Data:
20 DE JULHO DE 2038
Horário:
16:00
- Olha só quem resolveu aparecer. Então é verdade o que dizem: quem está vivo sempre aparece.
- O senhor tem muita sorte por eu não ter vindo em nome da Polícia de Detroit, caso contrário seria levado preso por desacato - Jade não pôde deixar de brincar, permanecendo do lado de fora da tão enorme e luxuosa casa - Não é só porque é um pintor famoso que tem permissão para fazer o que quiser - entregou então o pacote pequeno e perfeitamente embrulhado que havia trago consigo, sorrindo.
- A fama tem suas vantagens - o mais velho entrou na brincadeira, uma risada rouca deixando seus lábios.
- Com licença, Carl - Markus, o android do homem, pediu ao se aproximar - O café da tarde já está servido.
- Markus, prepare outro lugar na mesa, por favor. Temos uma convidada de honra hoje.
- Não, não precisa disso não! Tenho que chegar no departamento antes que o tenente Anderson exploda.
- Pelo menos beba uma xícara de café - o Manfred continuou a insistir - Eu nunca recebo visitas, Jade. Não deixe este velho preso em uma cadeira de rodas continuar apodrecendo na solidão.
- Carl pode ser exagerado às vezes - alertou o android como uma forma "inocente" de a tranquilizar, causando risadas na jovem.
- Foi mal, mas aproveitei o caminho do departamento só pra dar um "oi" e trazer seu presente de aniversário atrasado - explicou enquanto o observava abrir, prestando total atenção em sua reação.
- Tintas. Por que será que eu não estou surpreso?
Carl sorriu ao abrir o presente que recebeu, fazendo questão de abrir os potinhos e verificar todos eles com admiração em seu olhar. Markus sorriu com aquilo, era raro vê-lo tão alegre daquela forma na companhia de outra pessoa, significando o quão especial aquela garota era.
- São tintas naturais. Sei que não costuma usar nas suas obras, mas nem tudo são sobre as suas obras - explicou ainda sorridente, orgulhosa de sua escolha.
- São lindas, muito obrigado. Com toda certeza vou usá-las em minhas próximas obras.
- Sério mesmo? Vai ser demais! - Não conseguiu segurar sua animação, ganhando risadas do mais velho - Foi mal, acho que acabei me empolgando um pouco - riu sem graça - Bom, já vou indo, não tô afim de ficar levando bronca bem na véspera da minha folga.
- Então volte amanhã, não se esqueça de que me deve uma companhia para o café da tarde.
- Tudo bem, você venceu. É mesmo impossível dialogar com o senhor, Manfred.
...
Data:
7 DE NOVEMBRO DE 2038
Horário:
13:00
- Chegou bem mais tarde hoje - Kammilly foi rápida em notar a chegada da morena, juntando-se a ela.
- Acabei dormindo demais - suspirou enquanto se sentava em cima da mesa, deixando suas pernas balançarem suavemente para frente e para trás.
- Foi no velório?
- Não. Decidi fazer uma visita depois do enterro. Só assim vou poder ter um tempo a sós com ele.
- Eu sinto muito mesmo pelo que aconteceu... Não deveria ter acontecido daquele jeito.
- O que aconteceu lá naquela noite?
- Leo e o android entraram em conflito. Por conta disso Carl teve um ataque cardíaco e o android foi acusado de ter atacado Leo.
- Também acusado de divergência então.
- Exato. Como você sabe, Leo tem vício em Rubrite e como a polícia recebeu um alerta de invasão penso que ele tenha invadido a casa pra pegar as pinturas e vender. Não tem como acreditar totalmente na história dele.
- Entendo - um suspiro pesado deixou suas narinas - Não sei nem como te agradecer.
- Você sabe que não precisa - a loira sorriu e logo seu olhar se voltou para trás da Collins, avistando Connor que se aproximava - Seu android acabou de chegar. Vou deixar vocês dois a sós.
