CONTO 2 | Família Collins
"Cartas não servem apenas para se comunicar, também é uma forma de mostrar seu carinho e amor por uma pessoa, talvez ela esteja em um dia ruim, então você pode escrever uma carta para animar ela, e dizer que ela é important...
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Ella Sullivan
Eu sempre me vi naquelas cenas de desenhos animados onde o personagem esconde toda a bagunça no armário, mas obviamente a capacidade do móvel não suporta tanta coisa, então... BUUUM... ele explode, lançando tudo para fora novamente. Eu me sentia assim todos os dias, guardando todo o meu passado ruim dentro dos muros que eu mesma fiz questão de construir a minha volta, temendo o dia em que ele viesse a desabar, porque eu sabia que isso aconteceria um dia. E aconteceu.
A primeira pessoa a ser atingida foi Hannah. A maneira como ela me consolou e cuidou de mim em um momento de dor profunda ao relembrar de tudo em voz alta, me fez sentir grata por ter sido ela. Ela acreditou em mim e tem me encorajado para buscar ajuda, está me fazendo entender que não preciso carregar tudo sozinha o tempo todo.
A segunda pessoa era a que eu menos esperava atingir com tudo isso, mas que escolhi contar por saber que devia uma resposta a ela. Nicolas Collins é essa pessoa, e está agora sob os escombros das minhas dores, permitindo que eu segure sua mão enquanto me diz palavras gentis, me falando do seu Deus, tentando a todo custo me aproximar Dele e do Seu amor, o mesmo Deus que eu deixei de acreditar por não me ajudar nos momentos mais terríveis da minha vida. Agora, enquanto Nicolas está ao meu lado, e em meio às lembranças traumáticas que me inundam, sinto um vento forte nos atingir me fazendo estremecer, a frase: Eu estou aqui, vai ficar tudo bem, parece flutuar em minha mente, é como se alguém estivesse sussurrando-a em meu ouvido, mas tenho a certeza de que essas palavras não foram proferidas pela boca do Nic, eu reconheceria se fosse. Talvez eu esteja ficando louca, mas desde que Hannah e minha avó tem me ajudado a buscar a Deus essa é a primeira vez que sinto que Ele está falando comigo, mais do que isso, pela primeira vez eu o sinto próximo a mim.
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— Vem, vamos sair daqui. Vou te levar para casa. — Nic diz baixinho se levantando ainda segurando a minha mão me incentivando a levantar, não sei quanto tempo ficamos assim, mas creio que tenha sido muito, a chuva cai sobre nós cada vez mais intensa, e a essa altura já estamos encharcados. Solto a mão do Nic e me levanto também, pego minha mochila e o livro que esqueci de guardar está todo molhado, espero que ainda tenha conserto, e mais do que tudo espero que minha carta esteja protegida dentro dele. Nicolas começa a descer as arquibancadas e eu sigo em seu encalço.