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"Essa mulher é a bola de beisebol e eu sou esta caixa de vidro", comparou. Para ela, Eduardo nunca a enxergaria, mesmo que estivesse quebrada. Esse pensamento a deixou sentindo-se incapaz naquele casamento fajuto. Estava presa a um homem que a desprezava a ponto de não se importar em machucá-la. Esse fora o destino que escolhera; agora, precisava lidar com as consequências.

Existem certas coisas que precisam acontecer para o nosso amadurecimento. O sofrimento muitas vezes surge para que possamos nos aperfeiçoar e crescer; não passamos pelas situações sem um propósito. Como diz Mahatma Gandhi: "A alegria está na luta, na tentativa, no sofrimento envolvido, e não na vitória propriamente dita".

Evelin entenderá isso, mesmo que acredite que esse dia ainda esteja longe.

(***)

As solas dos pés e as pernas de Evelin sofreram cortes profundos pelos cacos de vidro. Ponderou ligar para o marido, mas não tinha o número dele; além disso, não acreditava que ele a ajudaria. Notou o horário e percebeu que a única pessoa que poderia socorrê-la era seu primo. Ela ligou torcendo para que ele já estivesse em Salvador. O telefone tocou três vezes antes que ele atendesse.

— "Já sentiu minha falta?" — ele sorriu do outro lado.

— Louis, me ajuda — pediu ela, chorosa. O homem desfez o sorriso na hora.

— "O que aconteceu? Por que está chorando?"

— Chegou a Salvador?

— "Sim, estou a caminho de casa."

— Preciso da sua ajuda. Pode vir aqui agora? — perguntou fungando.

— "Claro que posso, mas, antes, diga-me por que está chorando" — indagou incisivo. Ela contou o que aconteceu.

— "Porra!" — exclamou irado.

— Louis... — sussurrou ela. Sabia que sua situação era patética, mas não tinha outro jeito.

— Tudo bem, passe-me o endereço. Vou levá-la ao hospital.

— Não, quero apenas ajuda para limpar os cortes — ela não queria ir a uma unidade médica logo após o casamento; as pessoas poderiam comentar.

— Precisa ver se levará pontos — ele insistiu.

— Não quero, primo.

— Tudo bem, pingo — disse carinhoso. — Passarei em uma farmácia antes de ir aí.

Ela agradeceu e desligou. Mandou o endereço e o código da porta por mensagem. Evelin arrastou-se até o sofá sentindo muita dor. O piso de madeira estava sujo de sangue e sua perna não parava de sangrar. Devido ao jejum desde o dia anterior e à perda de sangue, sentia-se fraca.

Louis chegou e a encontrou em uma situação lamentável.

— Acorde, Vinha... — ela abriu os olhos sonolenta.

— Lo? — perguntou, tentando focar a visão.

— Isso, querida. Estou aqui agora. Comeu algo hoje?

— Não.

— Você está fraca. Vou pegar algo para você comer e darei um jeito nesses cortes.

Após organizar os itens que comprou, ele sentou-se no chão para limpar os ferimentos.

— O corte na perna é o mais profundo; levará uns três pontos. Comprei uma pomada anestésica, mas, mesmo assim, doerá.

Ela aguentou tudo em silêncio, embora os olhos transbordassem lágrimas. Depois de limpar o sangue do chão, ele sentou-se ao lado dela e deu-lhe um abraço apertado. Ela chorou mais, sentindo-se protegida.

— Ele te machucou, Vinha. Isso não pode ficar assim.

— Não foi de propósito, Lo. Ele...

— Uma agressão não se justifica, Evelin! — disse sério.

— Sei disso, mas não quero conversar sobre esse assunto — segurou a mão dele. — Deixe-me tomar um banho; depois, faço o nosso almoço.

— De jeito nenhum. Vá tomar seu banho que eu cuido do almoço.

Eles comeram um delicioso macarrão cremoso em silêncio. Ao terminar, ele voltou ao ponto:

— Saia desta casa.

— Não posso. Assinei um contrato e há muito dinheiro envolvido, Louis. Isso prejudicaria nosso avô.

— Estou falando como seu psicólogo: essa situação vai te destruir. Viver assim não é saudável.

— Por favor... — implorou para encerrar o assunto.

— Tudo bem. Mas não force as pernas ou voltará a sangrar. Tome o remédio para dor e o anti-inflamatório.

Eles colocaram o papo em dia até que Evelin escutou o clique da porta. Seu sorriso sumiu. Eduardo chegou e encontrou um homem em sua casa, com as pernas de sua esposa no colo. Seus olhos injetaram-se de sangue.

— Boa noite — saudou frio. Louis levantou-se com um sorriso falso.

— Boa noite — estendeu a mão. — Então é você que gosta de usar força excessiva? Você não tem o direito de machucá-la...

— Quem é você? Do que está falando? — Eduardo indagou, furioso.

— Este é o meu primo Louis, ele já está de saída — Evelin interveio rápido, lançando um olhar de aviso ao primo. Na porta, eles se abraçaram.

— Eu te amo, pingo!

— Eu te amo mais! — respondeu ela, agradecendo baixinho.

Ao fechar a porta, deparou-se com a face gélida do esposo.

— Já sei: esta casa não é minha. Fique sossegado — enfatizou ela antes que ele falasse algo. Ele sorriu gélido.

Sou Presa a VocêHistórias para pegar e não largar. Descubra agora