- Valeu - ergueu a mão como despedida, observando-a fazer o mesmo enquanto se afastava.
- Bom dia, detetive - cumprimentou Connor - Me disseram que acabou de chegar. Chegou mais tarde hoje, fora do habitual.
Era como se um ponto de interrogação enorme tivesse aparecido no topo da cabeça de Jade. Aquela pequena interação com o divergente do dia anterior fez com que mais dúvidas aparecessem em sua mente e por mais que se esforçasse não conseguia entender, afinal androids eram computadores com braços e pernas, certo? Como era possível sentirem tantas emoções daquele jeito?
- Androids choram? - A pergunta deixou seus lábios. Havia visto perfeitamente lágrimas deixarem os olhos daquele android de ontem. Ele chorou, não tinha dúvidas disso.
- As principais funções das lágrimas nos humanos é a de lubrificação e limpeza de qualquer resíduo que possa prejudicar a saúde dos olhos. Nos androids as lágrimas funcionam da mesma maneira: lubrificação e limpeza para evitar danos, garantindo um melhor desempenho destes biocomponentes.
- Então... eles choram.
- Situações de extrema tensão afetam a funcionalidade do sistema e do software dos divergentes, levando-os a simular emoções. Afeta toda a funcionalidade, ocasionando a lubrificação e limpeza excessiva dos olhos.
- Certo...
- Mais alguma informação que gostaria de saber? Os humanos costumam ter muitas dúvidas em relação aos androids.
- Por enquanto não me vem mais nada em mente.
- Então eu posso fazer uma pergunta pessoal, detetive?
- Claro, fique à vontade.
- Aqueles desenhos colados na parede do seu apartamento, foi seu sobrinho quem fez?
Não se surpreendeu com aquela pergunta. Era um android detetive acima de tudo.
- Na verdade não foi só ele - Jade sorriu com a lembrança - Tem uns desenhos velhos meu e do meu irmão também, de quando éramos crianças. Resolvi colar lá como um mural de lembranças. Sempre que paro pra ficar olhando sinto os dois lá comigo.
- Eu sinto muito.
- Você sente mesmo ou essa fala é só parte da programação? - A jovem brincou, porém seu sorriso logo se desfez quando o viu inquieto, a cor amarela brilhando em seu LED. Era como se aquele comentário tão bobo tivesse, de alguma forma, mexido com ele - Tá tudo bem aí?
- Por que não estaria? - O android respondeu, podendo ser facilmente percebido uma leve gagueira durante a resposta. A Collins mal teve tempo de pensar direito, sendo interrompida por Chris.
- Detetive, um homem acabou de entrar em contato afirmando ter visto um dos moradores entrar no prédio tentando esconder um LED na cabeça.
- Sabe do Hank? - Ela perguntou enquanto se levantava da mesa com um pulo.
- Ele não apareceu aqui hoje.
- Tá legal - esfregou o rosto com ambas as mãos, uma tentativa de organizar seus pensamentos - Me envia a localização. Connor e eu vamos atrás do Hank e ir direto pro local.
- Boa sorte, Jade.
A menor apenas acenou com a cabeça, tirando as chaves do bolso enquanto caminhava apressadamente em direção ao estacionamento, que se localizava ali no subsolo.
- É a primeira vez que a vejo com um carro - comentou o android em uma tentativa de quebrar o silêncio que havia sido formado.
- O Hank não curte esses carros tecnológicos, então a gente acaba usando o carro dele sempre.
Adentrou o carro, observando Connor fazer o mesmo antes de dar partida.
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commotion
FanfictionJade Collins, uma detetive renomada da Polícia de Detroit, é tirada de seu sono tranquilo durante uma noite chuvosa para mais um caso de homicídio ao lado de seu parceiro Tenente Anderson e uma presença tanto quanto inusitada. Entretanto, o que pare...
