Capítulo 49

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Alfonso Herrera

— O que foi aquilo? - A porta bateu, quando a loira entrou como foguete e a bateu com força.

  Havia acabado de entrar na minha sala e logo a mesma entrou. Meu sangue fervia, minha cabeça estava a mil por hora e Anahi, ao invés de escolher o bom senso e vir depois atrás de mim, decidiu vir no momento que estou querendo quebrar a minha janela panorâmica no murro.

  Passei as mãos no meu cabelo, tirando-o do penteado para trás que havia feito pela manhã.

— Volte para sua sala, não estou afim de discutir com você por, sei lá, vigésima quinta vez do mês. - suspirei ficando de costas para ela, tentando me controlar - Preciso trabalhar.

— Ah - Anahi gargalha batendo palmas - Agora você decidiu virar adulto e trabalhar? Por que não pensou nisso dez minutos atrás quando insinuou que estou usando a porra do meu corpo para ganhar a promoção?

  Anahi gritou, aos quatro ventos, com todo o ar que havia em seu pulmão. Eu nunca havia a visto xingar, isso era um claro precedente que ela estava com muita, mas muita raiva.

— Any...

— Any? Any porra nenhuma. Pare de agir como uma criança mimada, diferente de você, eu jogo limpo - Respirou fundo, abaixando o tom de voz e se aproximando da minha mesa - Nunca te dei motivos para duvidar de mim e muito menos do meu caráter, nunca deitei com um cliente, nunca deitei com um chefe e a única vez que deitei com um colega de faculdade, ele conseguiu destruir a minha vida. - Sua voz falhou, virei para encará-la e Anahi estava com os olhos marejados, segurando para não chorar.

— Anahi, eu não...

— Cala essa boca - Gritou, dei um sobressalto, me assustando com a diferença repentina de tom de voz - Eu não tinha ideia que receberíamos logo esse pedido de orçamento, eu não entendo por que tanta raiva sua sob mim. Mesmo quando pegamos a conta dos meus pais, que eu poderia fazer o que bem quisesse que eles me escolheriam, eu dei a você, pois sabia que, além dos meus pais merecendo o melhor marketing do mundo apenas por serem eles, o seu trabalho estava superior ao meu e assumir isso não é nenhuma vergonha, pois eu jamais colocaria um relacionamento com um cliente na frente do meu profissional.

— Relacionamento, é? - Ri irônico - Achei que esse relacionamento já tivesse acabado, está esperando o que para acabar? Mais um par de chifres?

  Anahi franziu a testa, ela apertava as mãos ao ponto de suas unhas cravarem em sua própria carne. Se não fosse tanta raiva, tenho certeza que ela sentiria a dor.

  Mesmo faltando sair fumaça pelas suas orelhas de tanta raiva. Anahi, surpreendentemente, falou baixo.

— Então é esse o problema? Brian? Achei que sua indignação era por eu ter, novamente, uma vantagem.

  Meu estômago embrulhou, sentimentos que eu nem sabia que existiam sacudiram meu peito, fazendo me sentir sufocado. O primeiro impulso foi atacar.

— Para quem você dá ou deixa de dar não é da minha conta, a menos que esteja trepando comigo ao mesmo tempo, não to afim de pegar uma doença.

  Anahi recuou alguns passos para trás, foi como se ela estivesse a frente de um alvo e eu tivesse acabado de lançar dardos e ela tivesse sido atingida. Deixando a metáfora para trás, minhas palavras haviam acabado de atingir um lugar, possivelmente, muito específico de Anahi.

— Então é isso? Não basta você me acusar de estar trapaceando na disputa, ainda me acusa de sair "trepando" com todo homem que me da oi? - Fez aspas com o dedo.

Brincando Com FogoOnde histórias criam vida. Descubra agora