Capítulo 50

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Alfonso Herrera

  Havia uma semana que eu não via Anahi, ela não tinha tocado mais os pés no escritório, não retornava mais as minhas ligações e havia me bloqueado após eu enviar mais de 50 mensagens em uma noite após uma bebedeira.

  Tudo sobre as outras contas ela mandava para Genevieve me entregar, claro que ela olhava com aquela cara de julgamento de "mais uma que vc perdeu?" Como se sua irmã quem tivesse dado o toco e não o contrário.

  A verdade é que eu estava ficando louco, não conseguia mais me concentrar, não tinha mais criatividade para criar algo inovador para as outras contas, algo que, modéstia parte, nunca me faltou!

  Eu podia até ter às vezes um bloqueio criativo, mas não era nada demais. Um banho gelado, um café com bastante creme e uma caneta e um bloco para rabiscar e em menos de uma hora minha cabeça estaria explodindo de ideias.

  Mas agora? Eu podia estar dentro da banheira com pedras de gelo, café e creme a disposição e várias canetas e blocos que nem se quer uma mísera ideia surgia. Isso porquê a minha cabeça estava ocupada demais lembrando da loira que havia me destroçado uma semana atrás.

  Minhas bolas também estavam sofrendo, não me refiro ao chute que, com certeza, foi com muita força e odio. Mas é de tanto que ela fica dura ao me lembrar das nossas noites, dos nossos beijos, dos mini barulhinhos que Anahi fazia quando estava estocando-a forte.

  Eu sei que fui um babaca, mas quando eu não fui? Nunca prometi parar de ser quem eu era, apenas prometi exclusividade e sei que vacilei ai, como eu tive a capacidade de insinuar que Anhai daria para qualquer um? Logo a Anahi!

  Aquela mulher esteve dez anos em um relacionamento fracassado com a esperança que, magicamente, aquele idiota cairia na real que ela era o amor da vida dele, a pediria em casamento, teriam filhinhos e viveriam felizes para sempre. E mesmo com toda aquela beleza, aquele corpo escultural e aquela risada encantadora, nunca foi capaz de se entregar para aquele Christian Grey barato, mesmo ele tendo 1,80 de altura, um sorriso bem alinhado e aqueles olhos azuis que não desgrudaram dela por um segundo.

  Eu não sei o que me deu, claro que não foi ciúmes, só sentimos ciúmes daquilo que temos ou que um dia poderemos ter e, definitivamente, Anahi jamais seria minha. Ainda mais agora depois das idiotices que lhe disse e também por eu não querer.

  Eu não quero que ela seja minha, não porque ela não é uma mulher incrível, parceira e forte. E sim porque eu não devo, a verdade é que anjos como Anahi não devem voar para o inferno junto comigo.

  Era engraçado pensar nisso, principalmente agora que parei na frente do convento, após três horas de viagem apenas para poder pedir conselhos a única mulher que, neste momento, não tentaria me matar pelas baixarias que falei a Anahi.

  Havia muito tempo que eu não pisava por aqui, Olívia se mudou para o Arizona a pouco tempo, se não me falha a memória, fazem um ano que ela está neste deserto. Ela pediu para ser transferida, para a mesma, a Califórnia não estava mais lhe rendendo a paz que tanto buscava para ajudar os mais necessitados. Acho que o problema real era que eu, que a mais enchia o saco, estava por lá e possivelmente eu, que retirava sua paz.

— O que devo a honra dessa visita? - Olivia me recebeu na entrada do convento de braços abertos, sabendo que eu precisava apenas disso.

  Era como se eu voltasse a ter dez anos, assim que saí do carro corri até seu colo e a abracei apertado, ela ainda tinha o mesmo cheiro, sua voz continuava doce como todas as outras vezes e seu abraço... ah o seu abraço, conseguia conectar todos os cabos que estavam soltos em minha cabeça.

Brincando Com FogoOnde histórias criam vida. Descubra agora