Carolina a pedido de seu pai adotivo se muda para a pequena cidade de Sitka, o lugar em que o mais velho nasceu. O que ela não esperava era que ao invés de uma cidade a beira mar como ela virá na internet, o lugar em que seu pai a mandará era um peq...
Parece que estou trancada nesse banheiro a dias, o pequeno espaço já está claro indicando que o dia amanheceu mais mesmo assim não estou com coragem para sair daqui. Passei tanto tempo sentada no chão frio e duro que não consigo sentir mais nem minhas pernas direito.
Ainda seguro a faca com tanta força que as juntas dos meus dedos estão doloridas, solto a faca no chão e vejo a lâmina com um pouco de sangue seco, olho para minha mão vendo um corte na palma, estava tão apavorada que não senti o momento que me feri.
-Carolina? Ouço a voz de Oliver soar baixa assim como as batidas na porta de entrada da cabana, tento me levantar mais logo meu corpo cede novamente por minhas pernas ainda continuarem dormentes. As massageio para recuperar um pouco da mobilidade e tento me levantar novamente quando já consigo senti-las mesmo com os formigamentos e a sensação de elas estarem inchadas. Apoio meu corpo no móvel que bloqueia a porta e fico movimentando as pernas até que as sensações estranhas passam e empurro o móvel para o lado, ouvindo as pancadas insistentes de Oliver na madeira. - CAROLINA? Grita alterado e me aproximo da porta a abrindo e o vejo andando de um lado a outro na varanda enquanto passa as mãos freneticamente em seus cabelos, ele me olha e segura meus ombros. -Você está bem! Afirmo e abraço seu corpo e deixando as lágrimas de alívio lavar minhas bochechas deixando um caminho morno na pele.
- Eu fiquei com tanto medo, o quê era aquilo?. Me solto dele ao qual me olha desconfiado.
- Lobos, nessa época do ano bandos dele migram para próximo das cidades por busca de comida já que por conta da caça sobra pouco alimentos para tantos lobos, então eles vem para mais próximo e por isso falamos para não sair de casa, já que eles aparecem mais durante a madrugada por conta da calmaria! Diz e sei que aquela não é toda a verdade, mas estou tão cansada que apenas resolvo deixar o que aconteceu para lá e vou até a cama me deitando ali e logo sinto meus olhos pesarem. -Ei, você não pode dormir, seu corpo está muito frio e seus lábios estão roxos, merda Carolina, você passou a noite sem se aquecer adequadamente! Resmunga preocupado e corre para acender a lareira. Meus olhos pesam e ele vem até mim, me sacudindo para que eu permaneça acordada, meu corpo começa a tremer tanto que meu dentes se chocam dolorosamente. Não consigo mais sentir a droga do meu corpo, é como se eu estivesse dormente. -Você não pode dormir!. Exclama.
-Só um pouquinho! Minha voz soa arrastada.
-Não! Ele me levanta da cama e me põe perto da lareira, vários cobertores foram jogados por cima do meu corpo. A sonolência tentando me levar para a inconsistência, porém Oliver sempre me desperta. Não sei quanto tempo ficamos assim.
- Ela está bem?. Alguém pergunta e por um momento reconheço a voz mesma ela soando distante. Abro os olhos vendo ser o senhor que me trouxe até Sitka. Ele se ajoelha próximo a Oliver e toca minha testa brevemente. -Ela está muito gelada, irei pedir a Lauren que traga um pouco de chá da flor da montanha para aquecer seu corpo mais rápido! Se levanta rapidamente. -Nao a deixe dormir! Ordena para Oliver que afirma e o homem sai em um rompante.
Oliver me aperta ainda mais em seus braços, meu corpo sendo chacoalhado toda vez que tento ao menos cochilar, ele não diz nada, mas seu coração bate freneticamente em seu peito e ele parece muito nervoso e preocupado.
