Carol
- Precisamos ir! A voz de Oliver soa tensa avisando que chegou a hora de partirmos como havíamos planejado há alguns minutos. Dou uma rápida olhada para ele que observa o homem tensamente, ele parece apreensivo, como se algo ruim fosse acontecer a qualquer momento, olho ao redor percebendo que todos os presentes ali estão tão apreensivos quanto o homem parado ao meu lado, eles revesam a atenção entre nós e o homem que ainda permanece atento em mim, engulo em seco e desvio o olhar para minhas mãos sobre a madeira que agora parece muito fria, a quentura confortável que eu sentia a pouco, agora deu lugar a um suor frio provocado pelos arrepios que continua a percorrer de minha espinha até a nuca. Meu estômago antes reclamando em fome, agora reclama por causa da sensação esquisita, a mesma sensação nauseante que sentia quando estava no barco em alto mar. -Vamos! Oliver exclama pondo sua mão em meu ombro. Um resmungo insatisfeito soa alto demais naquele espaço silencioso demais. Tão rápido quanto pos sua mão em meu ombro para chamar a minha atenção, Oliver a removeu até mesmo dando um passo para longe, acabando por tropeçar em minha mala a derrubando, o som seco e pesado ecoou nas paredes de pedras até tudo silenciar novamente.
Olho ao redor mais uma vez, todos que estão presentes ali nos observam com atenção incluindo aquele homem que parece ainda mais intimidante ao cruzar os braços, seu olhar sobre Oliver é pesado. O silêncio se torna quase opressor, as pessoas ali parecem nem menos respirar de tão tensas que estão. -Carolina, vamos! Oliver exclama taxativo, sua voz mais grossa, expressão fechada, mas seus olhos sempre atentos naquele homem.
-S-Sim! A palavra de concordância soa baixa em um murmúrio instável, levanto quase que abruptamente, empurrando com a parte de trás dos meus joelhos a cadeira que eu estava sentada, os pés do móvel arranhando o chão de pedra produzindo um som quase assombroso que ecoa na taberna, com as pernas ainda instáveis me ponho ao lado de Oliver que segura minha mala pela alça lateral deixando a bagagem deitada. Os homens que haviam chegado junto aquele homem se acomodam ao redor da mesa junto aquele homem que ocupa a cadeira do canto. Por impulso provocado pelo nervoso, seguro o tecido da blusa de Oliver à procura de segurança, pois os arrepios incômodos ainda continuam a percorrer meu corpo.
Oliver olha para mim e desce os olhos até onde meus dedos estão enganchados com firmeza em sua roupa. Um franzir suave enrugou a sua testa e pude perceber que ele espiou brevemente aquele homem assustador. Então olhou para mim novamente e engoliu em seco, a tensão endurecendo seu corpo. Porém, eu não o soltaria, não quando as pessoas continuam a agir de forma estranha ao nos olhar com atenção, não quando aquele homem continua ali nos observando como um falcão.
Mas tinha um grande problema na execução do plano de irmos embora daquele local, e o problema era que tínhamos pegado uma mesa no meio daquele espaço destinado a refeições e aquele homem intimidante estava a uma mesa de distância da entrada, e duas mesas antes da nossa, então para nós sairmos dali teríamos que passar por ele.
-Vamos! Oliver sussurra e dá um passo adiante, passos calculados é ao mesmo tempo receosos, minhas pernas bambas se põem a andar também acompanhando Oliver em direção a saída. A cada passo que dou, o olhar daquele homem parece ficar mais atento, seus braços antes cruzados agora descansam sobre a mesa, suas costas ficando ereta, o deixando ainda mais intimidador à medida que nos aproximamos.
A cada passo minhas pernas parecem ficar mais bambas, meu corpo rígido, meu coração acelerando ao ponto de ouvir cada pulsar no silêncio ensurdecedor da taberna.
Os arrepios em meu corpo eriçam meus pelos por baixo da blusa. A cada passo que dou o arrepio frio em meu corpo aumenta ao ponto de sentir minhas mãos úmidas, meus dedos trêmulos agarram-se com mais força ao tecido áspero da camisa de Oliver que parece estar tão tenso quanto eu.
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Feral
Non-FictionCarolina a pedido de seu pai adotivo se muda para a pequena cidade de Sitka, o lugar em que o mais velho nasceu. O que ela não esperava era que ao invés de uma cidade a beira mar como ela virá na internet, o lugar em que seu pai a mandará era um peq...
