Um mês se passou desde o momento em que Evelin disse sim. Agora, no carro em frente à mansão da família Schramm, seu coração parecia que sairia pela boca. Nesse tempo, ela nunca viu seu noivo. Procurou fotos e não encontrou; a única coisa que descobriu é que seu futuro esposo é um CEO competente. Desde o momento em que assumiu a empresa da família, o patrimônio cresceu ainda mais. Ela assinou o contrato no dia anterior; hoje será a cerimônia, apenas com alguns amigos e familiares. O noivo nunca fez questão de conhecê-la, e isso a deixou com o pé atrás.
— Está na hora, Evelin! — seu avô avisou, impaciente.
Ela desceu com dificuldade, pois seu vestido estilo princesa era um pouco pesado. Mesmo não sendo sua escolha, ela amou cada detalhe: do rendado no busto à saia de seda bufante. Pela primeira vez sentia-se linda e torcia para que seu futuro esposo pensasse da mesma forma. Ela colocou o véu e entrou na casa. Seu avô a guiou até o altar improvisado. Estava tão nervosa que não reparou no noivo parado de forma séria à sua espera. Evelin mantinha-se cabisbaixa; pensou em seus pais o dia todo. Acreditava fielmente que, se estivessem vivos, não passaria por mais essa provação: casar com um homem desconhecido!
Lembrou-se de Eduardo, seu amor de infância. Prometera em seu coração que o esperaria, porém estava quebrando mais outra promessa. A primeira era ter que adiar seu sonho, faltando apenas dois meses para concluir a faculdade de administração. Ela mostraria a todos o quão inteligente é e, talvez, conquistasse pelo menos o respeito deles.
Ela parou de divagar quando ouviu a voz do padre. Ele falava, mas ela não conseguia compreender. Quando percebeu o movimento ao seu lado, notou que o noivo se virava em sua direção, então fez o mesmo. O padre abençoou as alianças; Evelin a colocou no dedo anelar da mão esquerda de seu esposo e, logo em seguida, a beijou. O homem fez o mesmo, mas, diferente dela, não a beijou.
— Agora, pode beijar a noiva, meu jovem! — o sacerdote exclamou, sorrindo.
O homem puxou o véu que cobria sua cabeça e, antes mesmo de ela o encarar, ele cobriu seus lábios em um beijo casto e sem graça. Ela o encarou nervosa, pois era a segunda vez que um homem a tocava de forma tão íntima. Assustada ao notar quem a beijara, seus olhos dobraram de tamanho.
"É ele!", pensou, em choque. O homem que prometeu amá-la e casar-se com ela quando jovem. Eduardo, o menino que lhe deu um propósito em sua vida sem cor. Com essa constatação, ela sorriu para ele, mas não foi retribuída. Eduardo não enxergava nada além de amargura. Ele trabalhou duro para chegar onde chegou e, mesmo assim, estava sendo privado de ter o que lhe era de direito. Casar com uma mulher fútil e mesquinha não estava em seus planos. Ter um filho por inseminação nunca passou pela sua cabeça. Eduardo pensava que, se uma mulher podia sugerir tal coisa, ela não prestava e não merecia seu afeto. Com esse pensamento, a abraçou e sussurrou:
— Não esqueça que assinou um contrato. Seja a esposa perfeita na frente de todos, mas, entre nós, haverá apenas desprezo.
Ele sorriu, mas ela pôde notar a raiva em seus olhos. Aquela fala a lembrou do porquê estava lá. Ela o encontrou, mas, pelo visto, ele não gostou de reencontrá-la.
Após a cerimônia, circularam de braços dados cumprimentando a todos. Não demorou muito para que ela fosse deixada sozinha em um canto qualquer. Seu esposo nem sequer lhe deu uma explicação.
— Onde está o noivo? Está na hora da dança — a cerimonialista informou.
Evelin se encolheu, sentindo-se estranha e envergonhada. O que ela diria? "Não sei"? Seria humilhante. Ficou parada como uma estátua. Distraída, assustou-se quando viu uma mão masculina estendida em sua direção.
— Que tal uma dança?
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Sou Presa a Você
RomanceEvelin Ferreira, perdeu seus pais aos dez anos e foi morar com seu avós. Eles nunca lhe passaram amor, ou calor humano. Nunca lhe deram o que era preciso, mas exigiram muito quando a forçaram se casar com um desconhecido por contrato. Ela aceitou pa...
