Capítulo 24

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Alfonso Herrera

Oi Olívia, qual foi o pressentimento que você teve?

Oi meu lindo irmão, como vai? Hoje o dia no convento está muito estressante, será se poderíamos conversar mais tarde? - Debochou do outro lado da linha.

Olívia, fale logo. Eu também estou passando por um dia muito estressante, meu trabalho está me matando, existe a droga de uma competição para saber quem irá morar do outro lado do mundo e de quebra a minha concorrente é a mulher mais linda que eu já vi. - Bufei me sentando estressado na cadeira.

  Eu não estava mais aguentando pensar na Anahi, na forma como ela sorria, na forma como ela andava, na forma como ela se comunicava. Pensar em seus lábios carnudos, em seus olhos azuis, em seus cabelos longos, rebeldes e macios e que da forma que ele estiver, ela continua incrível.

  Eu nunca tinha tido um amor platônico por uma mulher depois de Suzie. Nunca mais tinha pensado tanto em uma mulher, em seu sorriso, em sua maneira de se comportar e muito menos na sua gargalhada depois de Suzie.

  Suzie foi o meu único amor, era ela quem me fez realizar todas as fantasias de um garoto pré-adolescente, que fez eu cometer meu primeiro e único ato criminoso quando pulamos a vila Olímpica e tomamos banho de piscina as três da manhã e mesmo quando a deixei em casa e pude escutar a velha chata brigando, mesmo assim ela se virar para mim e sorriu como uma menina sapeca.

  Foi ela, ela foi o meu verdadeiro amor e eu não queria, eu não podia, eu não devia permitir que outra pessoa ocupasse esse lugar. Sempre soube disso e todas as minhas namoradas souberam disso e souberam que elas, nunca seria capazes de ocupar o lugar do meu verdadeiro amor.

  Mesmo que tenha sido um amor platônico, mesmo que tenha sido um amor de crianças até a adolescência, mesmo que esse amor uma hora tenha se transformado por ódio depois de tudo que ela foi capaz de fazer comigo e com Fred. Mas era ela, tinha que ser ela, sempre foi ela.

Então quer dizer que alguém está conseguindo esse coraçãozinho ai? - Olívia não demonstrou, mas dava para saber que ela sorria do outro lado do país.

Claro que não, isso é praticamente impossível. Um de nós iremos para o outro lado do país, é praticamente impossível algo acontecer. - Suspirei fundo - Mas você sabe que a única pessoa que ocupou esse lugar foi Suzie, eu me sentiria traindo-a se deixasse outra pessoa ocupar esse cargo.

Alfonso, entenda de uma vez por todas.... Você amou Suzie, mas ela não te amou. Você deve deixar essa história no passado, eu sei que você se sente culpado por tudo que aconteceu com ela, se culpa pela vida desgraçada que ela teve e as consequências que ela recebeu por escolhas erradas. Mas isso não desrespeita a você, isso não é sobre você, isso se refere à uma terceira pessoa e não é porquê ela está onde está que você deve se culpar pro resto da vida.

Olívia, acho que você não entendeu a gravidade do que aconteceu com ela. É mais fácil para você ver de fora, mas você não estava na minha pele, você não estava na pele dela e muito menos na do Fred que teve que presenciar tudo aquilo. É mais fácil quando não é você que sente a culpa todos os dias que você acordar.

Mas não foi culpa sua Alfonso e você... - A interrompi gritando.

Eu a matei Olívia, entendeu? EU A MATEI - Gritei a plenos pulmões - Foi eu quem estava dirigindo a porra do carro em alta velocidade, fui eu que não percebi o caminhão vindo, fui eu que a tirei da casa de sua mãe para que a gente pudesse viver juntos sem ter nenhum, absolutamente nenhum, dinheiro. Se eu não tivesse feito isso, ela estaria aqui ainda Olívia.

Brincando Com FogoOnde histórias criam vida. Descubra agora