Capítulo 59

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May

Hoje é o meu dia de visitar o Brahim, aconteceram tantas coisas, minha cabeça está muito confusa, e agora vou ter um filho, como vou falar isso para o Chris? Respiro fundo e me encaro no espelho do banheiro.

Se não fosse Edi estar ao meu lado todo esse tempo, não sei o que teria acontecido, e o que mais me intriga é o que será que Brahim precisava me contar de tão urgente assim?

A cena do carro batendo de maneira violenta contra o corpo dele me faz ter náuseas de novo, desde ontem estou sentindo aquele bolo na garganta, uma angústia no peito.

Lavo meu rosto, sentir a água fria na minha pele fará meus pensamentos negativos darem uma trégua, parece que vou enlouquecer.

Uma batida na porta me faz dar um pulo de susto.

- May?- ouço Edi me chamar.

- Estou indo. - murmuro sem forças.

Não sei se consigo ir até o hospital ver o Brahim, sinto que será muito doloroso, mas eu preciso ser forte, ele precisa de mim.

Edi já me esperava na sala, fomos até o hospital caminhando, eu não disse uma palavra e nem ela, somos conectadas mesmo no silêncio.

- Tem certeza?- ela sussurrou quando chegamos na porta do hospital, apenas balancei a cabeça confirmando, mas era mentira eu não tinha certeza.

Conversamos com o médico, e ele me autorizou a entrar.

Quando a porta se abriu meu coração se quebrou, ele estava entubado e imóvel, por Deus, ele parece estar morto, não segurei minhas lágrimas.

Caminhei lentamente até seu leito, não sei o que era mais perturbador, o tanto que meu coração batia acelerado ou o barulho dos equipamentos que o mantinham vivo.

Meu corpo tremia como se eu estivesse andando na neve.

O médico disse que ele pode me ouvir, mas eu só tinha visto isso em filmes, e parecia até romântico, porém vivenciar na vida real é muito assustador.

- Oi Brahim. - tentei falar sem chorar, mas foi impossível. - Eu...- minha voz se calou.

Observei seu rosto por alguns instantes, tentando controlar meu choro. O que será da família dele, se ele partir?

Ele é tão jovem.

Ele tinha tantos sonhos.

Esses pensamentos me jogaram de vez no buraco sombrio das minhas lágrimas amargas.

- Brahim, você não pode partir, por favor...- falei com voz embargada. - Eu preciso de você aqui. - levei minha mão até sua testa. - Eu estou grávida, e sei que você ficará muito feliz por mim.- sussurrei por entre lágrimas.

- Você me prometeu que iria para o Rio conhecer meus pais, e promessa é dívida eterna.- tentei sorrir. - Eu não sei se você pode me ouvir...mas se puder...lute por sua vida, lute por seus sonhos, lute pela sua família... Estou assustada com o fato de ser mãe, mas sei que tenho pessoas incríveis em minha vida, e tudo dará certo...- eu tento me convencer disso, o tempo todo.

- Amanhã eu volto aqui de novo.- peguei em sua mão.

- Eu te amo! - beijei sua testa.

Saí do quarto ainda meio tonta, me sentei um pouco para poder respirar, Edi veio ao meu encontro.

- Tudo bem?- ela perguntou se sentando ao meu lado.

- Eu não sei...- foi bem mais sincero que eu imaginava.

Ela me abraçou e de novo eu não segurei as lágrimas.

- Vamos pra casa?- concordei com a cabeça sem conseguir responder.

Fui direto pro meu quarto e deitei na minha cama, e adormeci, não lembro quanto tempo eu dormi, quando acordei vi Chris sentado nos meus pés.

- Chris?- o chamei.

Ele me olhou em silêncio.

- Como você está?- mesmo com a pouco luz em meu quarto, notei que seus olhos estavam vermelhos.

- Bem...eu acho.- respondi incerta.

- Os pais dele chegaram...- notei um pesar em suas palavras.

- Chris ? O que aconteceu?- será que Brahim morreu e ele não quer me dizer?

- Eu só me sinto péssimo...meses atrás eu o quis matar com minhas próprias mãos, por ciúmes...- ele abaixou a cabeça.

- Chris? Ele morreu? Me diz a verdade por favor. - dei um pulo na cama.

- Não! Ele não morreu, May, pode ficar tranquila.- suspirei aliviada. - Eu agi como um animal e me envergonho por isso, eu o vi naquele hospital e minha consciência pesou. - Chris estava chorando.

Toquei em seu rosto, ele me olhou ,seus olhos azuis estavam perdido em lágrimas.

- Está tudo bem! - murmurei olhando em seus olhos.

- Não está! Eu quase o matei, qual ser humano faz isso? Eu te amo mais que tudo em minha vida, mas você não é minha propriedade...- cada palavra que ele falava parecia que seu sofrimento aumentava.

- Chris isso já passou...- ele negou com a cabeça.

- Se ele morrer, eu nunca vou me perdoar....- mais lágrimas brotavam em seus olhos.

- Chris, isso não é culpa sua.- segurei seu rosto com minhas mãos. - Você está fazendo tanto por ele, pagou o hospital, pagou as passagens da família e todas as despesas.- ele fechou os olhos.

- Fiz porque sei o quanto você gosta dele...- beijei seus lábios.

- Não! Você fez porque tem bom coração. - ele me abraçou.

- Você consegue ver um lado meu, que eu mesmo, desconheço. - me apertou em seus braços. - Eu sei o quanto ele é importante pra você, bombom.- eu simplesmente me derreto quando ele me chama assim.

- Foi muito doloroso o ver naquele hospital, imóvel.- confessei.

- Imagino que sim. - beijou o topo da minha cabeça. - Estou aqui para você minha princesa, estou do seu lado, e quero pedir perdão por todas as vezes que fui impulsivo e inconsequente. - o encarei meio confusa.

- As vezes gosto do seu lado inconsequente. - ele dá um meio sorriso.

- Inconsequência pode gerar muitas consequências ruins, bombom. - coloca uma mecha do meu cabelo atrás da orelha.

- Eu te amo, Chris! - as palavras pularam da minha boca.

- Eu te amo muito mais, pode acreditar. - levou minhas mãos até sua boca e beijou uma por vez.

Tudo nesse homem me faz querer ser inconsequente, todos os meus átomos pulsam por ele.

Meu corpo grita pelo dele.

Eu preciso contar que estou grávida, que teremos um filho.

Um filho nosso, fruto do nosso amor.

- Chris...eu estou...- e seu celular toca quebrando o clima.

- O quê?- ele atende. - Estou indo.- se levanta apressado.- Preciso ir, meu amor.- beija minha testa.

Ele se vai e eu fico sozinha com minha frustração.

Não sei se eu e essa criança teremos espaço na vida dele.

#chrismay

Obs; Pois bem, voltei a postar os capítulos, vamos pra reta final dessa loucura chamada Love in the dark.

Setembro é o mês da nossa bombom, May, como sou simbólica resolvi finalizar a história como presente de aniversário 🎂

When It's Cold I'd Like To Die - Moby

Essa é a música tema desse capítulo, quem gostar e tiver estômago ouça enquanto lê 💔




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⏰ Última atualização: Sep 01 ⏰

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