Chapter 15

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Durante dias a fio, a princesa mais velha de Themyscira se reuniu com o Oráculo, o intuito era minimizar a quantidade de magia que demandaria dela para realizar a passagem entre as terras. Em seu estado normal, Diana não teria problemas em transitar pelos mundos, mas ainda não havia certezas de como seu bebê reagiria a tamanha excedência de magia. Era início de alvorada quando seus pés descalços tocaram a terra fresca, solo do templo adjacente de Hermes, Kal-El e Krypto estavam em seu encalço, enquanto Hipólita, Donna e Philippus caminhavam à frente. A anciã já estava prostrada no centro do lugar, alguns artefatos ao seu redor, enquanto ela ecoava palavras em grego antigo. Clark não se sentia muito à vontade, apesar dos muitos anos que ele assistiu Diana recorrer dias após dia a seus deuses em Asgard, por isso se manteve a uma distância aceitável, não realmente pisando sobre o solo que seria palco do ritual, o que fez com que o enorme cachorro se sentasse ao seu lado, sobre o concreto. As três mulheres adjacentes tomaram seus lugares ao chão, formando um semicírculo. Donna estava em frente ao Oráculo, porém de costas para ela.

- Estamos prontas para o começo, princesa.

Com a confirmação, Diana deixou que seu corpo cedesse sobre seus joelhos, se abaixando face a face com sua irmã. Os olhos da mais nova se fixaram nos seus, e silenciosamente transmitiam paz.

- Estarei aqui a todo momento, aguardando seu retorno.

- Eu sei, irmã. - Com um casto sorriso, seus olhos se fecharam.

As palavras vieram de forma involuntária, um pequeno mantra que aumentou de volume conforme as mulheres se juntaram a ela. Se movendo em desconforto, Kal assistiu o exato instante no qual a longeva segurou a canhota de Donna, fazendo a garota tremular uma áurea vermelha. Seus anos em Asgard o tinham conectado aos rituais e todas as situações possíveis que diziam respeito a magia, embora ainda não fosse seu contexto mais favorável. Mas foi quando a destra de Donna tocou o ombro de Diana, e seu corpo se contorceu de forma não anatômica que ele quis interromper aquele maldito proceder.

- Não! Ela acessou o portal.

Ele não fazia ideia de onde Epione havia surgido, mas fora o empecilho necessário para que ele não interviesse na situação. Foi quando ele pôde captar as pequenas faíscas douradas que rodeavam Diana que entendeu, enfim, que ela havia de fato conseguido.

O salão principal do palácio era palco de uma longa reunião que se estendia por horas, esta se pautava na redivisão de terras com os novos povos que chegaram cativos. Apesar de ser o rei, toda aquela discussão o estava elevando ao tédio supremo, e ele se consertou sobre sua cadeira ao receber uma cotovelada suave e disfarçada de Sif, que se inclinou sobre o trono.

- Eu sei que está enfadado, mas comporte-se como o melhor rei que este reino já teve e lhe recompensarei mais tarde, vossa majestade. - O sussurro de sua esposa teve o efeito desejado.

A reunião continuou até que as portas maciças de ouro rangeram ao serem abertas de forma abrupta. O monarca se ergueu, disposto a repreender a interrupção, que havia sido explicitamente vetada antes do início do encontro.

- Lorde Thor, meu rei, peço perdão pelo estorvo mas há uma situação urgente que necessita de sua atenção.

Suas feições mudaram ao reconhecer o guardião da entrada de Asgard, em uma expressão apática e surpresa.

- Heimdall, o que houve?

- A deusa do panteão grego, meu rei. A guerreira que levou Asgard para o triunfo.

- Diana? Ela está aqui?

- Sim, no portal.

Ele não esperou por continuações ao irromper pelo grande salão, seus passos firmes e apressados o levando para a entrada da cidade. Ele não demorou a reconhecer a silhueta mesmo que a distância, e tão logo estava ao lado da princesa.

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