— Por que chamou seu primo aqui? — perscrutou enfurecido. Não era apenas a invasão, mas o carinho da despedida que o irritava.
— Sou o dono da porra desta casa. Não tem o direito de convidar ninguém. Entendeu, sua burra?
— Entendi da primeira vez — disse ela com os olhos rasos d'água.
— Se entende, por que fez? Está aqui temporariamente; não faça nada sem o meu consentimento.
— Sim, claro — disse ela, retirando-se.
— Aonde vai? — perguntou ele, estranhando a indiferença.
— Se já terminou, preciso fazer o jantar.
— Saia! — mandou ele.
Eduardo entrou no banho, mas, por um segundo, fechou os olhos e sonhou acordado. Imaginou a esposa entrando no box, tocando-o com carinho e luxúria. O desejo foi tão real que seu corpo reagiu imediatamente. Ao abrir os olhos, sentiu a frustração: estava sozinho. Desde o casamento, não conseguia se envolver com mais ninguém; mesmo com Bruna, sua mente voltava para a esposa.
Saiu do banheiro apenas com uma toalha na cintura. Evelin estava no quarto mexendo em uma pasta. Para provocá-la, ele deixou a toalha cair. Os olhos dela dobraram de tamanho diante da nudez dele. Eduardo aproximou-se devagar, notando o olhar guloso dela.
"Ela nem disfarça!", pensou satisfeito.
Evelin saiu correndo do quarto com a respiração entrecortada. Eduardo, no ápice do desejo, terminou o que começou sozinho. Depois, vestiu-se e foi para a cozinha. O jantar correu em silêncio. Evelin, sentindo muita dor, foi direto para a cama. Eduardo, porém, saiu novamente após receber uma ligação de Bruna. Para evitar brigas, ele resolveu fazer a vontade da amante.
6
— O que está fazendo? — Eduardo indagou à esposa, que estava parada à sua frente.
Ela vestia uma camisola transparente que nada escondia e trazia na face um sorriso maroto, um que ele nunca a vira dar. Evelin aproximava-se da mesa sorrateiramente, com um olhar que prometia algo abrasador.
— O que está tramando, mulher? Por que está aqui? — insistiu, mas ela não respondeu.
Apenas retirou as alças da camisola, que caiu amontoada no chão. Ele observava a nudez da esposa com ânsia, com gula. Não lembrava de ter desejado tanto uma mulher como a desejava naquele momento. Isso é loucura!, pensou.
— Meu marido, faça amor comigo... faça-me sua... — Evelin sussurrou, para o desespero de Eduardo. Ela estava irresistível e o olhava com um carinho profundo.
— Já disse que não toco em você...
— Sei que me quer, posso ver em seus olhos — disse ela, arrastando a cadeira e sentando-se no colo dele.
Ela tomou a iniciativa e o beijou — um beijo sedento, convidativo. Ele gemeu quando a tocou; um som gutural rasgou seus lábios. Eduardo brigava com o tesão e a razão, mas todos sabemos quem ganhou. Ele a levantou no ar, derrubou tudo o que estava sobre a mesa e a sentou na superfície fria.
— Você é linda! — admitiu pela primeira vez.
— Sou sua, Edu... sou presa a você para sempre...
— O quê? — inquiriu ele, sem entender.
— Eu o amo desde sempre... — Evelin declarou, sumindo logo em seguida.
Eduardo acordou suado, com a respiração suspensa. Fora um sonho, mas parecia tão real. Levantou-se rápido, nervoso. Para ele, não era um bom sinal sonhar com ela daquela forma. Entrou no banheiro sentindo-se nocauteado, sem chão. Tomou um banho frio para baixar a forte ereção que o acompanhava desde o despertar e depois foi se arrumar. Olhou para o lugar da esposa na cama; estava vazio. Achou estranho, pois nem parecia que ela dormira ao seu lado.
Quando Eduardo saiu do quarto, a mesa já estava posta, mas sua esposa dormia pesadamente no sofá. Ele a acordou sem nenhum tato, chamando-a para o café. Notou que ela nada comia, apenas o observava com expectativa. Evelin queria abordar um assunto, mas não sabia como iniciar. Ele não falara com ela desde que a acordara.
— Fale de uma vez! — disparou ele, assustando-a.
— Hã?
— Você está há um tempo me encarando. Acredito que deseje me falar algo, então diga. Fale de uma vez — repetiu.
— Não acha melhor dormirmos em quartos separados? Não me importo em mudar para o quarto de hóspedes.
— Não! — ele se calou para mastigar. — É tarde demais para fingir não saber os termos do contrato. Você é uma tola se pensa que acredito nisso — disse, levantando-se.
Evelin o observou até que desaparecesse de sua vista. Ela não compreendera o que ele dissera; não sabia o que estava escrito no contrato, pois não a deixaram ler. Forçaram-na apenas a assinar e sair, mas se ela contasse isso, ele jamais acreditaria.
Quando o esposo voltou para se despedir, a mesa estava limpa e a cozinha impecável. Ele estava lindo como sempre, vestindo um terno preto e uma camisa social azul. "Lindo" é um eufemismo perto dele, pensou ela.
— Já disse para não me olhar assim — falou ele, lembrando-se do sonho.
Não foi bruto, o que a deixou mais tranquila. Ele pegou sua pasta, mas parou abruptamente, virando-se para ela.
— Hoje à noite precisamos ir à casa do vovô.
Ele saiu, deixando Evelin preocupada. Ela sentia dores e o corpo mole; tinha medo de não conseguir andar com estabilidade devido aos ferimentos nos pés. Seguiu-o até o elevador para tentar persuadi-lo.
— Espere, Eduardo!
— O quê? Estou atrasado.
— É necessário que eu vá? Tenho muitos trabalhos da faculdade para concluir — não era mentira.
— Você não está em posição de recusar — ele entrou no elevador sem olhar para trás.
Eduardo chegou à empresa atrasado após enfrentar um engarrafamento terrível na ladeira da Graça. As pessoas o observavam sorrindo, imaginando que a vida de casado devia estar excelente, já que ele nunca se atrasava. Alheio aos comentários, seguiu com seu dia produtivo. No final da tarde, após reuniões cansativas, resolveu ir para casa. O coquetel na casa de seu avô seria às 19h.
Chegou em casa e encontrou a esposa dormindo novamente. O que está acontecendo com ela? Por que só a vejo dormindo?, perguntou-se, estranhando o comportamento. Contudo, não quis investigar; não era da conta dele. Tomou um banho rápido e, ao entrar no closet, encontrou uma sacola com seu nome e um bilhete escrito à mão, com letras pequenas e bonitas:
"Tomei a ousadia de separar sua roupa, caso chegasse atrasado. Evelin."
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Sou Presa a Você
RomanceEvelin Ferreira, perdeu seus pais aos dez anos e foi morar com seu avós. Eles nunca lhe passaram amor, ou calor humano. Nunca lhe deram o que era preciso, mas exigiram muito quando a forçaram se casar com um desconhecido por contrato. Ela aceitou pa...
