CAROLINA
Sinto minhas cordas vocais vibrarem quando emito um sonoro ronrono de rigozijo ao finalmente ver civilização depois de tanto tempo rodeada apenas pela imensidão azul do mar.
Seguro a corda trançada, sentindo a aspereza das fibras grossas sob minhas palmas e com um pouco de dificuldade me aprumo de pé no piso de madeira encardido, a superfície parece um tanto instável sob meus pés, por conta do balanço ondulante da embarcação, balanço esse provocado tanto pela agitação do mar quanto pelo vento forte e úmido que continua a nos atingir com força, com minha mão livre tento conter meus cabelos que chicoteia desordenadamente ao vento que parece ficar cada vez mais forte a medida que nos aproximamos da costa litorânea, a rajada sibilante atingindo o barco o balança ainda mais forte ao ponto das madeiras da cabine que parece precisar de manutenção urgente vez ou outra emitir estalados e rangidos preocupantes. Me sento no banco de madeira com o apoio das costas presos por parafusos grandes nas duas extremidades, ao não conseguir manter mais o equilíbrio. Espio o senhor Griffin que está dentro da cabine enquanto manuseia atentamente o barco para cada vez mais próximo da costa. Como se sentisse minha atenção em si, o senhor na casa dos sessenta anos me olha por um curto período através da janela de vidro um pouco opaco da cabine e me oferece um aceno de cabeça sútil antes de retornar sua atenção para frente. À medida que nos aproximamos da terra firme eu observo o lugar que será meu lar por algum tempo. As casas e prédios coloridos próximos da costa do mar é totalmente protegidos por grandes montanhas de pico gelados e uma extensa mata fechada a qual eu poderia facilmente me perder, caso fosse naquela parte. Confesso que a paisagem ao todo é de tirar o fôlego, uma paisagem que poderia ser facilmente usada em algum calendário ou cartão postal.
Mas apesar da beleza inegável desse lugar, algo enigmático parece recair sobre Sitka, é como se todo aquele visual vibrante e aconchegante que te passa a sensação de aconchego e admiração fosse utilizado como camuflagem para esconder um segredo obscuro.
E por um momento meus olhos se fixaram na vasta mata de árvores envolvidas parcialmente por uma neblina, que se estende por toda a região de árvores, deixando a mostra apenas os picos daquelas montanhas geladas e ali sei que o que quer que tenha de misterioso naquele lugar, a resposta para desvendar esse mistério está naquela mata.
Pulo no lugar pelo susto que levei assim que algo pesado se firma em meu ombro e desvio a vista daquelas montanhas para meu ombro vendo uma mão grande e enrugada descansando ali, levanto minha vista acompanhando o braço estendido em minha direção até capturar o rosto do senhor Griffin que me olha com desconfiança.
-Tudo bem? chamei por você algumas vezes, mas você parecia estar com os pensamentos em um lugar distante! Tocou minha testa com seu dedo e pude perceber que seus olhos vagaram rapidamente em direção que eu estava prestando atenção anteriormente.
Então só aí percebi que o motor que antes produzia um barulho alto e incômodo havia sido desligado e que agora o barco se mantinha apenas pelo impulso das ondas que nos conduzem em direção a terra firme.
-Me desculpe por isso! Esfrego a testa assim que ele afasta seu dedo de ponta grossa e áspera da minha pele. - Apenas estava admirada com a beleza da paisagem à minha frente! Minto, lhe oferecendo um sorriso amistoso, ele afirma em entendimento, e pega a corda que minutos atrás eu tinha usado como suporte para me manter em pé. Aos poucos nos aproximamos da costa até o casco do barco finalmente se chocar fracamente no pier de madeira e o senhor Griffin sai do barco com uma agilidade surpreendente e ata a corda em um dos vários ganchos fixados na beirada da plataforma de madeira, prendendo o barco para que não seja levado pelas ondas ao retroceder, ele entra novamente no barco e vai até sua cabine ao retornar traz minha mala e a leva para fora da embarcação e confesso que sinto um pouco de inveja do seu equilíbrio nessas condições, já eu me desequilibro pela terceira vez e quase vou para o chão, mas consegui segurar no ferro do guarda-corpo evitando uma queda vergonhosa. Bufo frustrada pela minha incompetência de me manter em pé, o enjôo e a tontura provocados pelo balanço do barco também não me ajuda muito a concluir esse tarefa. O senhor Griffin ao ver minha dificuldade vem até mim e estende a mão para que eu possa ter um pouco mais de suporte para poder sair dali. Agradeço muito por isso, já que as pequenas ondas que fazem o barco se movimentar de um lado a outro continua a me desestabilizar.
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Feral
Não FicçãoCarolina a pedido de seu pai adotivo se muda para a pequena cidade de Sitka, o lugar em que o mais velho nasceu. O que ela não esperava era que ao invés de uma cidade a beira mar como ela virá na internet, o lugar em que seu pai a mandará era um peq...
