Abro uma gaveta e tiro uma camiseta básica meio gasta e meu jeans escuro de sempre. Como trabalho em um bar, eles não são tão rigorosos com a questão de uniforme

    Termino de me arrumar, coloco meu celular no bolso e saio do meu quarto. Despeço da minha mãe e de Edvin na sala e vou para a garagem pegar minha bicicleta

    Daqui até o bar não é tão longe, mas também não é tão perto como a casa de Simon até lá. Alias, casa não, apartamento. Ou hotel? Espera aí, por que estou pensando nisso? Ou pensando nele? Tento silenciar a minha mente reprimindo esses pensamentos e prestando atenção na rua, mas como eu disse, ela está Barulhenta pra caralho

Writing my (love) story Histórias para pegar e não largar. Descubra agora