Shikamaru.
Acordei em desespero pela falta de ar, enquanto tentava não assustar Temari, seu futon a poucos centímetros de distância do meu; após uma noite tranquila, a madrugada veio para acertar as contas. Eu acordei três vezes, duas em dor, uma em pesadelo cujo único conteúdo que me lembro é a voz do meu pai, um pesadelo repetitivo que fazia-me suar frio e esquecer as palavras poucos minutos depois.
Mas eu tinha a sensação de que era mais um chamado do que um conselho. Era por volta das quatro da manhã quando desisti do sono completamente, e sai do quarto para um pouco de ar fresco.
A Vila da Chuva, não tão distante, possuía uma espécie de aura ao seu redor. Uma Vila era como um organismo, e sua homeostase dependia das pessoas nela, portanto, eu não culparia o local pela sensação instável e melancólica que passava. Afinal, viver apenas para servir a ideia de um falso Deus por muito tempo não me soa como o modo mais saudável de reger um 'corpo'.
Suspirei exausto pelo cansaço físico, e mais exausto pela inexistente folga que minha mente andava me devendo. Peguei um caderno que carregava em meu bolso e anotei os custos extras rendidos por hoje, tudo para aquela viagem havia sido calculado e eu não pretendia deixar de surpreendê-la em momento algum caso usasse demais logo de início, já minha mãe havia dito que eu havia sido demasiado astuto com a escolha de algumas das estadias, a 'pobre Temari' provocada pelo romantismo e atmosfera do local mesmo ainda não podendo ter aquela experiência completa.
Eu não tive coragem de contar a verdade sobre a 'experiência completa'. Tateei meus bolsos em busca de um cigarro, e em seu lugar, apenas um papel embolado estava. Minhas suspeitas foram confirmadas ao abri-lo delicadamente, podendo rasgá-lo pelo estado em que havia sido colocado no meu bolso.
"Fumar faz mal para saúde, gênio.
Com amor, Temari"
Sorri, sentindo-me pior pela falta do cigarro.
[...]
A manhã acordou-me com o som de pássaros cantarolando e raios de sol fortes o suficiente para inspirar a força frustrante que fez-me levantar para fechar a janela; virei-me as janelas adornadas por ramalhetes e flores pintados de metal, apenas para deparar-me com Temari de futon guardado, uma pequena mesinha aberta e dois chás verdes me aguardando.
- Você acorda como um zumbi se arrastando túmulo afora. - ela vestia um robe de seda? Esfreguei os olhos. Sim, ou cetim. Pela primeira vez percebi meu ínfimo conhecimento de tecidos e acabei a encarando por muito tempo. Temari estava ruborizada, e pelo calor das minhas bochechas, eu também estava.
Seria irrealista ignorar suas longas pernas completamente expostas pelo curto pijama, claro. Sentei-me devagar e fitei seu rosto até que ela tornasse a me olhar.
- O que?
- Bom dia, Tema.
Uma pequena tremida no canto da boca contou-me sobre o sorriso que ela forçou a esconder.
- Bom dia. - respondeu suspirando enquanto mudou de posição para aproximar-se de mim.
Senti-me de repente exposto pela falta de camisa, mas ignorei o sentimento e aproveitei a boa sensação que acordar ao lado dela me dava. Os mesmos raios de sol que haviam me dado o desprazer de despertar iluminavam seu rosto como uma porcelana, brilhante
- Então, o que faremos hoje?
Suas palavras tiraram-me do transe, e logo apressei-me a tomar meu chá. Precisávamos sair cedo a fim de evitarmos as fortes chuvas desta época do ano. A Vila da Chuva era um local curioso, a cada pé d'água que inundaria qualquer outra vila, poucos minutos depois era cessado, dando lugar a um ambiente abafado ao invés de frescor e o bom e velho sereno. Logo, quanto menos tempo ali, melhor.
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Secrecy (Shikatema)
Fiksi PenggemarKonoha estava rodeada pela felicidade incessante dos casamentos, festejos e fim de Guerra, e nela, um homem cujo cotidiano atarefado e incerto aguarda o seu momento feliz chegar. Nara Shikamaru apenas não sabia que haveriam tantos obstáculos entre...
