CONTO 2 | Família Collins
"Cartas não servem apenas para se comunicar, também é uma forma de mostrar seu carinho e amor por uma pessoa, talvez ela esteja em um dia ruim, então você pode escrever uma carta para animar ela, e dizer que ela é important...
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Uma fina neblina cobre o horizonte, sob um céu rosado, raios de sol desapontam aos poucos por entre algumas nuvens que já percorrem o céu em suas mais diversas formas, sem pressa, apenas se movendo quase como se estivessem dançando.
Com o pé esquerdo pressionando a parte traseira do Skate, de modo a deixar a parte da frente erguida, e o pé direito no chão, desvio meus olhos do horizonte e olho para o outro lado da rampa me perguntando se conseguirei chegar até lá. Já percorri essa pista inúmeras vezes, mas não importa, sempre quando estou aqui em cima me pego fazendo a mesma pergunta. Como se da noite para o dia eu tivesse desaprendido a fazer isso. Todas as vezes que eu desço há um quê de novidade, incerteza e expectativa, assim como na primeira vez.
Levo o pé direito até o skate e com um impulso desço a rampa. O som das rodinhas em atrito com o concreto é tudo que consigo ouvir enquanto percorro com certa velocidade a pista até a outra ponta da rampa, faço uma manobra e desço novamente, dou umas três voltas de um lado para o outro, até perder o equilíbrio e saltar do skate, vendo-o se afastar e voltar para trás ao chegar na curva da rampa. Faço a mesma coisa mais umas duas vezes. Então me deixo cair sentado sobre a pista, com o coração acelerado e a respiração ofegante. Tiro o capuz do moletom que cobre minha cabeça, e passo o braço pela testa para enxugar o suor. Quando o vento da manhã, ainda gelado, passa por mim, sinto o quanto refresca meu rosto quente.
Apoio meus braços em meus joelhos erguidos, e abaixo a cabeça para recuperar a respiração. Nem cinco minutos se passa, quando ouço o som de mais rodinhas em contato com o concreto, se aproximando cada vez mais. Ergo minha cabeça ao mesmo tempo em que Brian para a alguns centímetros a minha frente.
— E aí, Nic. — Ele cumprimenta então fazemos um toque com as mãos. — Madrugou hoje?
— Faz uns vinte minutos que cheguei. — Respondo me levantando, pego o meu skate e juntos começamos a subir a rampa.
— Acho que hoje é só nós dois. — Brian diz assim chegamos ao topo, olhando para os lados a fim de identificar algum conhecido.
Assenti e então começamos a nos preparar para descer.
Alguns sábados de manhã Brian, eu e mais alguns conhecidos nossos nos reunimos para andar de skate, praticar algumas manobras e até competirmos algumas vezes, apenas entre nós.
Brian desce primeiro, em seguida eu o sigo. Novamente, tomado pela expectativa de como me sairei dessa vez.
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