Carolina
Meu corpo ainda reage à presença imponente daquele homem, minhas mãos espalmadas sobre a madeira fria tremem levemente, arranho a madeira com minhas unhas curtas e tomo um longo fôlego enchendo meus pulmões e solto o ar devagar. Espio novamente as tramelas que trancavam aquela porta deixando a entrada da casa segura e com os dedos ainda trêmulos as giro deixando-as retas, meus dedos agarram a argola de ferro e sinto o peso do metal em minha mão, puxo a porta um pouco pesada em minha direção, as dobradiças rangem ao que abro somente uma fresta, espaço o suficiente para espiar lá fora. Nada, não tinha mais ninguém ali. Somente aquele lampião emitindo um suave ruído rangente ao balançar por causa do vento fraco e frio lá de fora, boto a cabeça pra fora e espio ao redor não vendo muita coisa ao longe já que a luz amarelada fornecida pela pequena chama ondulante do lampião proporciona uma curta distância de claridade.
Suspiro profundamente e fecho a porta novamente, movendo as tramelas para tranca-la.
Toco a pele de atrás da minha orelha, onde ainda posso sentir perfeitamente o formigamento que o toque daquele homem causou ali.
-Que droga Carolina, pare de pensar nisso! Brigo comigo mesma ao notar que estava permitindo que aquele cara mexesse demais com minha mente. Frustrada, vou até os galões de água que Oliver me mostrou e pego o balde o enchendo com um pouco de água e o levando até a lareira, fazendo exatamente o que ele me ensinou. Enquanto a água esquenta, retiro minhas botas e meias grossas o suficiente para aquecer meus pés naquele lugar extremamente frio. E só então percebi algo que me fez bufar e dar um tapa em minha própria testa.
"Meu casaco, o maldito casaco havia ficado na taberna"
-Idiota! Ofendo a mim mesma em aborrecimento, aquele era o melhor casaco que eu trouxe.
-Bem, amanhã vejo se Oliver me acompanha até lá para recuperá-lo! Exclamo, me aproximando da lareira para ver se a água no balde já esquentava, mas foi algo impossível por causa da escuridão que a parte de dentro do balde se encontra, não pude ver ao menos a água ali dentro. -E agora?. Questiono-me, esfregando a testa em frustração. -Bom, esperarei mais alguns minutos! Determino, me sento na cama improvisada que Oliver fez com pele de animais e cobertores. É confortável e a lareira acesa fornece uma temperatura agradável pela distância.
Observo as chamas de um amarelo vivo devorar lentamente a madeira amontoada, madeiras que futuramente se tornarão apenas um monte de cinzas. O som crepitante do fogo consumindo o combustível que o mantém "vivo" é acompanhado por estalidos suaves de gotas caindo sobre o telhado, um trovão retumba ao longe, estrondoso o suficiente para me assustar. Aos poucos o chiado abafado da chuva que se mantinha calma, foi ficando cada vez mais alto à medida que ela engrossa, um trovão retumbou novamente, dessa vez mais perto, o barulho explosivo e violento provoca por alguns segundos uma vibração. Está nessa cabana mal iluminada, com uma chuva forte caindo lá fora não é exatamente o que eu esperava na primeira noite em Sitka, mas bem, era o que estava acontecendo nesse momento.
Bocejo já sentindo o cansaço do dia recair sobre meu corpo, meus olhos arde em sono. Sei que ainda não deve ser tão tarde, já que não faz muito tempo que o dia chegou ao fim, mas passar muitas horas dentro de um barco, sem comer e dormir adequadamente, e todas as emoções que passei hoje me esgotaram; física e mentalmente. Levanto- me de onde estou confortável e pego um pano para poder tirar o balde com água que já deve está quente o suficiente.
Com cuidado me locomovo até a porta onde Oliver me informou ser o banheiro a empurro revelando apenas um espaço escuro, não consigo ver nada ali dentro, como poderia me banhar naquele breu?. Então olho ao redor a procura de algo que me ajude a iluminar não encontrando nada, então lembro do lampião lá fora e torço para que o mesmo tenha resistido à tempestade.
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Feral
Non-FictionCarolina a pedido de seu pai adotivo se muda para a pequena cidade de Sitka, o lugar em que o mais velho nasceu. O que ela não esperava era que ao invés de uma cidade a beira mar como ela virá na internet, o lugar em que seu pai a mandará era um peq...
