capítulo 19

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May

Eu não sei se consigo aguentar levar essa relação adiante, o sentimento que tive ontem foi de total vergonha, mesmo o policial não ter visto meu rosto, fiquei muito envergonhada.

Um ator mega famoso flagrado em uma situação comprometedora no carro, óbvio que o policial pensou que eu era uma garota de programa, suspiro fundo.

Vejo meu reflexo no espelho, meus olhos estão inchados, a noite foi péssima, chorei até quase desidratar, e agora estou vendo o estrago em meu rosto.

Hoje é minha folga e havia combinado com a Edi de irmos ao Bryant Park, mas estou sem nenhuma animação pra sair.

Meu celular tocou e era a própria, pensei em não atender, mas ela não tinha culpa dos meus problemas, então resolvi atender.

- Oi.- digo tentando disfarçar minha voz triste, porém sem sucesso.

- Bom dia, flor do dia.- respondeu animada, pelo jeito ela e Henry se entenderam. - O que aconteceu?- pergunta preocupada.

- Nada...- respondo-...e você e Henry, conseguiram se entender?- mudo de assunto.

- Quem nada é peixe, a senhorita pode ir falando o que aconteceu?- insiste e eu não quero falar, ou melhor, não consigo.

- Não aconteceu nada. - suspiro fundo.

- Te espero aqui em casa, você vai me contar sim, sou sua amiga e estou do seu lado, poderia ir aí, mas aqui temos privacidade.- Ela fala e ela está certa, aqui não tem como conversarmos.

- Tá bom...eu...- minha voz fica embargada.- Daqui a pouco chego aí. - digo e desligo.

Talvez eu precisasse mesmo desabafar, pôr pra fora, estou me sentindo sufocada pelos meus próprios sentimentos.

Tomei um banho e fui até Manhatam, estava tão perdida em meus pensamentos que nem vi a hora que o metrô chegou na estação. A quinta avenida estava muito movimentada, e não eram nem 9 da manhã.

Cheguei no apartamento da minha amiga e toquei a campainha, levou alguns segundos até a porta ser aberta, foi Henry quem abriu.

- Bom dia May!- ele sorriu alegre.

- Muito bom dia por sinal...- forcei um sorriso, eu estou feliz por eles, merecem a felicidade.

- Entra May. - Edi apareceu sorrindo, Henry abraçou sua cintura, eles são lindos juntos, meu shipper favorito.

- Eu preciso ir, vou gravar até meia noite.- ele disse calmo, esse homem é um poço de calmaria.

- Vai vir dormir aqui?- ela pergunta baixinho .

- Com certeza pequena, estou levando uma das chaves.- ele a beijou com carinho, antes de ir.

- Tem chocolate quente...- ela me abraça.

- Vou me mudar pra cá, todo dia tem chocolate quente. - tento sorrir de novo.

- Seria uma boa idéia, mas agora me conta o que aconteceu?- nos sentamos.

- Ontem Chris estava me esperando, e fomos pra uma rua deserta.- começo à contar.

- Pra namorar?- me encara com olhar malicioso.

- Sim. - abaixo meus olhos pra caneca. - E um policial nos parou.- digo com dificuldade.

-Meu Deus! - seus olhos se arregalam.

- Eu estava literalmente no colo dele, quando o policial bateu na janela do carro, comecei à tremer de medo, já pensou no escândalo se fôssemos parar na delegacia?- só de considerar essa hipótese, fico apavorada.

- Não é bom nem pensar...- ela sussurra.

- E pra piorar, Chris pagou 100 mil dólares para o policial nos liberar. - levanto a cabeça para respirar.

Ela cobriu a boca com as mãos.

- E por mais que eu ache suborno algo inadmissível, fiquei feliz pelo policial aceitar o dinheiro e não nos encaminhar para um distrito.- desabafo.

- Acho que nesse mundo "glamuroso" dos astros de Hollywood existe muitas coisas da quais não estamos acostumadas. - balanço a cabeça concordando. - Comprar o silêncio de alguém é algo recorrente nesse mundo.- Edi tem razão, quantos silêncios são comprados para evitar escândalos.

- Eu me senti muito mal, muito envergonhada,desconfortável..talvez esse mundo não seja pra mim.- consegui falar, apesar da ardência nos olhos, por causa das lágrimas, que estão querendo aparecer.

- Falou com ele?- perguntou.

- Não, ele ia começar à gravar bem cedo.- esfreguei meus olhos.

- Como está se sentindo hoje?- seu olhar era de compreensão.

- Um pouco melhor, mas sentindo uma angústia dentro do peito.- aponto para mim.

- Que tal tirarmos o dia pra fazer coisas de amigas? E esquecer pelo menos por um dia, que estamos envolvidas com dois astros de Hollywood. - acabo rindo.

- Você não existe...- balanço a cabeça rindo.

- Vamos na Victoria Secrets, depois vamos nos entupir de doce na loja da M&Ms.- penso por alguns segundos.

- Tá bom, você me convenceu. - Ela me abraça. - Obrigada por estar ao meu lado.- agradeço.

- Amizade é isso, você nunca desistiu de mim e do Henry, então nunca vamos desistir de você e Chris.- deixo algumas lágrimas caírem finalmente. - Vamos comer alguns Donuts?- propõe.

- Sim, acho que um pouco de açúcar pode animar. - e eu amo doce.

Edi trocou de roupa e descemos rumo à time square, ainda me sentia um pouco mal pelo que aconteceu na noite anterior, mas conforme os minutos foram passando eu fui começando à me divertir com o passeio.

Comemos Donuts, bebemos um frappuccino, e entramos na Victoria Secrets, eu nunca havia me dado o luxo de entrar nessa loja, por mais que quisesse.

Eu me senti no paraíso, havia tantos hidratantes, body splash, perfumes... um dia sonhei em comprar enquanto morava no Rio, mas claro que era algo fora da minha realidade.

Mas aqui o poder de compra é muito maior e vejo que realmente eu posso comprar, não tudo de uma vez, mas um ou outro eu consigo pagar.

Vi a seção de calcinhas, eram tão minúsculas, Edi me mostrou uma da cor rosa bem estilo fio dental.

Peguei e analisei a peça, eu ainda não havia conversado abertamente com Chris sobre nossa primeira vez, ele até tentava falar, mas eu mudava de assunto, por timidez.

Mas acho que esteja na hora de começar à pensar no assunto, vou fazer 23 anos, e ele 39. Apesar do medo de perder a virgindade, era algo inevitável, as coisas entre nós estão ficando cada vez mais quentes.

Gostaria muito de me casar virgem, mas agora minha realidade era outra, estou apaixonada por um cara bem mais velho, casado e com filhos. Eu seria muito alecrim dourado, pensar que ele vai querer casar, sendo que ele ainda nem divorciou....

As coisas mudam de uma hora pra outra, essa é a vida.

Já fora da loja, seguimos até o Bryant Park, como estava nos nossos planos, o sinal fechou e fomos atravessar a rua e um carro freou praticamente na nossa perna, por pouco não nos derrubou.

- O sinal estava fechado, você está errado.- bati com a sacola da Victoria secrets no capô do carro vermelho.

Hoje eu não estava num dia bom.

- Desculpa, eu me distraí...vocês estão bem?- o motorista desce do veículo com expressão preocupada e quando reconheci o rosto do homem, fiquei pálida.

- Você?

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Love in the darkHistórias para pegar e não largar. Descubra agora