Pique-pega e pique-esconde nunca foram minhas brincadeiras preferidas. Eu não era o mais rápido da escola, muito menos o melhor em se esconder, e sempre que eu estava prestes a ganhar -TRIIIIM- o sinal tocava e o recreio tinha chegado ao fim. A maioria das vezes era eu quem começava com o pique. Fechava os olhos, contava até 10, respirava fundo e com um sorriso no rosto ia correndo incessantemente atrás de uma pessoa pra que só assim ela pudesse correr atrás de mim, ou pior, atrás de outra. Foi assim durante todos esses anos, dia após dia, após dia e após dia... Acho que meu problema, é que até hoje eu não entendi o momento certo de pegar e de fugir, pra manter o jogo dinâmico o suficiente pra que o desinteresse não chegue e a outra pessoa se canse de brincar. Então, o jogo muda. Pique-esconde é sempre a segunda opção, uma hora desaparecem, outras aparecem, sempre com frequência indeterminada, mas constante, pra que assim eu não desista de brincar. Então eu fecho os olhos, conto até 10, respiro fundo e com um sorriso no rosto tento prestar atenção em cada mínimo detalhe, e assim, com o coração disparado, quase sem fôlego -Peguei você!-, exausto, me alivio, rio e brinco, mas por não tomar cuidado o suficiente -Salve todos!- e volto a estaca zero. Você aparecendo, se escondendo, aparecendo e se escondendo, com total controle de onde, e de quem. Você na sua zona e eu na minha, nos puxando e fugindo, acabamos em cabo de guerra.
