Anahi Portilla
Eu tentei avisar, desde o primeiro momento que nos encontramos e todas as vezes que tive oportunidade de falar sobre.
Ontem mesmo, após as várias horas analisando as nossas contas, tentei entrar novamente no assunto da vinícola Moretti. Mas o babaca prepotente me interrompeu antes que eu pudesse explicar que eu tinha certeza que a apresentação e ideias escolhidas seriam as minhas. E como sempre, ele falou que eu estava com medo de perder minha maior conta para ele, o meu "fiél" oponente.
Então quer saber? Dane-se, espero que ele tenha perdido toda a manhã com a sua apresentação e ideias que irão ser jogadas no lixo.
Eu brigava com ele mentalmente, falava verdades que nunca falaria pessoalmente. Até pelo fato que trabalhamos juntos e queria manter a harmoniza entre nós.
Quando cheguei no final da estrada de terra, estacionei ao lado da entrada das uvas, esse lugar me era nostálgico. Mesmo que não fosse o mesmo que eu ia quando pequena, mas o cheiro, as uvas e a beleza sempre me encantariam. Acho que foi por este motivo que a minha seção de foto do meu aniversário de 15 anos foi entre os pés de uva.
Finalmente estava em paz. Era isso que eu achava até andar mais um pouco a frente e perceber o Tesla idêntico ao meu estacionado na entrada da vinícola.
Ele ainda estava aqui.
Separamos os horários exatos para que não nos encontrássemos, Alfonso ficaria pela parte da manhã até as seis horas da tarde. E a minha apresentação começaria as sete da noite, podendo acabar as nove, quem sabe.
Olhei para o relógio para ter certeza que estava dentro do meu horário. Mas na verdade, eu estava até um pouco atrasada. Já eram sete e dez e ele continuava aqui. O que se passa na cabeça dele?
Marco, o gerente da vinícola, saiu de dentro da produção de uva com uma cesta recheada de uvas roxas.
— E ai, Any. - Sorriu para mim acenando.
Observava o mesmo colocar a cesta dentro do seu carinho e vir em minha direção.
— Oi, Marco. Quer que eu abra a porta do meu carro para você colocar essa cesta de uvas doces? - Sorri apontando para o meu carro.
— Eu até poderia fazer isto. Mas o senhor Moretti ficaria decepcionado por eu não ter colocado vinho, ao invés de uvas. - Sorriu me abraçando de lado.
Apesar de Marco ser bem mais velho do que eu. Ele era um homem extremamente bonito, trinta e nove anos, cabelos pretos escuros, olhos verdes bem claros, sorriso lindo e dentes alinhados. Exalava o meu cheiro favorito, uvas recém colhidas.
Agora entendo por que quando adolescente eu era simplesmente obcecada por ele.
— Cada dia que te vejo, você está mais bonita Any. Que dia você me dará uma oportunidade para te conhecer? Fora da vinícola claro. Pois te conheço muito bem. - Pincelou meu nariz com o dedo. - Você sabe que sempre achei aquele seu ex um idiota presunçoso.
— Podemos marcar. - Dei de ombros - Acho que nenhum de nós sairia perdendo. - Sorri. - E por favor, não fale mais dele. Foram 10 anos perdidos.
Ele sorriu mais largamente.
Era algo muito surreal para mim, desde que completei os meus 25 anos ele começou a me olhar de um jeito diferente, mas nunca insinuava nada. Quando adolescente ele me tratava mais como irmã mais nova e não deixava nenhum ser humano do sexo oposto chegar perto.
Achava até exagerado, mas depois de um tempinho isso começou a me encantar ainda mais. Quando fui para a faculdade perdemos contato e quando voltei foi ai que ele começou a me encarar como mulher e não como a adolescente de 15 anos que corria entre as produções de uva.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Brincando Com Fogo
RomanceQuando a conheci, ela seria a nova concorrente a uma das vagas mais importantes do nosso trabalho. Nunca imaginaria que aquela mesma mulher transformaria a minha vida em um verdadeiro inferno. Mas se o inferno fosse tão belo quanto ela, acho que n...
