Alfonso Herrera
Um mês se passou, mesmo que a noite na vinícola tivessemos combinado de sermos apenas o mata prazer um do outro, nossas cabeças não colaboraram muito. Quando voltamos, até conseguimos ficar uma ou duas semanas apenas transando e seguindo a vida solo. Mas depois já estávamos a compartilhar a mesma cama, o mesmo apartamento e os mesmos costumes. De fato, foi em vão o que combinamos.
— Você gosta de museu? - Ela perguntou, ainda com o rosto enfiado no livro.
Apertei o botão de desligar da televisão e olhei para Anahi. Ela estava lendo um livro sobre minha cama. Eu não era muito chegado a leitura, mas em contrapartida, Anahi me disse que já havia lido mais de vinte livros naquele ano, para mim, isso era quase um poder. Como ela conseguia ficar horas concentrada em uma leitura? E pior, como ela não tinha a famigerada "ressaca literária" depois de tantos livros?
Durante os finais de semana adotamos uma rotina que me agradava. Anahi voltava comigo do escritório para a minha casa, transavamos loucamente durante toda a madrugada e acordavamos próximo nove da manhã, fazíamos sexo novamente, e depois eu ia correr enquanto ela fazia nosso café da manhã. Na volta para casa, eu sempre parava na padaria e comprava o croissant de chocolate que ela tanto amava e se permitia comer durante suas dietas malucas. Depois do café, eu assistia um pouco de notícias do esporte até crimes que estavam rolando na cidade, enquanto ela lia o livro da semana durante algumas horas.
Estava esquecendo da melhor parte, ela fazia nosso café e ficava lendo vestindo apenas uma camisa minha, nada de calcinha e sutiã, essa definitivamente era a minha parte favorita do dia.
Ela estava deitada de barriga para baixo no sentido da ponta da cama, enquanto eu estava sentado encostado na cabeceira da cama, o que me dava uma bela visão de sua bunda maravilha querendo fugir da camiseta e que faltava gritar "Alfonso, me tire dessa camisa de força".
Ri com meus pensamentos. Me aproximei um pouco mais dela e coloquei a mão por debaixo da camiseta branca que ela vestia e afaguei, apertando de leve, a lateral de seu corpo, próximo a bunda.
— Gosto bastante de história. Não sou daqueles malucos conspiracionistas que acham que na Antártida tem segredos que o governos não quer que a gente saiba ou que na Amazônia brasileira tem uma cidade perdida. Portanto, Gosto bastante dos museus porque lá só tem a história que de fato alguém estudou para falar. Por quê?
Anahi deu de ombros, ainda sem me olhar.
— Por nada.
Mas alguma coisa em sua resposta, talvez por ter sido muito rápida ou pouco contextualizada, algo que não é característico de Anahi, me fez acreditar que ela estava mentindo.
— Você não é um desses malucos conspiracionistas, né?
Ela abaixou a cabeça rindo. Mesmo que eu não conseguisse ver claramente seu rosto, pude ver um rubor surgir em suas bochechas.
— Nem adianta esconder, Alabama. Você está mais vermelha que a manta do meu sofá.
Ela virou para mim, deixando o livro de lado.
— Tudo bem. Eu acredito em algumas teorias, como naves espaciais no céu. - Baixou a voz - E talvez eu acredite um pouco nos iluminatis e repitilianos.
Dei uma risada.
— Você fala sério?
— Esquece. - Virou o rosto emburrada.
— Ah, não. Foi você quem começou com essa conversa. Agora que sei que você é uma conspiracionistas, quero saber com o que vou ter que lidar. - Ri puxando sua mão, para meio que forçá-la a olhar para mim - Estamos falando apenas de acreditar um pouco nas teorias, nos dados não comprovados e na parte de dominar o mundo, ou você é uma conspiracionistas maluca que vai nas convenções e palestras?
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Brincando Com Fogo
RomanceQuando a conheci, ela seria a nova concorrente a uma das vagas mais importantes do nosso trabalho. Nunca imaginaria que aquela mesma mulher transformaria a minha vida em um verdadeiro inferno. Mas se o inferno fosse tão belo quanto ela, acho que n...