Meu corpo retorna a temperatura aos poucos, a fadiga ainda está lá, mas a tremedeira já fora há algum tempo. Meu corpo está cansado e o corte em minha mão lateja. O senhor Griffin entra na cabana e em suas mãos uma espécie de garrafa de madeira, ele destampa o gargalo e aproxima a aproxima de minha boca, o vapor com um cheiro suave de flor atinge meu nariz e suspiro.-Beba um pouco menina, irá ajudar a regular sua temperatura corporal! Pede ao encostar a gargalo em meus lábios e sinto o líquido morno molhar meus lábios, bebo um gole atrás do outro e então a garrafa é afastada. -Oliver se levanta comigo ainda em seus braços e me põe na cama, arrumando os cobertores grossos ao meu redor. Ele vai até a lareira e alimenta o fogo com mais algumas madeiras. - Foi uma ótima ideia de Elly desenhar os símbolos nas parede, ele estava muito agitado com a presença da moça e não sei se iríamos conseguir conte-lo se não tivesse a proteção lá fora! Ele murmura para Oliver que assente e fico confusa sobre esse assunto. Senhor Griffin se aproxima de mim e toca minha testa e pude sentir um leve formigamento ali. - Ela irá esquecer de tudo o que viu ontem a noite, não podemos deixar que ela descubra sobre ele antes da hora! Diz e ao tirar seus dedos acabo por apagar.
Desperto assustada com o barulho alto e olho para a companheira de Oliver pegar uma panela no chão. Ela olha para mim e ao me ver encarando-a dar um sorriso sem graça.
-Desculpe por ter lhe acordado dessa maneira, a panela escorregou de minha mão! Esclarece e suspiro afirmando. Sento-me na cama e olho para minha mão que está enfaxada e alguma coisa verde mancha a faixa branca.
- São ervas medicinais, irá ajudar na cicatrização do seu machucado! Informa voltando a mexer nas panelas do pequeno armário de madeira suspenso e tira uma pequena frigideira ao qual nem sabia de sua existência e coloca no fogão a lenha. Ela destampa uma vasilha preta e retira alguns bifes os colocando na panela ao qual chia por causa da carne sendo frita pela gordura. O cheiro gostoso impregna o espaço pequeno e meu estômago reclama a fazendo rir.
-O que o senhor Griffin estava fazendo aqui em casa?. Vejo sua feição mudar rapidamente.
-Você o viu?. Ela me pergunta nervosa e afirmo. -Lembra de algo da madrugada de hoje?. Observo que ela está aflita enquanto espera minha resposta.
Tento lembrar de algo mais é como se minha mente estivesse fragmentada, alguns lapsos de memória surgem mais não consigo lembrar nitidamente, balanço a cabeça em negativa e sua postura relaxar com minha resposta.
- Bom, ele veio deixar algumas coisas que Oliver pediu e como estava por aqui resolveu vim comprimenta-la! Conta olhando para a panela enquanto virava a carne.
Não sei porque mais a sensação de que ela não está contando a verdade é insistente em meu peito. Mas apenas deixo para lá esse assunto.
-Certo! Tento levantar da cama, mas assim que meus pés tocam o piso de madeira, sinto uma vertigem repentina e então minha cabeça lateja forte, me fazendo soltar um resmungo doloroso e quase desabo no chão. Sinto braços finos aparar-me e me ajudar a sentar na cama novamente. Minha mente está confusa com lembranças desconexas. Lembro-me de sentir muito medo enquanto estava encolhida no canto do banheiro frio, meus dedos se apertando ao redor do cabo de madeira da faca, e então me lembro dos rosnados ferozes vindo do lado de fora da cabana. Seguro com força o cobertor grosso para tentar de alguma forma aliviar algumas pontadas dolorosas em minhas temporas e fecho os olhos com força. Respiro fundo várias vezes quando lembranças embaralhadas surgem em minha mente e aperto as laterais de minha cabeça com força. Então uma lembrança nítida e vivida e projetada em minha mente.
A imagem de um homem rodando a minha cabana e dou um grito alto com a dor angustiante que parece está esmagando meu crânio enquanto lágrimas abundantes escorrem por minhas bochechas, soluços agonizantes desbrava de minha garganta.
-Carolina?. Meu nome soa longe. Olho para a imagem quase desfocada de Elly que movimenta a boca freneticamente ela, sua presença parece ficar cada vez distante, tudo ao meu redor vai desfocando lentamente enquanto a escuridão engole tudo, e a última coisa que consigo lembrar antes de ser engolida pela escuridão fria e silenciosa é de olhos bestiais e meu nome ser chamado em um tom quase animalesco.
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