Capítulo 57

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May

- Você o quê?- questionei ainda desacreditada com o peso dessa informação.

- Se eu não tivesse trocado os exames, você teria contado para Milla e Deus sabe teria acontecido com esse bebê. - ela fala chorando, eu fico imóvel incapaz de argumentar com essas palavras.

- Mayara? - Rita abre a porta e entra como um furacão, ela se aproxima com os olhos marejados, lancei um olhar pra Edi, com certeza foi minha amiga quem ligou. - Como você está? - ela tocou em meu rosto.

- Bem, foi só um susto - respondo, mas meu corpo doía muito.

Edi praticamente arrastou o médico pra fora do quarto, antes que ele falasse de novo que estou grávida e eu teria mais um pepino nas mãos pra resolver.

- O que aconteceu? - ela pega em minha mão.

- Eu fui atropelada por um cara de bicicleta e a culpa nem foi dele, eu estava distraída com...- as lembranças do corpo do Brahim sendo arremessado pelo carro fez minha garganta se fechar.

- Com?- ela insistiu, mas as lágrimas foram inevitáveis.

- Um amigo foi atropelado na minha frente, eu fiquei paralisada e não vi a bicicleta - jogo tudo pra fora, tentando me sentir um pouco melhor.

- Oh meu Deus! E como ele está?- pergunta preocupada.

- Se sobreviver será um milagre - minha voz mal sai, toda vez que fecho os olhos eu o vejo cair inerte bem em minha frente.

- Vamos confiar em Deus, May - balanço a cabeça concordando.

Ela ficou alguns minutos e implorei para que ela não contasse para aos meus pais, isso os deixaria em pânico, e chega de preocupações causadas por mim.

Edi abriu a porta e entrou, atrás dela Chris e Henry, meus olhos encontraram os do homem que eu amo, e de novo comecei a chorar, ele correu até mim com olhar perdido.

- May! - ele se ajoelhou perto da cama, pegou minha mão e levou até os lábios, seus olhos estavam fechados, mas mesmo assim as lágrimas banhavam seu rosto, que ganhou uma cor avermelhada. - Eu quase morri de pensar em viver num mundo sem você - suas palavras saíam pesadas e um pouco engasgadas. - Eu fiquei desesperado - o choro silencioso se tornou audível,  e meu coração doía ao ver ele sofrendo.

- Eu estou bem - murmurei tentando o acalmar. - Olha pra mim - ele abriu os olhos e me encarou, mas seus soluços não diminuíram.

- Não suportaria se algo acontecesse com você meu amor, eu ficaria louco - seus olhos demonstravam toda a sua dor, e eu a sentia.

- Foi só um susto - toquei em seu cabelo. - Vem cá - o puxei para um abraço. - Oi Henry - falei com meu amigo que estava abraçado com Edi e nos observava em completo silêncio.

- Você nos assustou May - eles se aproximaram da cama.

- Só mais um dia normal na minha vida - tentei deixar as coisas leves. - Atropelamentos, quedas e afins - tentei rir, mas a dor em meu corpo me impediu.

- Sinto muito pelo Brahim - ele falou com olhar sério.

- Ele vai se recuperar, assim espero - falei tentando me manter com esperança.

- Ele será transferido para um hospital de melhor qualidade - Henry me informou.

- Aqui não tem saúde pública, como ele vai pagar outro hospital? Nem sei como eu vou pagar também - problemas e mais problemas.

- Não se preocupe com isso May, toda a permanência do espanhol em outro hospital já está paga, assim como a sua - Henry falou e o olhei confusa.

- Quem pagou? - questionei e ele olhou para o Chris. - Você pagou? - ele olhou feio para o Henry.

Love in the darkHistórias para pegar e não largar. Descubra agora