Capítulo 4

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Carol

Acordo com batidas pesadas sendo deferidas contra a porta da cabana, ainda um pouco sonolenta levanto do aconchego quase celestial da cama, a cabana está sendo iluminada apenas pela claridade baixa da lareira já que toda a madeira que Oliver pôs para alimentar as chamas foi quase toda consumida pelo fogo.

-Quem é?. Pergunto assim que as batidas soam novamente.

-Oliver! Informa e abro a porta, meu corpo antes aquecido se encolhe com a friagem que invade a cabana, noto que o dia já está mais escuro que antes indicando a chegada da noite. Encaro Oliver que tem uma panela em mãos. -Trouxe seu jantar! Diz e abro um pouco mais a porta lhe dando passagem para que ele entre. Fecho a porta para barrar a entrada do vento frio e pego algumas madeiras a colocando organizada sobre as chamas quase apagando.

-Obrigada, Oliver! O espio ainda agachada em frente a lareira, a temperatura quente fornecida pelas chamas me trazendo conforto.

-Ok, eu já vou indo, amanhã cedo venho para que possamos fazer suas compras e por favor, Carolina, não saia da sua cabana, mesmo que ouça qualquer coisa não saia tudo bem?. A aflição é evidente em sua voz, o que me deixa com medo.

-Tudo bem, Oliver, não sairei! Prometo a ele que relaxa os ombros rígidos.

-Tudo bem, tenha uma boa noite! Deseja e vai embora a porta pesada fechando atrás de si, deixando-me para trás. Fecho a porta com a chave e volto até a panela, ao abrir o vapor perfumado veio até meu nariz e minha boca salivou, pego um prato e uma colher feita de madeira e retiro com cuidado o que Oliver trouxe, eram discos de massa assada recheada. Cortei um bocado usando a própria colher levando o pedaço até minha boca e soprei um pouco já que estava muito quente, mordi um pedaço da massa, era bem fina e macia, não tinha muito gosto. Então dei uma mordida maior, minha boca encheu e um gemido satisfeito soou na cabana ao sentir o recheio que parece derreter na boca, abro a massa vendo que tinha carne desfiada ali dentro, estava bem temperada e o melhor, não ardia como as demais refeições que provei. A carne tinha o gosto um pouco forte, me fazendo ter curiosidade de qual animal seria.

Limpei os cantos de minha boca e fecho a panela de barro, guardando o restante da refeição, o que eu tinha comido foi o suficiente para me saciar.

Deixei as louças sujas sobre a mesa para lavar depois e voltei para a minha cama. Durante a limpeza na cabana havia encontrado alguns livros velhos e empoeirados, o que achei bastante contagiante, assim não ficaria muito entendiada. Levantei da cama e fui até a estante onde usei uma pequena parte para organizar os livros de capa dura, leio cada título nas lombadas de grossuras diferentes.

"A maldição da bruxa" Li em uma voz quase sussurrada.

-Bem, parece interessante!. Exclamo puxando o livro de capa vermelha e letras douradas. Abro o livro folheando as páginas de papel um tanto áspero e amarelado, o cheiro característico de livros velhos me atingiu trazendo uma sensação nostálgica. Lembrei de quando papai me disse que livros tinham cheiro conforme as folhas vão envelhecendo, elas emanam cheiros que lembram baunilha, amêndoas, café, notas florais ou grama. Nunca consegui diferenciar esses cheiros, por mais que tentasse para mim todos tem o mesmo "odor" de papel velho.

Sento-me na cama para poder ter uma leitura com mais conforto, porém pela distância que estou da única fonte de luz dentro da cabana, não me ajuda em nada pois não consigo ver as letras com nitidez.

-O que faço?. Questiono-me com uma pitada de frustração na voz. Olhando ao redor da cabana em busca de uma solução, acabo por visualizar o lampião que Oliver me deu e com um gritinho contagiante me levanto da cama e pego o lampião levando até a lareira e pego um pedaço de madeira que o fogo consumia, ao levanta-la algumas lascas de cinza se desgarra caindo novamente dentro da chama devoradora. Aproximo o pedaço roliço de madeira do pavio que logo incendeia em uma pequena chama, volto a madeira para o monte novamente e aproveito para adicionar mais alguns troncos, vendo a chama ficar cada vez maior e insaciável, me afasto quando a quentura fica intensa demais. Me aproximo da cama e deixo o lampião sobre a pequena tábua pregada na parede bem acima da cabeceira feita de troncos descascados, polido e envolto de algo brilhante que parece verniz, talvez tenham dado uma demão para que a madeira não se estrague ao passar do tempo.

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