Cada fibra de seus músculos parecia uma sinfonia de dor enquanto suas pernas tremiam. Um eco do esforço incansável que ela despendeu. Os cortes em sua pele, agora marcada pela intensidade da batalha, ardiam como brasas incandescentes, deixando uma trilha de sensações agudas que ecoavam por todo o corpo. Com a destemida resiliência, ela sustentou o corpo apoiado no punhal da espada, cada inspiração uma lufada longa e ruidosa que ressoava no silêncio pós-conflito. No chão, prostrada e exausta, ela continuava a personificar a resistência, mesmo que sua mente fosse um retrato do oposto.
Tudo que ela queria, que necessitava, era voltar para casa. Kairos e Kal, estes eram os nomes que ecoavam freneticamente em sua cabeça, não importa o quão exausta tivesse, precisava voltar para eles. Seus membros tremularam, e ela quis abdicar de sua honraria de guerreira para se prostrar no chão e chorar. Lágrimas grossas e amargas que eram o simbolismo de seu estado exaurido.
O grande ser personificou-se em sua frente, mais uma vez, como das últimas cinquenta ou cem, ela não se recordava de qualquer maneira. Diferente de antes, foram precisos longos segundos para que ela erguesse seu rosto e encarasse os olhos profundos de rubi, parecia haver fogo dançando nas orbes. Reunindo toda a sua coragem, que àquela altura não era muita, ela fincou os pés no chão arenoso, forçando suas juntas a funcionarem para que ela pudesse levantar.
- Diana, você entendeu?
Ela piscou, demoradamente, arrancada de sua lembrança com a voz de Epione. Seus lábios se fecharam para que ela pudesse engolir o bolo formado em sua garganta, puxando em sua mente o que ela deveria por pressuposto entender.
- Desculpa, Epione, o que disse?
- Diana... - A mulher suspirou em uma clara preocupação com sua princesa. - Estou liberando você da Ilha de Cura porque sei que o que há de ser curado em você agora, não é nada que meus remédios possam auxiliar, nada pode, exceto as pessoas que você ama. Contudo, vá devagar, foi uma espada que mata até mesmo Titãs, você não é a Mulher Maravilha agora, é como uma ferida em uma pessoa comum, leva tempo e cautela. Por isso repouse, o quanto puder e um pouco mais, e não extrapole.
- Ela seguirá a risca suas instruções, Epione. Me responsabilizarei por isso.
A voz máscula que preencheu o recinto fez com que a mulher sorrisse fraco, conhecendo bem aquele tom. Epione suspirou, sabendo que não havia mais nada ao seu alcance que pudesse ser feito.
- Agradeço, Kal-El. Athena deixou porções reservas de ambrosia, é importante que tome todos os dias também.
- Vou me cuidar, irmã, obrigada.
A amazona se despediu, saindo do cômodo que comportava a princesa, deixando os dois a sós. Diana jogou suas pernas para fora da maca, tendo o corpo de Kal ao seu lado quase que imediatamente. Seu olhar recaiu sobre ele, e desta vez, ela não recusou o auxílio, sustentando sua mão nos ombros alheios. O corte ainda doía, um incômodo que irradiava por seu corpo inteiro, muitas vezes a deixando nauseada. Porém, não era esse o motivo de suas pernas fraquejarem. Sua mente estava exausta, como se todas as energias de sua alma tivessem sido drenadas, e talvez, tivesse sido o caso.
- Onde está Kairos?
- Donna e Kara estão disputando por algum tempo de qualidade com ele. Elas ainda se sentem as protetoras responsáveis. - Brincou, sua mão circulando a cintura alheia com cuidado. - Meus pais voltarão em breve, Thor se disponibilizou a auxilia-los na fazenda.
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Rewrite the Stars
FanfictionApenas mais uma releitura de Immortal Beloved. What if we rewrite the stars? Say you were made to be mine Nothing could keep us apart You'll be the one I was meant to find It's up to you, and it's up to me No one could say what we get to be So why d...
