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Jack Gilinsky

- Você acha que a Kate vai mesmo fazer mais alguma coisa? - Angel me perguntou, apoiada no capô do carro enquanto enfiava a mão em um pacote de salgadinho.

Tinhamos parado em uma conveniência 24h que ficava no meio do caminho entre a minha casa e a dela.

- Eu não sei muito bem o que ela pode fazer. - Dei de ombros.

O olhar de Angel me dava angústia. Mesmo que ela fizesse de conta que não se importava com nada, por alguns segundos, deixava escapar o medo de que tudo desse errado.

- Independente do que tentar, agora estamos alerta. - Voltei a pontuar, na esperança de tirar aquele olhar de seu rosto. - E precisamos ficar em contato.

- Sem mais esconde-esconde. - Afirmou com a cabeça.

Soltei um sorriso e ela me acompanhou. Jesus. Como ela estava linda.

- Entra no carro, vou colocar gasolina. - Avisei, ela concordou com a cabeça e foi para o banco do motorista, peguei a pistola na estação e coloquei no bocal do carro, pagando com o cartão para que a gasolina fosse liberada.

Fui para o seu lado, observando sua eletricidade, plenas 2h da manhã.

- Você precisa fazer alguma coisa com essa insônia. - Passei a mão em seu cabelo involuntariamente, e sua atenção virou para mim.

- Eu sei. E eu prometo que vou, é que não tive tempo pra ir atrás de médico. - Ela deu um sorriso fraco.

Antes que eu pudesse contestar, ouvi o bip avisando que tinha terminado, então voltei com a pistola para o lugar.

Dei a volta no carro indo para o lado do passageiro, e Angel já estava se organizando em seu lugar.

- Onde você quer ir? - Me olhou.

- Qualquer lugar. - Coloquei a mão no encosto de cabeça ao meu lado - Com você, qualquer lugar.

Vi suas bochechas corarem, e como eu queria beijar ela agora. Na verdade, durante toda essa noite, esse pensamento nunca me abandonou.

Quão estranho seria se eu fizesse? Se eu pedisse pra que ela estacionasse no meio fio e pulasse para o meu banco?

- Para de ficar me encarando, você me distrai. - Ouvi sua adocicada voz, e para evitar futuros problemas, obedeci o comando.

Observei a paisagem para espairecer. Estava tão atônito que minha respiração chegou a desregular. Puxei o ar com força e me ajeitei no banco.

- Tá tudo bem aí?

- O que? - Filha da mãe. - Tudo bem, porquê?

- Você tá agitado. - O sorrisinho em seu rosto mostrava muito bem o domínio que tinha em suas palavras.

- É impressão sua.

- É mesmo? - Angel diminuiu a velocidade do carro, apenas para virar o rosto e me analisar com mais clareza. - É, deve ser.

Soltou uma risadinha convencida. É jogo que ela queria então?

- Deve ser o energético que tomei. - Dei uma falsa espreguiçada, e ao descer minhas mãos, fiz questão de deixar uma em sua coxa.

Em questão de segundos, o carro morreu.

- Bosta. - Ela sussurrou, e eu segurei uma risada em minha garganta.

- O que foi? Você tá agitada. - Retruquei, ela me olhou boqueaberta, percebendo o joguinho.

- Jack Gilinsky, você realmente não vale nada! - Cruzou os braços.

- E você vale menos ainda! - Imitei sua posição. - Juntos, não chegaremos à cinco reais.

Voltou a dar atenção ao carro, girando a chave mais de 3 vezes, mas não ia. Me olhou com os olhos arregalados.

- Gilinsky?

- Tá tudo bem. - Ri, abrindo a minha porta. - Vamos destrocar.

- Me desculpa se eu estraguei seu carro - Ela disse, já do lado de fora.

- Não é como se você não tivesse dinheiro para arrumar, gatinha - Lhe mandei um piscadela.

- Claro, caso tenha estragado vou te comprar um Porsche. - Revirou os olhos enquanto passava por mim, aproveitei a curta distância para segurar sua mão e puxar ela para perto.

- Ou você pode pagar de outro jeito. - Agora estávamos frente a frente, e observei atentamente seus olhos, que oscilavam entre os meus e minha boca, o que pra mim foi um grande sinal verde.

Posicionei uma mão em sua bochecha, enquanto inclinava mais o rosto de encontro com o seu, e sem conseguir esperar mais, juntei nossos lábios.

Uma onda de calor me carregou, senti subir dos pés a cabeça, junto com uma avalanche de sentimentos guardados por tempo demais.

Sua mão me puxou para mais perto, como se existisse alguma maneira de ficarmos ainda mais colados, e ao separarmos, por míseros segundos, vi o sorriso mais lindo em seu rosto, não me aguentando e puxando ela pra mais um dos trezentos beijos da noite.



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⏰ Última atualização: Dec 16, 2025 ⏰

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