"Respira, Evelin, você consegue!", repetia para si mesma. Sua perna doía muito, a cabeça estava pesada e ela sentia um calor febril por dentro. Como treinara antes de sair de casa, assim que entraram, abriu um lindo sorriso. Quem a conhecesse bem, como seu primo Louis, saberia que não era um sorriso sincero; mas aquelas pessoas eram estranhas, então estava tudo bem. Ocultar o que sentia tornara-se seu estilo de vida. Ninguém, além de Louis, conhecia a verdadeira Evelin.
— Meu filho, que saudade! — uma senhora exclamou, aproximando-se dos dois.
Ela vestia um clássico tubinho Coco Chanel de mangas longas e decote discreto, nas cores preto e bege. Estava na faixa dos cinquenta anos e possuía cabelos pretos e ondulados. Sorria amorosa para o filho, como se ele fosse seu maior tesouro.
— Mamãe! Por que não avisou que voltaria de viagem?
— Perdão, filho, foi tudo muito rápido. Encerrei o compromisso assim que soube do seu casamento.
— Por favor, não se zangue. Como a senhora disse, foi tudo repentino.
— Meu único filho casou e eu não estive presente... tenho todo o direito de reclamar — ela alisou a face de Eduardo. — Agora, apresente-me minha nora.
— Esta é Evelin. E esta é Lúcia Schramm, minha mãe.
— É um prazer conhecê-la, senhora — Evelin sorriu sincera pela primeira vez, afinal, era a mãe do homem que amava.
A jovem notou que a sogra a observava de forma estranha, mas não disse nada. Quando o patriarca chegou, a atenção de Lúcia voltou-se totalmente para ele.
— Papai! — Lúcia saudou, abraçando o senhor.
— Minha filha! — ele beijou a face dela e dirigiu-se à neta. — Evelin, minha linda neta.
— Olá, vovô Thomas! — ela sorriu, mas o patriarca percebeu algo errado imediatamente.
— Está bem, querida?
— Sim.
— Não parece — o senhor insistiu.
— Não se preocupe, estou bem. Apenas cansada.
— É a faculdade? Lembro-me de que meus dias eram exaustivos naquela época.
— É sim, mas eu gosto. Faz-me sentir bem.
— Gosto disso. Uma mulher que sente prazer no trabalho é um tesouro — disse ele, olhando para o neto.
Thomas beijou a mão de Evelin e saiu para cumprimentar os demais. Ela pediu ao esposo para sentarem, mas ele se retirou sem explicações. Evelin procurou um sofá e sentou-se; estava pálida, embora não percebesse. Bebericou a taça de champanhe sem vontade.
Não muito longe dali, uma morena chamada Carol observava a cena. Aproximou-se e sentou-se ao lado de Evelin sem pedir licença.
— Oi! — cumprimentou.
— Oi — Evelin respondeu, educada.
— Sou Carol, é um prazer conhecê-la.
— Sou Evelin.
Não demorou muito e Alex se aproximou, entregando uma taça a Carol.
— Como está, Evelin? — indagou tranquilo, como se não a tivesse insultado dias antes.
— Bem, obrigada — respondeu seca.
Carol percebeu o clima e pediu licença a Alex para conversar a sós com ela.
— Não se dá bem com o Alex? — perguntou com um sorriso acolhedor.
— Foi apenas um desentendimento, não se preocupe.
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Sou Presa a Você
RomanceEvelin Ferreira, perdeu seus pais aos dez anos e foi morar com seu avós. Eles nunca lhe passaram amor, ou calor humano. Nunca lhe deram o que era preciso, mas exigiram muito quando a forçaram se casar com um desconhecido por contrato. Ela aceitou pa...
