Diga isso de novo, por favor?

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Eu já havia faxinado todo meu apartamento e limpado todos cômodos, espanei meus livros, organizei meu closet, limpei minha cozinha inteira do chão ao teto, aspirei meus tapetes e sofá, abri e limpei todas as janelas, lustrei o piso de madeira, limpei meu quarto, troquei a roupa de cama, separei a roupa suja para a lavanderia, eu já havia escolhido minhas roupas para o cliente de hoje a noite, eu já havia checado minhas finanças, eu já havia pago minha minhas contas, tudo, tudo... eu só não limpei banheiro pra não ter que lidar com o maldito bilhete dela.

Eu estou enlouquecendo de curiosidade sobre o que ela pode ter dito, a filha da puta alugou um apartamento de 500m² na minha cabeça com aquela simples conversa de bar e menos de meia dúzia de palavras em russo, toda aquela energia caótica e toda aquela aparência incrível... Inclusive ela me ofendeu, e Rick me ofendeu também, filho da puta, quando eu o vir novamente eu vou acertar as bolas daquele imbecil, não é por que eu trabalho como prostituta que eu vou ser desrespeitada.

Eu estava sentada na minha cama encarando o maldito bilhete por uns 40 minutos agora. Eu não deveria estar reagindo dessa forma a uma situação tão simples. É como o trabalho, me ofereceram uma oferta de trabalho, eu neguei e deveria estar vivendo a vida sem me perturbar com isso.

Eu só estou curiosa do porquê uma mulher como aquela teria um interesse tão súbito em mim. Eu sei que sou bonita, sou inteligente, eu sei que posso me segurar numa conversa, eu sou gentil, pago as minhas contas, sou limpinha...

Não há motivos para alguém não se interessar por mim ao me conhecer.

O curioso aqui é que ela não sabe nada disso, não me conhece e ainda assim estava toda sobre mim como se eu fosse a merda mais importante do mundo.

Escutei a campainha seguida de batidas na minha porta. Eu não deveria receber minha encomenda de supermercado em pelo menos duas horas, será que foi adiantado? Isso é ótimo. Eficiência é sempre apreciada. Eu preferia solicitar tudo online, e funcionava muito bem pra mim, mais cômodo, mais seguro, somente o mercado e Jéssica tinham meu endereço, eu prezava pela privacidade, e estava muito feliz de poder ter isso antes do almoço.

Eu estava nojenta, suada, com uma roupa que tenho certeza que está rasgada em vários pontos, meu short mal cobre minha bunda, eu tenho meu cabelo suado, oleoso e desgrenhado, eu provavelmente devo cheirar a suor no mínimo. Não é como se eu quisesse parecer bem o tempo todo, estou na minha casa então eu não me importava que o garoto da entrega me visse assim, eu penso que é insalubre ter que viver pronta e perfeita, então eu gosto de parecer uma mendiga nos dias de faxina pelo menos, e somente Deus pode me julgar aqui.

Eu tirei uma nota de 20$ pra ele só por ele ter que ser exposto ao meu mau odor e estar adiantado.

Eu abri a porta me abaixando sem olhar pro garoto pegando algumas correspondências que provavelmente meu vizinho trouxe, e acenei com a mão pro garoto entrar.

O barulho das botas dele de sempre parecia diferente, era mais como o barulho de salto alto, eu virei pra olhar a pessoa agora dentro do meu apartamento e cai sentada em minha bunda horrorizada.

Eram Stilletos, não botas, preto e cinza, brilhantes e caros, não as botas que sujaram meu carpete todas as vezes. Era uma calça de alfaiataria elegante cinza, não jeans feios e sujos, havia uma blusa preta minúscula exibindo um abdômen muito bom, e não era nada como a camiseta encardida e suada do menino.

Nada aqui estava me ajudando... e eu sei que estou demorando nisso, mas é que eu vejo daqui... há muita pele e não há sutiãs envolvidos. Muita informação.

Havia também um buquê de pelo menos 70cm de diâmetro... no mínimo, e não sacolas de mercado. Era um cabelo loiro, curto e solto, incrível, e não o gorduroso e sujo de sempre do adolescente, muito menos era o menino deslumbrado de sempre com minha beleza.

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