Capítulo 15

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(Shikamaru)



- Não ouse dizer isso para mim. - A raiva em seus olhos lembrava-me de quando éramos mais novos. - Como alguém que discute tanto e se queixa de 'mulheres complicadas', a sua postura não me parece algo de um homem.

Temari sabia exatamente como importunar um oponente e levá-lo ao ápice da raiva. E quando zangada, era exatamente o que fazia ao não recorrer à luta física.

Exceto, eu não era seu oponente e cada palavra exacerbou a palpitação no meu peito ao enfrentar um cenário ao qual eu havia planejado por meses sem sucesso. Em todos os desfechos, eu sairia perdendo.

- Se eu tentar me explicar, sequer vai tentar me ouvir? - Ela encarou-me, séria, e quase me arrependi de deixar o pensamento sair tão desatentamente. Os olhos verdes brilhando ao segurar as lágrimas.

- Tente.

- Preciso lembrar-me melhor de alguns detalhes e...- respondo.

- Shikamaru.

- Sim, Temari?

- Faça um esforço. (Ganbatte). - ela guiou-nos à beira da cama, onde sentou-se sem encarar-me diretamente. Eu conseguia ver o quanto seu corpo havia mudado, as roupas folgadas e a postura cansada que - ela raramente deixava transparecer na minha presença. Naquele momento eu já não estava ao lado de Temari, Shinobi da Vila da Areia. Mas sim, da mulher que meu pai havia me contado há tantos anos na infância e nunca houvera tanto sentido quanto até aquele instante. Eu estava ao lado da minha eterna parceira, e a única forma de honrá-la seria com a verdade completa. - Ah, e antes que você comesse...

- Sim?

- Nunca mais fale algo desta forma para mim.

- Tsk... problemática...

- Shikamaru! - Temari havia então se levantado, as mãos nos quadris e o cenho franzido em toda sua fúria. Eu havia escalado uma situação da qual acabara de escapar. Verdadeiramente genial. - Olhe para mim.

Eu nunca havia conseguido parar de olhar para ela.

- Eu estou.

- Se pensa mesmo que eu sou o tipo de mulher que pensaria em te abandonar diante a dificuldade, quem deveria sair daqui agora é você.

Eu suspirei. Tudo que eu menos queria naquele momento era discutir.

Logicamente, após meses de omitir informações do braço direito da Vila da Areia, uma das maiores estrategistas da nossa geração e por conseguinte uma das shinobis mais perspicazes que eu já havia conhecido, em algum momento isso aconteceria.

- Eu apenas não gostaria de lhe infligir qualquer tipo de dor. Ou fazê-la sofrer.

Temari riu com escárnio, algo que eu já não ouvia há tempos. Era o sorriso que lhe havia garantido o título de Rosa do Deserto, como princesa da areia, mas acompanhado do riso e olhar desprezível da shinobi mais fria que já havia passado por Konoha.

- Não creio que caiba a você decidir isso. - seu olhar mudou tão rápido quanto veio, e trazendo o rosto mais perto ao meu pude perceber que já estava segurando suas lágrimas há um bom tempo. Temari descansou ambas as mãos em meus ombros, encostando a testa na minha. - As últimas semanas tem sido a experiência mais próxima do inferno que já tive, se tal coisa de fato for separada de onde vivemos, imagino que a sensação seja como uma das milhares de vezes em que pensei ter perdido você. Shikamaru, eu não posso partir, e tampouco conseguiria viver comigo mesma se o deixasse perecer. Se um dia você já confiou nos meus instintos, mesmo que por uma fração de segundo, confie agora quando digo que não deixarei você morrer.

Secrecy (Shikatema)Onde histórias criam vida. Descubra agora