Alfonso Herrera
Demorei a pegar no sono, a forma como Anahi me comia com os olhos estava me matando, eu queria tomá-la ali mesmo, sem me importa se sua mãe ou seu pai estavam vendo, isso não me importava, me importava apenas poder matar o desejo que claramente existia entre nós.
Mas dessa vez, uma única vez, eu decidi pensar com a cabeça de cima, deixei que a de baixo não me controlasse, pois quando ela faz isso, só acontece merda. Ou eu saio transando com qualquer uma que me aparece ou eu saio falando coisa que não devia para a única mulher que eu não podia falar.
Já era mais de meia-noite quando finalmente peguei no sono, foi difícil, eu estava muito duro, ao ponto de doer. Como uma simples camisola preta de renda conseguia fazer isso comigo?
Quando finalmente peguei no sono profundo, acordei sobressaltado com o som da batida na porta. Meu coração disparou como se eu tivesse corrido uma maratona no meio da noite. Por um instante, fiquei imóvel, tentando raciocinar onde estava, o quarto da vinícola, o quarto de hóspede ao lado do dela, ainda escuro e silencioso. Respirei fundo, tentando entender se aquilo era real ou apenas mais um devaneio causado pela minha própria mente enlouquecida.
— Quem é? - Minha voz saiu baixa, rouca, quase falhando.
Outra batida, mais hesitante, mais firme.
Levantei-me devagar, ainda confuso, caminhando até a porta. Coloquei a mão na maçaneta, hesitei por um segundo, e respirei fundo.
Quando abri, meus olhos encontraram Anahi.
Ela estava ali, na penumbra, hesitante, com os ombros ligeiramente encolhidos, mas ainda com aquela maldita camisola preta. Ao vê-la parada ali, daquela forma, só pude reclamar aos céus.
Logo agora que meu pau tinha relaxado, ela me aparece dessa forma, e ele que sempre acordava nas horas mais inoportunas, já estava de pé.
Deus, eu já reparei que o senhor me odeia, mas será se pode ter um pouquinho de dó de mim?
Pigarrei balancando a cabeça, ela deve ter achado quee eu estava tentando enxergá-la no escuro, mas na verdade eu queria tirar os pensamentos mais sordidos da minha cabeça.
— Desculpa se te acordei, mas... Eu não consegui dormir, posso entrar? - Disse, a voz baixa, trêmula, mas firme no pedido.
Eu apenas assenti. Ela entrou, e a porta se fechou com um clique que parecia marcar o início de algo que não podia mais ser adiado.
Dava para perceber que ela estava nervosa, seu coração batia extremamente rápido, pude ver pelo seu peito que subia e descia rapidamente e a maneira que ela puxava o ar, algo bem comum nela quando tentava se acalmar.
— Eu queria falar sobre… - Começou, os olhos buscando os meus, hesitantes. - A nossa conversa inacabada no escritório. Pude pensar um pouco mais e gostaria de colocar os pingos nos i's.
Eu respirei fundo, concordando com a cabeça. Lembrei que no escritório quase deixei toda a minha máscara cair, quando Olívia sugeriu que eu me humilhasse, não sabia que precisava ser tanto.
A última vez que fiz isso, foi quando Suzie entrou no carro, no meio de uma tempestade e eu me enfiei junto. Ela estava querendo ir embora, depois de mais uma das brigas que haviam acontecido com sua mãe.
— Eu... - Murmurei, minha voz ainda extremamente grossa e grave. - Devia ter sido diferente. Eu fui um idiota completo. Eu te magoei, te acusei, fiz coisas que nem eu mesmo consigo explicar direito.
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Brincando Com Fogo
RomanceQuando a conheci, ela seria a nova concorrente a uma das vagas mais importantes do nosso trabalho. Nunca imaginaria que aquela mesma mulher transformaria a minha vida em um verdadeiro inferno. Mas se o inferno fosse tão belo quanto ela, acho que n...
