capítulo 32

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May

- Rita, eu te agradeço por tudo que fez por mim, mas eu tomei minha decisão.- digo com firmeza. 

- Decisão de morar com estranhos? É uma decisão burra. - fala.

- Pode até ser, mas eu quero isso, eu quero ir além, não aguento mais ser a bonequinha intocável que todos tentam proteger, eu cresci e posso seguir meu próprio caminho.- desabafo.

- Está indo para um caminho de perdição, acha que seus pais gostariam disso?- aponta o dedo pra mim.

- Sinceramente, Eu não sei o que eles esperam de mim, mas eu sei o que eu quero.- vou em direção à porta.

- Você não sairá daqui.- segura meu braço me impedindo de prosseguir.

- Rita, por favor entenda. Eu tenho direito de fazer minhas próprias escolhas.- digo tentando me soltar.

- Não posso deixar, eu assumi um compromisso com seus pais e pretendo cumprir.- ela começa à me puxar.

- Rita, eu sei me virar, não dificulte as coisas, por favor.- começo à fazer força, mas ela é mais forte que eu.

- Vamos já pro seu quarto.- diz irredutível.

- NÃO!- grito e ela fica estática. - Você não é minha mãe, não manda em mim, eu vou embora daqui você goste ou não.- digo irritada.

Ela me solta, e fica me olhando sem dizer nada, o marido dela deve ter ouvido o grito e veio até a sala.

- O quê está acontecendo? May você está bem?- ele me olha preocupado.

- Mayara está indo embora de casa. - Rita diz e ele me encara assustado.

- Mas por quê? - suspiro antes de responder.

- Vou morar com uma amiga em Manhatam, é mais perto do trabalho e do curso de ingles. - me justifico, o ouço respirar aliviado.

- É um absurdo, vai morar com estranhos. - ela torce o nariz.

- Rita, May precisa ter as próprias experiências, trilhar os próprios caminhos, não pode manter ela pra sempre numa redoma. - ele fala olhando pra esposa, que o encara como se fosse um fantasma.

- Ela é inexperiente, pelo amor de Deus. - respiro fundo para tentar manter a calma.

- E como se ganha experiência? - ele revira os olhos. - Deixa ela ir.

- Você ainda irá se arrepender dessa decisão.- ela sai da sala.

- A raiva dela logo passa.- ele diz.- Boa sorte May! E essa casa sempre estará de portas abertas pra você.- ele diz e isso me emocionou, corri para abraçar ele.

- Obrigada! De verdade.- tento não chorar, ele sempre me apoiou desde que cheguei como um pai.

- Seu uber chegou.- ele tenta disfarçar as lágrimas.

Coloquei as malas dentro do carro, olhei uma última vez pra casa, há exatos seis meses eu havia chegado nesse país, só sabia falar Hi e Thank you, e hoje estou dando mais um passo.

Quero ter um lugar só pra mim, quero ter meu hamster, fazer meu chocolate quente e observar a neve cair pela janela, é simples, mas esse é o meu sonho de vida.  

Entrei no carro e respirei fundo, todo novo ciclo assusta, mas vou encarar isso, eu não sou mais aquela menina assustada que chegou aqui sem rumo.

O trajeto até o apartamento de Edi não é tão longo, mas o trânsito estava caótico logo cedo, ficamos parados uns 10 min em frente à Universidade de Nova York, fiquei observando por algum tempo, alunos entrando, nossa deve ser o máximo estudar aqui.

Love in the darkHistórias para pegar e não largar. Descubra agora