Capítulo 4

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"Mas... e se as coisas de fora forem importantes também? [...] Quero acreditar que você pode amar alguém com tanta força que nada disso importe. Mas e se importar?"

—     Outro Dia, David Levithan

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Na semana seguinte, a rotina que sequer teve tempo de ser uma rotina voltou. E Ana, sendo completamente paparicada de uma forma até desconfortável, voltou as aulas usando uma moleta para o tornozelo torcido. Então, até a aula de literatura inglesa, ela não conseguiu um momento para sair de fininho para conseguir conversar com Christian, quem ela já havia visto que estava na faculdade.

Quando ela finalmente foi deixada em sua carteira habitual - dessa vez por Stanley e Jose - Christian já estava lá.

E pela primeira vez eles realmente teriam aquela aula juntos.

_ Olha, eu vou estar bem aqui atrás, e qualquer coisa que você quiser é só me chamar - José falou de forma solicita, mas o tom era como se estivesse falando com uma criança.

Ana queria dizer que só havia torcido o tornozelo e não o cérebro, mas achou que pareceria grosseira, então deixou para lá e apenas sorriu, assentindo.

_ E a minha sala é aqui do lado, eu saio há qualquer momento para você - Stanley acrescentou, entrando na frente de José, quem não gostou nada.

_ Bom, eu vou estar aqui, na sala com você, então não vai ser necessário chamar ele para nada - José murmurou.

Stanley abriu a boca para retrucar, mas Ana levantou a mão.

_ Entendi. Muito obrigada, de verdade. Mas eu só vou assistir a aula mesmo agora, okay? - ela falou.

Os dois saíram resmungando um com o outro, e Ana suspirou.

Homens...

E então ela sentiu finalmente a tensão, aquele comichão estranho em seu corpo toda vez que até pensava em Christian, e de repente ele estava ali ao seu lado. Tao, tão perto. Ana tentou identificar o cheiro do perfume, mas não era nada com ela já havia sentido antes. Era fresco e lembrava árvores, ou grama, mas também havia algo gelado no ar.

_ Oi - ela cumprimentou baixinho, entrelaçando os dedos um no outro de uma forma nervosa.

Christian apenas assentiu com a cabeça e se virou para a janela, com uma forma de educada em responder quando não queria de verdade.

Ela quis se virar e falar com ele, mas a aula começou no mesmo instante e a coragem foi embora. E Christian só ficou lá, como se ela sequer existisse ao lado dele.

O professor deu os últimos vinte minutos de aula livre, que na verdade eram para organizarem o trabalho em dupla que deveria ser entregue dali duas semanas.

Em dupla. Com seu parceiro do lado.

E o parceiro de Ana só salvava a vida dela, ele não falava com ela.

Irritada, a garota se virou para confronta-lo, mas mais uma vez foi interrompida. Ana reprimiu a vontade de xingar alto.

— Acredita que a Leila convidou para o baile - José chegou dizendo, sentando na beira da mesa.

Haveria um baile beneficente no fim do mês, e como uma espécie de "coisa divertida", ficou decretado que as meninas deveriam convidar os meninos. Para Ana era tudo uma palhaçada de ridículo, mas as pessoas de cidade realmente pareciam se empenhar naquelas coisas.

— Isso é legal - ela disse, tentando parecer o menos interessada possível para que ele saísse logo. - Você vai se divertir muito com ela.

— Bem... - José gaguejou enquanto examinava o sorriso dela, claramente descontente com sua resposta. - Eu disse a ela que precisava pensar.

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