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Messages

Gilinsky
online

Tá dormindo?

Não :(

Tô no seu portão

KKKKKKKKK queria mesmo

Não to brincando
Vem aqui

Gilisnky?

Traz uma coberta pra mim? Tá frio

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Angeline

Dei um pulo para levantar da cama, sem conseguir acreditar que ele realmente estivesse lá. Peguei um cobertor dentro do armário e por sorte passei pelo espelho, percebendo que estava de pijama de alcinha.

Coloquei um moletom por cima, e troquei as meias por um chinelo confortável, abri a porta e tentei descer as escadas fazendo o mínimo de barulho possível, chegando a porta e tentando destrancar com toda a delicadeza que tenho.

Assim que consegui chegar ao lado de fora, caminhei, quase correndo, até o portão. Conseguia ver ele encostado do lado de fora do carro, do outro lado da rua, com os braços cruzados e olhando atentamente enquanto eu fazia meu caminho até o seu. Veio ao encontro do portão quando eu cheguei mais perto, e me ajudou a abrir, fiz sinal de silêncio e ele acenou com a cabeça. Fomos para dentro do carro.

- O que tá fazendo aqui? - Eu disse assim que ele se sentou, batendo a porta e esfregando as mãos uma na outra.

- Vim te ver. - Coloquei o cobertor em cima de sua perna, me virando mais no banco para poder analisa-lo com mais clareza.

- A uma da manhã? - Observei enquanto ele organizava o cobertor.

- Você ainda tem problemas de insônia? - Mudou de assunto, se virando para mim.

- De vez em quando. - Dei de ombros - Quando vem, vem pra ficar uma semana. Acho que hoje é só o começo.

Ri sem graça, ele analisava o meu rosto inteiro, com um sorrisinho disfarçado.

- E você?

- Eu queria te fazer companhia. - Deu de ombros.

- Tudo bem. - Ficamos em silêncio.

Ficar sozinha com Gilinsky sempre é um ponto de segurança. Ele é tanta calmaria que acaba transmitindo todas as coisas boas para dentro do meu coração. Calmante.

Ele se ajeitou no banco, ainda virado para mim e fechou os olhos, como se fosse dormir ali mesmo.

- Você tá com sono?

- Agora bateu um pouco. - Abriu os olhos novamente. - Vir até aqui é um caminho longo, vou comprar um apartamento mais perto.

Eu ri, e então uma ideia genial despertou em minha cabeça.

- Sabia que eu fiz aula de direção? - Ele arregalou os olhos surpreso. - Pois é gatinho, agora eu sei dirigir.

- E cade sua carteira?

- Eu disse que fiz a aula, não que tirei carteira. - Soltei uma piscadela - Acidentalmente eu acabei derrubando alguns cones, nas três vezes que fiz a prova.

Ele começou a rir, exageradamente.

- Gilinsky para! Eu juro que sou boa, é que eu fico nervosa. Vamos trocar de lugar, deixa eu te levar pra passear. - Parou de rir subtamente, me olhando sério.

- Você quer me matar? - O fuzilei. - Ai ai... Vamos ver o que isso vai dar.

Abrimos a porta do carro e sai, dando a volta, ele me entregou a chave do carro no meio do caminho, não sem antes fazer o sinal da cruz.

- Idiota... - Resmunguei.

Assim que me sentei no banco, ajustei a cadeira, os retrovisores e coloquei o cinto. Gilinsky me observava atentamente, já de cinto colocado, e aproveitei para colocar o caminho até sua casa no GPS.

- Olha, até parece que você sabe mesmo o que tá fazendo... - Cruzou os braços, e eu lhe mostrei a língua.

- Posso até participar de corrida ilegal.

Girei a chave na ignição, e passei a marcha enquanto pisava no acelerador, o carro, graças a deus, se moveu.

Segui tranquilamente o que a voz robótica me dizia, e o garoto ao meu lado continuava em silêncio, espiei de visão periférica se ele tinha adormecido, mas seus olhos continuavam vidrados em mim, o que fez minhas mãos soarem.

Sai do caminho indicado para conseguir ir pela orla da praia, que de noite estava muito mais bonita.

- Você realmente tem algo com praias.

Eu apenas o olhei e lancei um sorriso. Praias me dão calmaria.

- E quem não tem? - Rebati, ele deu uma gargalhada.

- Devia ir morar em uma ilha. Estilo Outer Banks, sabe?

- Você vai ser o JJ da minha Kiara?

- Óbvio! Esse é o sonho!

- Parece perfeito. - Me encostei no banco com um sorriso besta no rosto.

O que ele fazia comigo era sacanagem, são tantos sentimentos que me dão vontade de gritar e chorar, ao mesmo tempo, por cinco horas sem parar.

Fell It - 2 - JGOnde histórias criam vida. Descubra agora