Capitulo 30

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Darya

Faziam exatos dezesseis anos que não via meus pais, nem minha mãe e nem meu pai, eles sumiram assim que fui diagnosticada, nesse anos todos eles nunca haviam procurado saber de mim, nenhuma ligação, nenhuma visita, absolutamente nada ... era uma merda depois de tantos anos estar a frente do meu pai.
Ele não havia mudado nada, na verdade ele havia envelhecido pouca coisa do que eu me lembrava, seu corpo ainda era magro, sua pele clara, seus olhos em uma tonalidade de verde escuro e os cabelos negros que hoje tinha alguns fios brancos.
Seu olhar sobre mim era a prova viva que ele jamais esperava me encontrar, na verdade nunca se preocupou e eu sabia disso porque Esteban ficava puto quando tentava falar com o irmão e não conseguia.

Ryder: Vocês são parentes ?

Charles encarou Ryder e estava prestes a responder quando eu decidi intervir

Darya: Não !

O olhar do meu pai veio até mim de uma maneira curiosa, eu tenho certeza que nem ele e nem minha mãe se preocuparam em saber como as certo como o TPA funcionava, acho que apenas assimilaram o fato do diagnóstico com os seres ruins que existem e decidiram me abandonar

Charles: É uma longa história !

Soltei uma risada curta e coloquei o notebook em cima da mesa e cruzei meus braços encarando os dois a minha frente e era a primeira vez que via Ryder um pouco sem reação, o grande CEO, homem de negócios havia sido pego de surpresa e se tinha algo que eu já havia observado sobre ele é que ele odiava ser pego de surpresa

Rosalie: O almoço está pronto !

Rosalie se aproximou me encarando e depois a Ryder fazendo um gesto com a cabeça como se o cumprimentasse e em seguida cumprimentou em direção ao meu pai que sequer se moveu

Rosalie: Devo colocar seu lugar a mesa menino ?

Sua pergunta foi direcionada a Ryder que assentiu como se quisesse amenizar o clima que estava ali

Ryder: Ponha pro Senhor Charles também

Rosalie não levou nem um minuto ao por a mesa, eu sabia que deveria me retirar, sabia que deveria subir mais não, eu ousei tentar mostrar que era forte quando na verdade quando se tratava desse assunto eu era fraca demais.
Me sentei no lugar que me foi cedido a mesa, a mesa era enorme, onde na ponta sentava Ryder, do seu lado direito Madalena e Nestha e do seu lado esquerdo vinha Axel, Aiden e Hunk, e com a minha chegada eu passei a ocupar o lugar de Aiden pra que pudesse ficar ao lado de Axel, meu pai havia se sentado a minha frente e Rosalie começou a nos servir.
O clima era pesado, pesado demais, eu mais brincava com a comida do que realmente a comia enquanto meu pai comia tranquilamente e eu via Ryder comer forçadamente.

Ryder: Acho que devo um pedido de desculpas a ambos

Levantei meu olhar vendo Ryder encarar a mim do que ao meu pai

Ryder: Eu não sabia que ele era seu pai

Darya: Se soubesse iria mudar algo ?

Foi inevitável não alfinetar Ryder, eu sabia que o homem me odiava por algum motivo desconhecido, mais isso não me faz pensar que ele faria o contrário caso soubesse que éramos parentes.
Meu pai limpou a boca no guardanapo e me encarou com um olhar acusatório mais tentando manter o semblante neutro

Charles: A última vez que eu soube notícias suas voce estava em Bangkok com seu tio

Darya: Pelo visto nem ele sabe que você está aqui, não é ?

Charles: Vim a negócios, uma viagem rápida

Darya: Mais é claro !

Charles: Soube que agora tem seus negócios ..

Ryder: Muitas galerias de artes

Foi Ryder quem respondeu com uma pitada de admiração na voz

Ryder: Realmente algo surpreendente pra uma mulher com apenas vinte e oito anos, pra ter a quantidade de negócios que ela tem uma pessoa comum teria que ter ao mínimo vinte anos de carreira pra começar a ter sucesso

Charles: O sobrenome dela a ajudou muito também

Darya: Eu não usei meu sobrenome pra nada, tudo o que eu tenho eu consegui por mérito próprio ..

Charles: É claro que conseguiu ...

Sua voz era desdenhosa e a vontade de atirar minha faca em sua direção era enorme e talvez esse fosse o maior medo de Ryder já que me encarava sempre atentamente estudando minha postura

Charles: Você não perguntou da sua mãe ...

Darya: Eu tenho uma ?

Foi a minha vez de ser desdenhosa, meu pai me fuzilou mais eu não me importava, estávamos em uma briga de gigantes

Darya: Na verdade, pelo o que eu me lembro eu perdi meus pais há anos, eles faleceram ..

Charles riu como se eu tivesse contado uma boa piada e limpou a boca novamente no guardanapo

Charles: Você me chamou de pai não faz nem dez minutos

Darya: Descuido da minha parte, peço desculpas pela indelicadeza

Charles: Afinal, o que você faz aqui ?

Darya: Eu moro em Seattle, eu quem deveria perguntar o que faz aqui ...

Charles: Achei que morasse em Bangkok

Darya: Vejo que estava de olho em mim

Charles: Sempre estou em busca de notícias suas Darya

Senti meu coração descompensar como se aquilo fosse algo bom por algum motivo mais logo mudei de ideia quando ele ajeitou sua postura

Charles: Preciso saber se não anda descontrolada a ponto de me envergonhar

Darya: Eu estou ótima, como pode ver estou andando na linha já que você sequer sabia que eu conhecia Ryder e vice versa

Charles: Descuido da minha parte ... Esteban não me avisou que você estava aqui

Ergui uma sobrancelha com a menção do nome do meu tio

Darya: Tem contato com ele ?

Charles: De vez enquanto nos falamos ... Esteban é tão fraco que não prestou sequer pra te manter na linha, voce deveria ter ficado na clínica que eu te coloquei

Um tapa ! Um tapa gigantesco na minha cara foi que eu recebi com aquela informação, agora eu entendia porque uma vez Esteban acariciou meus cabelos e me prometeu que nunca mais me trancafiaria, porque não havia partido dele a internação.
Me levantei da mesa segurando a faca quando Ryder se levantou também se colocando a minha frente, Charles sorriu como se tivesse conseguido o que queria

Ryder: Chega vocês dois !

Charles: Ora, eu ainda não fiz nada !

Minha vontade era rasgar sua garganta com minhas próprias mãos

Ryder: Rosalie !

Um comando rápido pra que a velha senhora entrasse no cômodo

Ryder: Suba com Darya, fique com ela até que ela se acalme

Darya: Sorte sua o Ryder intervir ... Caso contrário suas vísceras estariam em minha mão

A velha começou a me puxar pra longe dali e toda adrenalina corria pelo meu corpo, a minha vontade era voltar lá e acabar com ele.
Quando entrei no quarto de Axel a velha senhora me acompanhou e eu via que ela estava sem jeito e sem saber como intervir mais optou pela decisão sábia de ficar calada e me deixar praticamente quebrar o quarto de Axel inteiro pra descontar a raiva que eu estava sentindo.

AXEL DEBORTOLLI Onde histórias criam vida. Descubra agora