Krypto se considerava um cão fiel, sim. Ele havia vindo a terra e encontrado Kal-El, apesar de todos os anos que passou perdido naquele lugar escuro e sem vida apagaram parcialmente de sua memória o aroma de seu mestre. Ele o encontrara naquela localidade pacata, embora muito maior, um verdadeiro homem. Desde então, ele cumpriu seu papel, mesmo que Kal o tenha mantido afastado de si por causa de sua humana. Krypto não gostava dela, havia algo naquela mulher que não o agradava, mas Diana... oh Rao, Diana era como uma brisa no calor do verão. O cão sabia que Lois não gostava de Diana, e isso unicamente o tornava mais cético sobre ela, quem não gostava da princesa? Puft, certamente uma pessoa má. Ele sempre se dispusera a servi-la, mas desde que Diana chegara na Fortaleza, carregando em si a prole de seu mestre, sua fidelidade aumentou. Krypto daria a vida por Diana e o bebê de seu mestre.
Um rosnar escapou quando ele girou mais uma vez envolta de seu próprio eixo, a risada de Kara o chamando atenção.
- Andar ao redor da porta a todo instante não é produtivo...
Um woof irritado fez a garota rir mais uma vez, se levantando de sua cama para se aproximar do canino, afagando o espaço entre suas orelhas.
- Eles devem chegar em breve, Krypto, Kal está cuidando deles, não se preocupe. Venha, vamos comer.
Ela abriu a porta do quarto e saiu, lhe cedendo espaço para fazer o mesmo. A contragosto, ele seguiu a loira, ainda cético sobre a situação. Kara havia enganado-o na noite anterior, seduzindo-o com uma farta coxa de carneiro, para que Kal-El e Diana pudessem sair, sozinhos! Como eles puderam ter essa ideia com todo o perigo que enfrentavam, era uma realização que jamais chegaria ao entendimento de Krypto. Suas intuições o levavam a crer que algo ruim se aproximava, o cão odiava essa sensação, seus pelos se eriçavam em sua nuca, como quando Krypton fora destruído.
[...]
As circunstâncias pareciam se desdobrar em looping, ele mal tivera tempo de checar Kal e Diana antes que seu mestre desaparecesse novamente pelo portal, Diana já estava no lugar que ele sabia não poder entrar. Tudo se agitou ainda mais quando as sirenes tocaram, Kara e Donna seguindo para o outro território de Themyscira. Decidido a montar guarda, Krypto se prostrou aos pés da escadaria, seus ouvidos atentos a tudo que acontecia nos arredores da ilha. Fora justamente esta atenção, que o alertara que o perigo já estava aqui. Quando as figuras começaram a surgir do chão, ele reconheceu suas vestimentas, eram amazonas, mas não pareciam vivas. Em posição de ataque, ele se interpôs entre a escadaria e o pequeno pelotão que surgiu a sua frente, sua visão de calor, em uma das figuras que avançou mais que o permitido.
As contrações continuavam a vir, retardando os passos da princesa escadaria abaixo. Sua respiração descompassando conforme seu ventre se contraía, a mente com pensamentos correndo como turbilhão. Pelos padrões comuns, ela ainda estava com recém completados oito meses, mas sabia por Kal que o bebê era boas semanas mais evoluído. Mais uma contração arrebatou seu fôlego, mas a princesa mal teve tempo de processa-la quando seus sentidos sentidos a puxaram para a realidade e seu braço se ergueu a tempo de impedir um golpe em sua direção. Desnorteada, Diana assistiu uma de suas irmãs investindo contra ela de forma incessante, fazendo com que seu lado guerreira precisasse ser acionado. Ela agarrou o punho alheio, o torcendo e retirando a espada de suas mãos, apenas para que tivesse tempo suficiente para processar o que ocorria. Certamente, uma de suas irmãs caídas, e isso era uma obra unicamente de Ares. A amazona voltou a atacar a princesa, mas desta vez ela estava ciente da situação, e agarrando-se a túnica de seu manto, ela girou no ar, derrubando a mulher no chão.
- Perdoe-me, irmã. - Seu sussurro foi audível quando a lâmina perfurou a traqueia, fazendo com que o corpo se desfizesse em pó.
Seu corpo tombou para o lado, e ela respirou fundo, sustentando seu abdômen, tomando alguns segundos para reajustar sua respiração que parecia se perder a cada nova contração. O som de passos atrás de si a alertou, e puxando a lâmina que havia se fincado a terra, seu corpo girou em seu eixo, impulsionando pra cima, a espada empunhada a sua frente, perfurando o abdômen da sua oponente. Ela voltaria a pedir perdão se não ouvisse o grito ao longe, e levantando-se ela viu um machado voando em sua direção. O corpo a sua frente desvanecia, e ela precisou ser ágil para desviar da lâmina, usando a espada como uma lança que acertou mais uma amazona caída. Sua respiração ainda era ofegante quando seu campo de visão periférico alcançou mais duas oponentes.
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Rewrite the Stars
FanfictionApenas mais uma releitura de Immortal Beloved. What if we rewrite the stars? Say you were made to be mine Nothing could keep us apart You'll be the one I was meant to find It's up to you, and it's up to me No one could say what we get to be So why d...
