Capítulo 11

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(Shikamaru)


Eu nunca havia visto-a com uma expressão tão serena.

Ao meu ver, Temari era uma mulher forte, destemida e por vezes até um pouco agressiva, mas que tudo fazia em prol de algo maior, ou para proteger alguém.

Raras foram as vezes em que a vi pestanejar em tristeza, fechar-se ou sucumbir a lágrimas;

Contudo, mais estranho do que uma erupção de suas frustrações, era vê-la inerte. Calada.

Fazia exatos quinze minutos que eu havia parado de falar, ela ouviu cada detalhe da minha trajetória atentamente, e sequer me interrompeu.

- Temari... - Tentei chamar sua atenção. Aquilo já estava por me enlouquecer. - Eu sinto muito, eu...

- Pare. Só... Pare. - Os olhos estavam fixos nas mãos entrelaçadas, nenhum músculo seu fazia menção de movimento. - Shikamaru... Como ousa?

Aquelas palavras foram o suficiente para mim.

As lágrimas desciam quentes, desconfortáveis e eu virei meu rosto ao outro lado da casa outrora tão bela, mas que naquele momento marcava apenas o fim de tudo que eu havia construído. Ouvi-a levantar e caminhar, fechei meus olhos tentando forçar-me a aceitar que ela finalmente me deixaria, e que seria tudo minha culpa.

O toque de uma mão gelada em meu rosto arrancou-me dos meus próprios pensamentos. Seus olhos não resplandeciam com a mesma luz, embora o olhar feroz houvesse permanecido.

- Como ousa desistir?

Não era aquilo que eu esperava ouvir.

- Temari, eu...

- Você foi ao encontro da Quinta Hokage, recebeu notícias confusas e decidiu desistir de tudo?! Que tipo de homem é você, o que aconteceu com tudo que passou, com tudo que perdeu?

Suas palavras machucavam apesar da intenção.

- Ela é... a melhor, o que mais eu poderia...

- Fazer?! Existem milhares de opções! Haruno Sakura já a superou, e você em algum momento tentou alguma outra coisa?! Falar com um especialista, um... Um...

- Eu não queria deixar de te ver! - As palavras que haviam sido intencionadas como um sussurro fugiram da minha garganta em um grito frustrado, fazendo-a dar dois passos para trás com a minha raiva. - Sakura pode tê-la superado, mas não possui a mesma carga de conhecimento que ela, e se nem mesmo identificar o cerne do problema foi possível, eu preferiria morrer...

Minha bochecha ardeu com o peso de sua mão.

- Não diga essa palavra. Não ouse terminar essa frase, colocar esse peso em mim, Shikamaru. Não permitirei.

- E o que você pretende fazer? - Meu corpo inteiro ansiava por um cigarro, eu conseguia sentir a palpitação crescente nas pontas dos meus dedos e a dor de cabeça como uma enchente bruta.

- O que eu sempre fiz. - Ela levantou-se, virando-se apenas para concluir seu pensamento. - Irei salvá-lo.

Horas depois, ela já havia reorganizado nossas malas e descido com as mesmas para a sala, enquanto eu fumava no terraço.

- Shika, vem aqui. - Sua voz já não era mais branda, na verdade uma suavidade diferente a havia arrebatado e eu temia que aquilo iria acontecer. Que sentiria pena.

Pude apenas virar-me ao apagar a ponta do cigarro na madeira quando a imagem dela sentada em uma das malas começou a turvar.

- T-temari... - tudo escureceu, e enquanto sentia meu corpo enfraquecer a ouvi gritar.

Secrecy (Shikatema)Onde histórias criam vida. Descubra agora